
É bem evidente que “Culpado Como o Pecado” é um dos vários projetos sob encomenda que Sidney Lumet dirigiu, sobretudo nos anos 1990.
No entanto, ao contrário do terrível “Uma Estranha Entre Nós” e do inofensivo “Glória, a Mulher”, aqui o veterano realmente compreendeu o material que tinha em mãos, entregando exatamente o que se espera dele: um Supercine de primeira.
Último sucesso comercial de sua carreira, esse suspense, escrito pelo ícone do cinema B Larry Cohen, parte de uma premissa ótima. Rebecca De Mornay interpreta uma advogada cheia de si e no ápice da carreira, que comete o erro de defender o caso de Don Johnson.
Ele vive um sugar baby que se aproveita de mulheres ricas e cuja última “patrocinadora” aparece morta, com várias provas apontando para ele. Em vez de circular pelo batido “ele é culpado ou inocente?”, o texto de Cohen propõe um jogo de xadrez sagaz entre os protagonistas.
A personagem de De Mornay se percebe como a vítima de um plano arquitetado muito antes de saber da existência de Johnson. Talvez ciente dos rumos que o thriller adulto assumia desde o sucesso de “Instinto Selvagem”, Sidney Lumet também faz questão de inverter nossas expectativas ao não adentrar o erótico.
Rebecca De Mornay precisará de astúcia, e não de sensualidade, para se desvincular de seu cliente, enquanto Don Johnson explora sua imagem de galã para operar na chave do homem patético, desprezado justamente pela única mulher que pode oferecer a ele o que mais precisa.
Mesmo que a resolução desperdice o duelo psicológico ao recorrer à velha convenção do embate físico, “Culpado Como o Pecado” é aquele tipo de suspense esperto que, infelizmente, faz falta hoje em dia.
★★★★
Guilty as Sin
Direção de Sidney Lumet
Assistido em VHS (Abril Vídeo)
