
Cineasta audacioso, Mel Gibson novamente se posiciona atrás das câmeras para orquestrar outro de seus filmes polêmicos. Longe do escândalo causado por “A Paixão de Cristo”, “Apocalypto” despertou interesse pela falta de materiais de divulgação, pelas filmagens reclusas, pela própria história em questão e pela soma das atitudes e comentários desenfreados do próprio Gibson do lado de cá das telas.
Distante de “A Paixão de Cristo” por não caracterizar com o mesmo impacto o calvário de Jesus Cristo, trata-se, ainda assim, de uma aventura épica repleta de força, diversão e brutalidade fora dos padrões americanos.
Falado em dialeto maia (que não compromete a compreensão graças à legenda e à invasão da ação), a trama gira em torno de uma tribo indígena que é surpreendida por um grande império que os submete à força a uma longa jornada.
Chegando ao templo dos governantes, são sacrificados. Jaguar Paw (Rudy Youngblood) é o personagem central de toda a aventura, na qual confirmará a vinda de “um novo começo” (significado do nome que dá título ao filme).
É importante destacar todo o elenco composto por nomes desconhecidos, todos bons em seus respectivos papéis, especialmente o protagonista Youngblood. Com a impressionante maquiagem, os belos cenários e toda a tensão pregada, Gibson só falha na emoção e bravura.
Acompanhamos a busca de Jaguar Paw em rever a mulher grávida e o filho pequeno “protegidos” dentro de uma caverna sem a mesma densidade, por exemplo, do épico “Coração Valente”, que rende uma sequência no clímax demasiadamente improvável.
Ainda assim, pode ser apreciado tanto pela história como por ser um divertido passatempo com algo a mais. Mas é recomendável que a plateia mais sensível tape os olhos nas decapitações, torturas e outras artimanhas tão recorrentes nos filmes do ator e cineasta.
★★★
Apocalypto
Direção de Mel Gibson
Assistido em DVD (Fox Film do Brasil)
Texto originalmente publicado em 03/06/2007
