Resenha Crítica | Natal Negro (2006)

Natal Negro

O que aconteceu com Glen Morgan? Cineasta talentoso e amigo de James Wong, tornou a refilmagem de “Willard” uma grande surpresa e agora nos entrega uma ingrata versão atualizada de “A Noite do Terror”.

Se em “A Vingança de Willard” (produção estrelada pelo sinistro Crispin Glover) ele soube equilibrar com maestria a melancolia de seu personagem em união com o horripilante, relacionado à presença de inúmeros roedores, em “Natal Negro” ele tropeça em todas as fraquezas do teen horror, alternativa pela qual ele infelizmente optou para a garantia de público.

Nada é divertido neste conto de massacre juvenil, que narra o tédio de uma fraternidade feminina à véspera do Natal. Reza a lenda de que na própria residência onde as garotas estão hospedadas morava uma família composta por um casal e um filho.

Descoberto o adultério da matriarca, esta, unida com o amante, mata seu próprio marido, enquanto o pequeno chamado Billy (na infância interpretado por Cainan Wiebe), que herdou uma pele amarelada por causa de uma rara doença no fígado, se esconde nos cômodos inabitados do local.

Nasce do traumatizante homicídio o desejo de vingança e a obsessão em matar indivíduos indefesos. Recluso num presídio, Billy (agora interpretado por Robert Mann) consegue com muito sucesso retornar para seu doce lar, onde já estamos cientes do que vai ocorrer.

Katie Cassidy (“Quando Um Estranho Chama”), Michelle Trachtenberg (“Sonhos no Gelo”) e Mary Elizabeth Winstead (“À Prova de Morte”) são algumas das mocinhas. A veterana Andrea Martin, que esteve na versão original de 1974, tem destaque na refilmagem.

Bobagem é pouco para definir uma produção tão constrangedora, na qual sustos são trocados rapidamente por involuntárias gargalhadas, especialmente nas cenas atrozes onde as pobres garotas são sujeitas a perder os dois olhos para futuros enfeites natalinos.

Talvez “Natal Negro” tenha surgido com o intento de mudar toda essa rotina que os americanos não cansam de organizar em datas comemorativas com sadismo e graça. Mas cinema de horror é algo sério demais para que filmes de fracas pretensões sejam relevantes.

Ao menos com a estreia futura nas telas brasileiras de “Natal Negro”, que foi adiada inúmeras vezes, alguma distribuidora deve se interessar em lançar a produção original de 1974 em DVD.


Black Christmas
Direção de Glen Morgan
Assistido em DVD (Paris Filmes)
Texto originalmente publicado em 14/07/2007

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