
Em meio a tantas variedades, o cinema ainda nos deve mais entretenimentos que saibam lidar com a ingenuidade e doçura em doses bem medidas. Se a pureza está presente em muitos clássicos, na atualidade isso é um artigo raro.
É o que basta para definir o divertidíssimo “As Férias de Mr. Bean”, anunciado como última caracterização de Rowan Atkinson com o personagem que o revelou para o mundo. A produção é inofensiva e Bean é cândido em todos os seus atos. Todavia, existe a preocupação na construção da aventura e toda a dedicação do elenco em personagens que exigem um enorme carisma.
Se o roteiro é singelo ao extremo, todo o percurso andado até os últimos minutos da projeção foi construído na base de muita criatividade e descontração. Por isso, não são um tremendo exagero as comparações dos fãs entre Bean e o comediante Charles Chaplin: guardadas as devidas proporções, ambos ganharam fama pelas qualidades citadas nas linhas anteriores da resenha.
Mesmo que seja garantia de satisfação para o público de todas as idades, a parcela que prefere o humor escrachado ou inovador não deve ter muitas expectativas. Após ganhar em uma promoção um passaporte para viajar à França, Bean organiza as bagagens e logo sonha em repousar nos maravilhosos pontos turísticos do país.
Como o esperado, o sujeito não embarca rumo ao seu destino da melhor forma, pois, sem muitas opções, um garoto chamado Stepan (Max Baldry) fica aos seus cuidados, pois se separou de seu pai (Karel Roden) após um hilariante descuido. As boas intenções do herói não funcionam muito bem, chegando até mesmo a entrar de penetra no badalado Festival de Cannes, que tem entre os seus convidados a atriz pouco experiente, Sabine, e o egocêntrico cineasta Carson Clay (Willem Dafoe).
Em 1997, o personagem ganhou as telonas, mas o resultado não foi tão bem-sucedido, mesmo que o filme seja engraçadíssimo. As imperfeições ocorreram por dois descuidos. O primeiro foi o seu parceiro de cena interpretado pelo ator Peter MacNicol, que comprometia a obra pela falta de carisma. O segundo foi o acréscimo desnecessário de falas para o personagem usado em muitas sequências, pois um dos fatos que elevaram a fama de Mr. Bean foi a celebração ao humor mudo.
Esses problemas não são repetidos no novo “As Férias de Mr. Bean”, sendo o melhor filme do gênero neste ano de boas produções. Se você é fã incondicional do personagem, vai adorar as suas novas confusões. Se você não apreciava os quadros cômicos exibidos tempos atrás na TV aberta protagonizados por Bean, dê uma chance a ele. É sua despedida definitiva. E o renascimento de uma esplendorosa inocência que poucos têm o esmero para criar.
★★★★
Mr. Bean’s Holiday
Direção de Steve Bendelack
Assistido nos cinemas (Universal Pictures)
Texto originalmente publicado em 05/08/2007
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