Resenha Crítica | Southland Tales: O Fim do Mundo (2006)

Se na música temos os chamados “one hot wonders”, que são músicos ou bandas que passam o resto de suas carreiras sendo reconhecidos sobretudo por um único sucesso, no cinema há também exemplos de diretores que só conseguiram impactar com um único projeto, nunca conseguindo se superar (ou ao menos se aproximar) daquela sua única obra de culto.

Richard Kelly é apontado como o principal exemplo moderno desse fenômeno – e com muita razão. Embora “A Caixa” seja um filme mais palatável sendo revisitado hoje, é evidente que é “Donnie Darko” o seu grande triunfo como cineasta e roteirista, um fracasso comercial que imediatamente encontrou o seu público quando chegou nas videolocadoras.

Quando saiu, “Southland Tales” se transformou em tudo o que Richard Kelly não desejava. Certo de que fez uma obra política de ficção revolucionária, enfiou o seu filme na Seleção Oficial do Festival de Cannes com uma versão de 160 minutos com inúmeros elementos de pós-produção inacabados. Saiu de lá com uma das piores avaliações para um concorrente à Palma de Ouro e, desta vez, só foi defendido por aquele rebanho típico de fãs obsessivos incapazes de observar as coisas como elas realmente são. 

Aqui, o diretor mistura vigilância, pornografia, guerra civil e fenda espaço-temporal com três diferentes núcleos de elenco: aqueles que nunca foram dramaticamente respeitados (Dwayne Johnson, Sarah Michelle Gellar, Christopher Lambert), comediantes (Amy Poehler, Jon Lovitz e uma Janeane Garofalo abandonada no corte de Cannes) e outros tarimbados (Miranda Richardson, Wallace Shawn, Curtis Armstrong).

É uma autoindulgência que foi uma porcaria na era Bush e que segue uma porcaria na era Trump. Ou pegando carona em um diálogo da personagem da Amy Poehler: “Just because it’s loud doesn’t mean it’s funny.”


Southland Tales
Direção de Richard Kelly
Assistido em DVD (Universal Pictures)

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