
Em quatro décadas de carreira, o britânico Philip Ridley escreveu para o teatro e publicou livros. No cinema, fez apenas três longas-metragens, identificando este segundo deles, “Paixões na Floresta”, como o meio de uma trilogia temática composta por “O Reflexo do Mal” e “Marca da Vingança”.
Aqui, Brendan Fraser é acolhido por Ashley Judd em sua casa no meio da floresta. Ela aguarda o companheiro vivido por Viggo Mortensen e se compadece com o relato desse estranho, que se diz recém-órfão e com toda uma vida aparentemente dedicada aos ensinamentos de uma seita de cristãos fundamentalistas.
A partir das cores quentes da fotografia de John de Borman, Ridley investiga o desejo em ponto de ebulição em um sujeito que sempre o reprimiu, encontrando em sua Bíblia Sagrada respostas extremistas para lidar com aquele casal que logo se reencontra e se entrega um ao outro sem qualquer reserva diante de sua presença.
Com elementos narrativos e visuais bastante particulares (Viggo Mortensen interpretando um mudo, o sapato que flutua na lagoa, a família circense da cena final), o filme é basicamente uma fábula amparada por recortes bíblicos que podem repelir quem não tem um entendimento aprofundado deles.
Em tempo: vale a pena deixar os créditos finais rolando, pois há música no vocal da PJ Harvey.
★★★
The Passion of Darkly Noon
Direção de Philip Ridley
Assistido em DVD (Editora NBO)
