
Diane Arbus é mais uma profissional que desistiu de viver, mas deixou um trabalho artístico até hoje aclamado, com fotografias consideradas inusitadas na geração na qual viveu e em que se aperfeiçoou como fotógrafa, servindo de referência até o momento. Claro que outra arte, o cinema, não deixaria de nos mostrar a trajetória e como essa inspiração se libertou.
A vida conturbada de Diane é mostrada no ótimo “A Pele”, orquestrado pelo talentoso cineasta Steven Shainberg (o mesmo de “Secretária”). Porém, a obra sugere a proposta de não entregar uma biografia convencional, mas um ponto de vista dos instantes iniciais da sua formação, comprovando a autenticidade da produção. É necessário alertar que toda a existência da fotógrafa não é contada, o que pode causar decepção para quem espera o contrário.
Especialistas comprovam que a transição de Arbus (interpretada no filme por Nicole Kidman) é desconhecida, partindo de um roteiro dramático e romântico nas mesmas proporções. Ela trabalha como assistente de estúdio do seu marido, Allan Arbus (Ty Burrell), que tem como especialidade fotografar desfiles de casacos de pele (o que talvez reflita o aborrecido título nacional). Ainda que considere ter um marido perfeito e filhas amáveis, Arbus parece prisioneira de um mundo que se resume a responsabilidades familiares e nenhum pouco de liberdade.
É assim que, pela primeira vez, decide seguir o mesmo rumo de Allan, treinando ao fotografar os arredores do apartamento onde vive. Também é deste modo que ela encontra Lionel (Robert Downey Jr.), um sujeito peculiar que sempre usa uma máscara para cobrir todo o seu rosto. É a partir desse encontro que Arbus entra em contato com um mundo pouco explorado pela fotografia na época: gigantes, anões, travestis e nudistas, figuras que ninguém ousava focar.
A paixão entre Arbus e Lionel é o que vem em seguida, conseguindo representar o fascínio por pessoas que são classificadas como minorias perante a sociedade, atingindo os níveis mais emocionantes do filme. Evidentemente, é o desempenho do casal de protagonistas que dá força para a obra funcionar. Assim, “A Pele” conquista pela forma inventiva com que caracteriza uma biografia e constrói um belo romance. Uma viagem a um imaginário que merece ser apreciado.
★★★★
Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus
Direção de Steven Shainberg
Assistido em DVD (Grupo PlayArte)
Texto originalmente publicado em 13/10/2007
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