Resenha Crítica | Sangue e Chocolate (2007)

Segundo a lenda, lobisomens são criaturas mitológicas que estão ocultas dentro de nós, seres humanos. Porém, não são todos herdeiros deste dom; aliás, maldição.

Brigitte Fitzgerald narra em off, no prólogo de “Possuída – O Início”, que “segundo os índios, a maldição vem de longe e foi passada de geração para geração”. Na vida real, existem vários povos com credos distintos que dão novas estruturas às origens da aberração; porém, tudo não passa de histórias não comprovadas.

No cinema, máquina criativa que é capaz de suprir os argumentos mais inimagináveis possíveis, apostou-se nesse mito como investimento ao gênero terror. Além de “Possuída – O Início”, uma verdadeira obra-prima que mescla horror e estilo gótico com muita sagacidade, temos um verdadeiro filme de lobisomens batizado como “Um Lobisomem Americano em Londres”.

Esta produção americana, orquestrada por John Landis (do cult “Os Irmãos Cara-de-Pau”), até então elevou o padrão dos efeitos especiais, mesmo limitado pela falta de recursos na época. O restante, no entanto, não passa de fitas medianas ou bobagens inconsequentes.

Existe em “Sangue e Chocolate” uma tentativa pífia de inovação, lembrando que Ehren Kruger inspirou-se em um famoso best-seller de romance entre lobisomens em tempos modernos. Desconhecida, a diretora alemã Katja von Garnier confere autenticidade ao não optar por muitos efeitos especiais nas transformações de suas bestas feras e nos sublimes cenários que utiliza para compor a sua adaptação, mas a realização não é nada agradável.

A esforçada Agnes Bruckner (jovem atriz que se destacou no independente “Um Certo Carro Azul”) é submetida a mais uma barca furada, não encontrando muitos meios de comprovar a sua capacidade como intérprete. O pequeno brilho do elenco está somente nela.

Nomes familiares, como os dos atores Hugh Dancy e Olivier Martinez, encabeçam o rol de coadjuvantes inexpressivos. Na história, Vivian dedica-se, nos períodos diurnos, a uma pequena e produtiva loja de chocolates. À noite, evita a tentação de arrancar sangue de meros mortais.

Um tanto em vão, pois seu primo Rafe, com seus aliados, atacam impiedosamente as mulheres estonteantes que perambulam pelas ruas estreitas em segredo, pois é membro de uma sagrada fraternidade que proíbe tais liberdades. Sua vida pacata, mas perigosa, ganha novos contornos com a chegada de Aiden, homem da mesma faixa etária que demonstra uma pequena obsessão por contos e desenhos de lobisomens. Daí surge o elo entre o humano e a fera.

Mesmo contando com o mesmo autor dos roteiros excepcionais de “O Chamado” e “A Chave Mestra”, além da mina de ouro nas mãos (no caso, o best-seller), “Sangue e Chocolate” não muda a fórmula de praxe. Não consegue transmitir pavor ou tensão, o mínimo que se exige ao assistir a um filme do gênero na tela grande, não? Os fanáticos pelas criaturas noturnas não devem apreciar a falta de novidades.


Blood and Chocolate
Direção de Katja von Garnier
Assistido nos cinemas (Imagem Filmes)
Texto originalmente publicado em 18/04/2007

Deixe um comentário