O clima nos bastidores de “Ela É a Poderosa” não foi nada ameno, especialmente em se tratando de um projeto que se propôs a ser uma comédia. Não se trata da forma equivocada pela qual a produção chegou aos cinemas, e sim pela “estrelinha” rebelde Lindsay Lohan.

Pois sim, a então promissora intérprete de filmes divertidos como “Sexta-feira Muito Louca” e o remake de “Operação Cúpido” caiu nas armadilhas fáceis de uma estrela teen: multas de trânsito, porte de drogas e escândalos pessoais. Com tantos episódios garantindo material para a imprensa, a veterana Jane Fonda fica até ofuscada em seu retorno, sendo que dois são os anos que a afastam de “A Sogra”.

Rachel, por sinal, é a personagem que cai como uma luva para Lohan. Audaz e desequilibrada, ela é o pivô de todas as intrigas que conduzem a história. Azar da atriz, que fez deste longa e do suspense juvenil “Eu Sei Quem Me Matou” dois fracassos, talvez por sua reputação negativa diante da visão crítica do público.

Mudando o foco para o filme, menos previsível do que a decadência da atriz, Rachel (Lohan) é a filha problema de Lilly (Felicity Huffman, do fenomenal “Transamérica”), que, por sua vez, é alcoólatra e filha da rigorosa Georgia (Fonda), a poderosa do título em português e a dona das regras do nome original em inglês. Tentando entrar nos eixos, a mais jovem do trio feminino se arrisca a viver seu cotidiano com as regras impostas pela avó.

É assim que ela conhece Simon (Dermot Mulroney), veterinário viúvo que servirá tanto como um consolo paternal quanto como um paquera. Mas é com o comprometido Harlan (Garrett Hedlund, de “Quatro Irmãos”) com quem ela deseja flertar. Se não bastasse, ares mais duvidosos a respeito da conduta de Rachel são questionados quando ela acusa seu padrasto, Arnold (Cary Elwes, de “Jogos Mortais”), de ser o responsável por constantes abusos sexuais.

Dúvidas da plateia: será que Rachel está mentindo sobre tudo? Em vez de dar charme à narrativa, tais questões não se sobressaem e acabam prejudicando o laço feminino de gerações diferentes que, até então, garantiam personalidade ao trabalho do diretor Garry Marshall. Pena que o cineasta experiente não nos entrega personagens interessantes. São apenas pessoas pelas quais só retribuímos com desprezo. No saldo final, é a embriagada Lilly que triunfa ao impasse, pois somente de porre para tolerar esse trilho rondado por segredos e mentiras.

★★
Georgia Rule
Direção de Garry Marshall
Assistido nos cinemas (Grupo PlayArte)
Texto originalmente publicado em 13/10/2007

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