Snuff movies são produções polêmicas inauguradas no início da década de 1970. Em resumo, tratava-se de histórias em que seus personagens tinham os corpos dilacerados diante das câmeras como atração para o público.

Entretanto, diante de tais eventos que foram popularizados como “filmes que matam”, muito foi questionado sobre a brutalidade ser pura encenação ou realidade. Muitas investigações e protestos foram movidos, mas nunca se soube da existência de algum filme em que as mortes filmadas fossem verdadeiras.

Com menos força, os filmes desta carnificina continuaram sendo rodados. Os mais conhecidos são três exemplares filmados durante a década de 1990: “Morte ao Vivo”, do diretor Alejandro Amenábar, “O Bravo”, desastrosa estreia de Johnny Depp como diretor, e “8MM”, a abordagem mais popular do snuff orquestrada por Joel Schumacher.

A utilização deste tema em “Temos Vagas”, suspense modesto que chega ao nosso país diretamente em vídeo, é o que realmente provoca desconforto. A produção foi sujeitada a uma troca inesperada de protagonista, pois Sarah Jessica Parker desistiu de estrelar o filme, sendo substituída por Kate Beckinsale.

Depois de uma noite movida por discussões e um atalho indevido, um casal em crise por uma tragédia passada, David (Luke Wilson) e Amy (Kate Beckinsale), hospeda-se em um motel decadente após alguns problemas com o carro.

Gerenciado pelo estranho Mason (Frank Whaley), o casal não tarda a desvendar que ele é responsável pela venda de filmes snuff, cujas estrelas são os próprios hóspedes. E o que pode acontecer a ambos é visto em fitas com diversas pessoas sendo assassinadas cruelmente, exatamente no mesmo quarto em que se encontram.

Há outras pessoas envolvidas nestes crimes, como alguns garotos desconhecidos que armam os ataques. Nimród Antal, um diretor desconhecido, demonstra uma extrema habilidade em entregar tensão em um projeto de estruturas limitadas.

Ele faz a ação fluir agilmente e tira bom proveito do minúsculo cenário e elenco, além do nervoso tema de abertura conduzido por Paul Haslinger. Mas o filme perde energia quando os instantes finais se aproximam, muito pelo roteiro pouco inspirado do inexperiente Mark L. Smith.

O snuff é jogado para o segundo plano rapidamente, fazendo com que o relacionamento entre David e Amy seja mais vital do que todo o restante. Por isso o desfecho compromete o resultado. É nada audacioso, o contrário do que o tema deveria apresentar.

★★★
Vacancy
Direção de Nimród Antal
Assistido em DVD (Sony Pictures)
Texto originalmente publicado em 16/12/2007

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