Ashley Judd é uma daquelas atrizes que parecem ter encontrado sua voz no momento exato da maturidade. É curioso como o olhar dela mudou desde as pequenas participações em séries até este primeiro longa dirigido por Joey Lauren Adams.

Próxima de completar quarenta anos de idade na época desta produção, Judd se livrou de grandes micos, pois por pouco não protagonizou fracassos como “Mulher-Gato” e “Instinto Selvagem 2”. Ela chegou ao ápice de sua carreira com uma indicação ao Globo de Ouro pelo desempenho em “De-Lovely, Vida e Amores de Cole Porter”.

Alguns deslizes cometidos no passado não a impediram de trabalhar com diretores celebrados como Carl Franklin, Philip Kaufman, Joel Schumacher e Michael Mann. Madura em suas escolhas, a atriz caminha com harmonia pela fase mais inspirada da carreira, algo comprovado em “Bug” e neste drama, “Encontros ao Acaso”.

É verdade que as virtudes de um filme não se limitam apenas à competência de seu elenco. No entanto, sem as qualidades que a atriz entrega em todos os instantes, visto que nenhum momento se desenvolve sem a sua presença, a relevância dramática não seria a mesma.

Joey Lauren Adams, também responsável pela história, foca a vida conturbada de Lucy Fowler (Ashley Judd). Lucy é uma mulher jovem e independente que vive com sua melhor amiga, Kim (Laura Prepon). Ela é uma competente funcionária de um estabelecimento que gerencia construções locais, mas enfrenta a dependência do álcool.

O problema parece não ser tão importante para ela, já que sua maior crise é a total falta de comprometimento em suas relações. Lucy dorme por uma noite com qualquer rapaz e, na manhã seguinte, não mantém qualquer contato.

Isso tende a mudar quando conhece o bem-intencionado Cal Percell (Jeffrey Donovan). Lucy acaba se apaixonando por ele depois de mais uma de suas constantes aventuras amorosas. Há de se destacar também o relacionamento nada harmônico com o seu próprio pai.

Para reverter a situação, ela começa a frequentar todos os domingos a mesma igreja em que ele comparece, com a intenção de uma reaproximação. Em instante algum, Lauren Adams direciona este quadro para resoluções chocantes ou excessivamente drásticas, o que resulta em um filme de condução leve e fácil assimilação.

Ao reunir com honestidade essas desavenças, embalado por uma confortável trilha sonora country de alta qualidade, “Encontros ao Acaso” não busca delinear meios para que tudo seja favorável à protagonista. O foco é mostrar qual caminho deve ser percorrido para encontrar a própria paz interior, o que nos rende um belo plano final.

Íntegro em sua alma feminina, as mulheres serão as que mais se identificarão com o drama. Contudo, o público masculino também encontrará qualidades o suficiente para que a obra seja uma pequena experiência reflexiva, cumprindo o princípio básico de um bom cinema.

★★★★
Come Early Morning
Direção de Joey Lauren Adams
Assistido em DVD (Imagem Filmes)
Texto originalmente publicado em 25/11/2007

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