Um pouco cansada das comédias românticas bem-sucedidas, Sandra Bullock acreditou novamente, depois de anos, que seu talento deve estar também a favor de personagens dramáticos em filmes mais sérios. Porém, exceto por “Crash – No Limite”, onde ela convence interpretando Jean Cabot, esposa rica e submissa de Rick Cabot (Brendan Fraser), suas escolhas têm sido bem equivocadas.

Prova-se novamente sua capacidade em “Confidencial”, produção independente lançada recentemente no país, onde nos mostra o convívio entre o escritor Truman Capote com o presidiário Perry Smith quando o primeiro desenvolvia o futuro sucesso “A Sangue Frio”. Mas em “Premonições”, Bullock é sujeita a um projeto que obtém um resultado ainda pior em comparação com outro desempenho sério e recente no filme “A Casa do Lago”.

O filme não faz cópia do argumento do suspense juvenil “Premonição”, mas parece recapitular uma curiosa metáfora da discreta produção “O Terceiro Olho”, como o uso discreto de um jogo de quebra-cabeça. A história se inicia com enigmas revelados gradativamente, assim como o encaixar de peças para finalizar uma imagem em retalhos do famoso passatempo.

Mesmo que prenda a atenção por parte dos momentos eficientes onde ocorrem grandes escândalos entre todos os personagens em cena, como no desconfortante momento passado num funeral, o mistério é fácil de ser solucionado. Linda Hanson (Bullock) vê sua vida perfeita desmoronar quando recebe a notícia de que seu marido, Jim Hanson (Julian McMahon), foi vítima de um acidente na estrada.

Repousando no fim do dia após a esperada tristeza, desperta em seguida vendo Jim mais vivo do que nunca. Os fatos vão se alternando com o início de cada dia de uma semana, fazendo com que a sanidade da personagem fique em questão, assim como o possível adultério cometido pelo próprio marido.

Tentando entrar nos eixos, Linda fará de tudo para evitar que as terríveis premonições que a perturbam se concretizem verdadeiramente. Mesmo com alguns coadjuvantes conhecidos, como Peter Stormare e Nia Long, toda a câmera é focada unicamente na protagonista, encarando todo o restante como objetos em cena. Mas, mesmo com todo o esforço e responsabilidade de Sandra, sua presença não é poderosa o suficiente para esconder a previsibilidade da trama ou apagar a exaustão do espectador já nos instantes iniciais.


Premonition
Direção de Mennan Yapo
Assistido em DVD (Paris Filmes)
Texto originalmente publicado em 07/09/2007

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