Atualmente, o mundo anda em estado de choque com os desastres devastando a Terra como uma epidemia. Morte, violência, miséria e o comportamento da sociedade em relação a isso são lamentáveis. E os políticos, possíveis indivíduos que podem conduzir tudo para um rumo melhor, dão de ombros.

É natural que neste cenário o cinema esteja vinculando, de todas as maneiras, produções com tal cunho de modo implícito ou escancarado. Com toda a população exposta a um vírus alienígena, Oliver Hirschbiegel vai fundo com esta abordagem politizada.

Ele mostra que uma sociedade na qual o próximo tem as mesmas características é a solução do fim de conflitos mundiais. Esta é a quarta adaptação do conto de Jack Finney: as anteriores foram batizadas como “Vampiros de Almas” (1956), “Invasores de Corpos” (1978) e “Os Invasores de Corpos: A Invasão Continua” (1993).

O espectador fica indeciso, no entanto, se a intervenção de James McTeigue (com o apoio de Lilly e Lana Wachowski e do produtor Joel Silver) foi bem-vinda para reforçar a tese ou para deixar mais eletrizantes as sequências de corre-corre. Seja como for, o resultado de “Invasores” é lamentável de tão horrendo.

Como de praxe, “Invasores” segue a regra da ótica de uma cidadã comum em um universo à beira de um fim trágico. A câmera focaliza do início ao fim a psiquiatra Carol Bennell (Nicole Kidman). Ex-mulher de Tucker Kaufman (Jeremy Northam), ela parece estar interessada no seu melhor amigo Ben Driscoll (Daniel Craig).

Vivendo em um cotidiano somente abalado quando tem que ceder por um final de semana o seu filho Oliver (Jackson Bond) para Tucker, Carol fica mais inquieta quando Wendy Lenk (Veronica Cartwright), uma de suas fiéis pacientes, comunica que está abalada pelo comportamento suspeito do marido violento com quem convive e tolera diariamente.

Informa que teve o cão morto pelas próprias mãos e que ficou sereno repentinamente. A psiquiatra nota que está em perigo quando as pessoas ao seu redor apresentam as mesmas atitudes estranhas. Não demora para desvendar que tudo está ligado a um vírus espalhado após um ônibus espacial se chocar em um terreno rural. Para não ficar contaminada, basta seguir as regras: não dormir e não demonstrar emoções.

Marcando a primeira incursão de Oliver Hirschbiegel em terreno hollywoodiano, reconhecido mundo afora por seus trabalhos celebrados como “A Experiência” e “A Queda! As Últimas Horas de Hitler”, o cineasta alemão consegue com louvor mostrar sua protagonista em estado desesperador ao enfrentar o sono, mas não parece confortável no restante.

Erro de uma edição frenética, que destrói toda a sutileza de alguns momentos com cortes pouco precisos e a falta de conexão do entretenimento milionário de ficção científica com a parte pensante da obra.

Abre espaços para discussão de um grande impasse: Carol deveria contaminar-se com o vírus para viver em um mundo melhor e sem personalidade ou prosseguir tendo as mesmas emoções nesta realidade que desmorona cada vez mais? É uma pena que este mundo arquitetado no filme não tenha o mínimo de impacto do mundo real em que vivemos.

★★
The Invasion
Direção de Oliver Hirschbiegel
Assistido nos cinemas (Warner Bros)
Texto originalmente publicado em 11/11/2007

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