
Péssima tradução, “O Crime que o Mundo Esqueceu” não apenas reflete em nada a premissa, como se esquiva da fina ironia de “Everybody Wins” – “todo mundo sai ganhando”, texto do dramaturgo Arthur Miller que o próprio tratou de adaptar para cinema.
Em determinado ponto do filme, o detetive particular de Nick Nolte, um sujeito meio estrelinha que gosta de aparecer em reportagens televisivas, se vê por demais envolvido em um caso em que um jovem rapaz foi preso pela morte de seu tio: ao vasculhar evidências e conhecer figuras muito suspeitas, desconfia que a penitência aparentemente equivocada esconde um ciclo de corrupção em Connecticut.
Grande atriz, Debra Winger não está em seus melhores dias no papel de uma mulher bipolar com passado nebuloso, sendo a principal responsável por atrair as atenções de Nick Nolte para salvar a vida de um inocente, que definha atrás das grades ao parar de comer.
Como esperado, esses dois protagonistas existem para firmar um relacionamento romântico implausível, desses em que você ouve um “eu te amo” em menos de 48 horas.
Na realidade, esse é um sintoma que contamina toda a encenação que Karel Reisz confere para o roteiro de Arthur Miller, onde tudo se pretende intenso demais sem qualquer plausibilidade. Tudo fora do tom para estabelecer o dilema: vale a pena mergulhar de cabeça em uma teia de conspirações para explodir todo um sistema ou a gente fica apenas na superfície para encontrar um meio-termo em que o bem-estar de figuras corruptas também significa a sobrevivência de inocentes desassistidos pela justiça?
Um fracasso comercial perdido nas filmografias de Nick Nolte e Debra Winger, que matou a carreira de Karel Reisz – o cineasta britânico de ascendência checa nunca mais faria outro filme até falecer 12 anos depois.
★★
Everybody Wins
Direção de Karel Reisz
Assistido em DVD (Spectra Nova)
