
Cinco anos antes de receber reconhecimento mundial com o sucesso de “Drive” (que, entre muitas conquistas, lhe rendeu o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes), Nicolas Winding Refn viveu um pesadelo que se estendeu por três anos.
Celebrado em seu país por “Pusher”, Refn fez posteriormente “Medo X”, um thriller psicológico com roteiro de Hubert Selby Jr. (autor de “Réquiem para um Sonho”) e protagonizado por John Turturro e Deborah Kara Unger. À época deste “Gambler”, o dinamarquês apontou o filme como o seu melhor e mais ambicioso projeto, mas o resultado comercial foi tão catastrófico que o levou à falência.
O que acompanhamos no documentário é o temor de qualquer pessoa que decide dedicar a sua vida à arte: Refn e sua esposa chegam a depender do auxílio financeiro de sua filha recém-nascida para sobreviver, encontrando como única alternativa transformar “Pusher” em uma trilogia para pagar uma dívida bancária equivalente a um milhão de dólares (Refn chegou a financiar “Medo X” parcialmente do próprio bolso).
Nicolas Winding Refn não é uma unanimidade entre os cinéfilos. Sustentou uma personalidade petulante após “Drive”, mesmo que os seus projetos seguintes tenham sido, no mínimo, divisivos. Hoje, aos 55 anos, entrou em uma fase mais moderada, evitando a exposição de seu ego.
Isso contribui para que percebamos uma versão mais gentil e vulnerável de si mesmo no passado, reconquistando, neste documentário, certa credibilidade pela franqueza com que abriu a sua vida privada e persistiu em seu sonho de triunfar como diretor de cinema.
★★★
Direção de Phie Ambo
Disponível na MUBI Brasil
