Resenha Crítica | Motoqueiro Fantasma (2007)

O cinema já quebrou a barreira do pessimismo quanto às adaptações de HQs não terem formas para ser levadas às telonas, mas a incompetência artística e a ganância de produtores em lucrar com um ícone dos gibis ainda persistem.

O sucesso vem de uma certa tendência do grande público, que sempre prefere uma sessão pipoca a um filme que seja virtuoso em argumento, interpretação, direção e desenvoltura, tornando essa febre de heróis saídos dos quadrinhos uma das maiores pragas do novo século.

Este “Motoqueiro Fantasma” falha em todos os aspectos que formam um bom entretenimento, além de ser mais um eventual erro de Nicolas Cage, que não fez mais nada de bom desde o drama “O Sol de Cada Manhã”.

Aqui, Johnny Blaze (Matt Long) faz um pacto com o coisa ruim (ou, se preferir, Mefisto, interpretado pelo sumido Peter Fonda) para salvar o seu pai quando este sofre um grave acidente automobilístico. Uma solução temporária, pois ele morre logo em seguida.

Já mais velho, no corpo de Cage, Johnny descobre sua fúria flamejante até então oculta, vindo, em seguida, a apresentação dos vilões grotescos e a presença de Eva Mendes para formar par romântico com o protagonista.

Ou seja, mais do mesmo, analisando que esta é a base que sustenta os argumentos de outras aberrações do porte de “Hulk”, “Homem-Aranha”, “Quarteto Fantástico” e outras tralhas deste subgênero de ação.

Nos quadrinhos da Marvel Comics, o personagem deu as caras no início da década de 1970. Criou alvoroço quando afirmaram que a editora plagiou “O Cavaleiro Fantasma”. Tanto na leitura ilustrada como no filme, o Motoqueiro Fantasma também pune indivíduos repletos de pecados, fazendo uma rápida viagem à alma em busca de todos os danos que causou em toda a sua existência.

Se ao menos o roteiro seguisse a mesma formalidade de “Demolidor – O Homem Sem Medo”, Mark Steven Johnson certamente entregaria um filme digno para seu personagem, mas a apresentação é apressada demais, a inclusão do cômico só atrapalha e efeitos visuais de qualidade duvidosa tentam afirmar que espetáculo gráfico já basta, satisfação que já se tornou insuficiente há tempos.

Nicolas Cage conseguiu, neste “Motoqueiro Fantasma”, sua grande realização como ator e sonho pessoal, interpretando um herói nas telas de cinema. Vemos um homem feliz em ação, descontraído.

Mas um ator até então respeitável deve se arriscar negando certas oportunidades, pois Cage só anda caindo no conceito dos seus fãs e do público que acredita no seu talento, um erro em que muitas personalidades persistiram até o fim, refletindo atualmente na corrida destes em agarrar bons papéis. O aviso está dado.


Ghost Rider
Direção de Mark Steven Johnson
Assistido nos cinemas (Sony Pictures)
Texto originalmente publicado em 06/05/2007

Deixe um comentário