Resenha Crítica | O Amor Pode Dar Certo (2006)

Griffin & Phoenix

Dermot Mulroney sempre está confortável nos papéis de galã, mas nunca deixou de nos mostrar que é capaz de interpretar outros tipos dotados de dramaticidade, como Randall Hertzel, de “As Confissões de Schmidt”, e John Munn, de “Contra Corrente”.

Amanda Peet já é mais reconhecida no cinema americano do que o companheiro de trabalho, alternando escolhas simpáticas (“Melinda & Melinda”) com as mais densas (“Identidade”). Mesmo que já sejam antigos conhecidos nossos, falta-lhes um merecido destaque, um filme que forneça para ambos a chance de protagonista único.

É uma pena que a expectativa de ver Dermot e Amanda à frente de uma produção não seja correspondida. Trata-se do velho tema de reaver os próprios conceitos e aproveitar a vida de forma intensa enquanto o tempo de vida vai se reduzindo, já explorado em irregulares exemplares recentes como “Antes que Termine o Dia” ou “Um Amor Para Recordar”, mesmo que nestes exemplos exista lá alguma profunda emoção.

Refilmagem de um filme televisivo, o singelo título original se refere a Henry Griffin e Sarah Phoenix. O primeiro descobre um câncer fatal que não tem cura, mas que pode ser retardado com tratamento rigoroso, porém ele não opta pela escolha, só exige antídotos que não o façam sofrer na hora da morte.

Já ela conhece, não tão por acaso, Griffin em uma palestra cedida numa universidade. Temperamental, Phoenix quer distância de qualquer relacionamento sério com os homens. Depois da troca de impressões, encontros casuais e até mesmo uma fuga após a entrada sem ingresso num cinema, eles descobrem o afeto que têm um pelo outro, mas o destino intervém muito antes do esperado.

Os que não tiveram a oportunidade de ver “O Amor Pode Dar Certo” na tela grande podem aproveitar o rápido lançamento em DVD, programado pela Paris Filmes para o dia 20 de junho. Mesmo que o casal de intérpretes entregue alguma sintonia, a primeira experiência de Ed Stone (roteirista e ator de “Happy, Texas”) como diretor de longa-metragem para o cinema é de grande frieza.

Stone tenta a todo custo imprimir o drama, o romance e um pouco de humor num mesmo filme, mas sua tentativa resulta fracassada. Ele não conseguiu delinear cenas verdadeiramente comoventes, a paixão do casal não exala um aumento de vitalidade necessário ao tema em questão e o cômico não possui descontração.

Além de outros descuidos, como a trilha sonora mal aplicada e a cena final derrotista (uma pequena ação que parece demonstrar que o amor de Griffin e Phoenix não nos serviu para nenhuma reflexão, e sim para o esquecimento, uma passageira experiência), fica difícil para os talentosos Dermot Mulroney e Amanda Peet ultrapassarem sozinhos esses fartos obstáculos. Que ao menos o destino da vida profissional sorria para eles nos projetos futuros.

★★
Griffin & Phoenix
Direção de Ed Stone
Assistido nos cinemas (Paris Filmes)
Texto originalmente publicado em 17/06/2007

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