Já no primeiro instante da produção coreana “O Hospedeiro”, estamos cientes do modo como se formou o bagre gigante que apavora todos os personagens do filme. Trata-se de uma irregularidade vinda do território americano, no qual foram descartados pelo ralo produtos altamente tóxicos.

O conteúdo circula rios afora até se espalhar nas margens de Seul, capital da Coreia do Sul. Com o passar dos meses, o foco muda quando somos apresentados à família que nos conduzirá até o final. Hie-bong Park (Hie-bong Byeon) é um senhor que mora num minúsculo trailer com seu desleixado filho Gang-Du (Kang-ho Song), que tem uma pequena filha chamada Hyun-seo (Ah-sung Ko).

Há ainda mais dois membros da família que são irmãos de Gang-Du: Nam-Joo (Du-na Bae), esportista olímpica de arco e flecha, e Nam-il (Hae-il Park). Diretor do famoso filme baseado em fatos “Memórias de Um Assassino”, Bong Joon-Ho consegue entrelaçar com muito talento os diferentes temas que se propôs a contar.

Existe, primeiramente, uma habilidosa alfinetada ao império americano, como autor da desgraça que aflige a família Park e todas as pessoas que vivem ao seu redor. Há também humor quando nos envolvemos com o cotidiano dessa família peculiar, em que as trapalhadas de Gang-Du nos fazem dar boas gargalhadas.

Com tensão, sustos e política, “O Hospedeiro” para de engrenar repentinamente. No momento em que o mostrengo captura Hyun-seo, aprisionando-a num cativeiro repleto de outras pessoas, o filme perde as rédeas e se desenvolve, andando em círculos. É possível que muitos consigam encontrar genialidade na história, mas a indecisão de que ritmo seguir, se com descontração ou com mais seriedade, resulta num final um tanto frívolo.

★★
Gwoemul | The Host
Direção de Bong Joon-Ho
Assistido nos cinemas (Pandora Filmes)
Texto originalmente publicado em 16/09/2007

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