
Diretor de vários curtas, Ben Leonberg faz a sua estreia em longa finalmente matando aquela curiosidade somente sugerida em filmes de terror: teriam os cachorros o dom de identificar a manifestação do sobrenatural?
Quando testemunhamos esse fenômeno, ele geralmente marca a transição de um prólogo pacífico para algo que começa a ficar efetivamente perturbador quando um cão late para as sombras. Quando vamos um pouco além disso, ou o bicho de estimação sai de circulação ao ser ferido ou vira objeto do ridículo, a exemplo daquele que tem flashbacks em “Quadrilha de Sádicos 2”.
Com muita paciência e pouco dinheiro do bolso, Ben Leonberg faz de “Bom Menino” uma obra bastante efetiva, indo além do mero “filme gimmick” ou da sensação de que esticou as coisas por sempre fazer bom uso de Indy, uma variação de Retriever sem treino como “ator” e do qual é tutor.
Excetuando a direção de arte, que não é capaz de criar um ambiente que realmente soe assombrado e gerenciado por um protagonista humano em estado de saúde crítico – é tudo organizado demais para representar uma situação tão deprimente -, “Bom Menino” usa muito bem as ferramentas que tem em mãos, sendo elaborado no respeito à perspectiva canina e numa montagem que segura o ritmo do filme e enaltece a magnética presença de Indy.
No entanto, o que há de melhor aqui é como a história consegue virar um pouco o jogo. Em “filmes de cachorrinho”, a gente quase sempre vai se deparar com a finitude do animal e o propósito que cumpriu na vida de uma família. Aqui, a fidelidade que Indy demonstra para o seu tutor da ficção é colocada à prova de outra forma, dando um contorno dramático bastante inesperado e que eleva “Bom Menino” inclusive para quem se frustrar com as expectativas de medo geradas antes de assistir a esse experimento.
★★★
Direção de Ben Leonberg
Em breve nos cinemas (Paris Filmes)
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