Resenha Crítica | O Guarda-Costas (1992)

O Guarda-Costas

Embora eu seja constantemente bombardeado com a existência de “O Guarda-Costas”, seja consumindo materiais sobre Whitney Houston (a exemplo do documentário do Kevin Macdonald ou da cinebiografia dirigida por Kasi Lemmons), ou reproduzindo o vinil da trilha sonora (até hoje a mais vendida da história), a oportunidade para assistir ao filme veio somente agora.

Ainda que longe do fiasco testemunhado em muitos casos de divas pop que tentaram a carreira como atrizes, fica evidente que este é um filme sob encomenda para fazer muito dinheiro. Isso ocorre mesmo em suas tentativas mais nobres, como a insistência de Kevin Costner, também produtor do projeto, em lutar pela escalação de Whitney Houston, o que, à época, acalorou muitos debates sobre romances inter-raciais no cinema.

Diretor de Kevin Costner em alguns títulos de sua filmografia, Lawrence Kasdan usa aqui as suas experiências como roteirista para enaltecer ao máximo a dupla. Quanto a Costner, reforça o seu poder como galã hollywoodiano. Para Whitney, desenvolve uma versão dela mesma para aplacar a sua inexperiência como atriz.

Apesar do caráter meio premonitório da premissa, em que uma estrela da música recebe ameaças de um stalker (o filme foi rodado três anos antes do assassinato de Selena e quatro antes de Björk quase ter o mesmo destino), a artificialidade impera para narrar um romance de princesa que se apaixona por aquele contratado para protegê-la.

O maior mistério é como esse romance foi um fenômeno na época de seu lançamento, pois a expressão imutável de paspalho de Kevin Costner reduz para zero as chances de alguma química avassaladora com Whitney Houston. A ambiguidade da cena final também não favorece as coisas.

É uma pena também a falta de um uso mais substancial das canções que integram a trilha sonora, aqui soltas em fragmentos sem colaborar dramaturgicamente. Sem dizer a escolha terrível do clímax em uma cerimônia do Oscar, que resulta tão risível quanto aquela de “Corra que a Polícia vem Aí 33 1/3”, embora a ficção tenha sido mais ágil do que a própria Academia ao dar o seu primeiro Oscar para uma atriz negra em um papel central.

★★
The Bodyguard
Direção de Mick Jackson
Assistido em VHS (Warner Bros)
Disponível no HBO MAX

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