
Hoje uma das vozes mais independentes e autorais do cinema americano, a diretora Kelly Reichardt segue persistente em suas convicções com a construção de narrativas que desconstroem entendimentos heroicos que seus conterrâneos têm sobre determinados gêneros.
Os animais em filmes como “Wendy e Lucy” e “First Cow” estão ali mais para representar necessidades primitivas do que estabelecer vínculos graciosos com humanos e não há uma obra mais anti-western do que “O Atalho”.
Agora com “The Mastermind”, o espectador testemunhará aquela que é a pior encenação de um roubo já visto no cinema, onde o protagonista interpretado por Josh O’Connor arquiteta com dois capangas a invasão em um museu à plena luz do dia para sequestrar as pinturas de um mesmo artista.
O que de diferente rola em “The Mastermind” é que a obstinação de Reichardt em promover esse cinema minimalista, onde verdadeiras emoções humanas brotam da banalidade, atinge um ponto de exaustão aqui. A partir do segundo ato, passaremos a acompanhar um homem cada vez mais abandonado por familiares e amigos diante da escolha que fez, nada de muito gratificante comunicando sobre essa solidão que o invade a partir do momento que passa a viver como um nômade convicto de que reverterá tudo ao seu favor.
É uma pena que o filme menor de Reichardt chegue justamente no momento em que muitos podem encará-lo como o seu projeto mais acessível. Este é apenas o seu segundo filme a ganhar exibição comercial no Brasil (o primeiro em um contexto fora da pandemia) e, infelizmente, muitos espectadores não se sentirão motivados a explorar o seu belo cinema depois da experiência enfadonha que é “The Mastermind”.
★★
Direção de Kelly Reichardt
Em exibição nos cinemas (MUBI Brasil e Imagem Filmes)
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