Referência no cinema fantástico tanto na extensão do horror (a trilogia “Evil Dead”) quanto na adaptação de histórias em quadrinhos (“Darkman”, “Homem-Aranha”), Sam Raimi pareceu desapaixonado pelo ofício da direção ao perceber que o sucesso pode, muitas vezes, custar o exercício pleno de sua autoria.

Seus últimos longas-metragens, “Oz: Mágico e Poderoso” (2013) e “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” (2022), parecem filmes dirigidos por alguém perdido nas próprias intenções, embora exista na segunda aventura solo do Doutor Stephen Strange alguns ecos da sua genialidade tresloucada.

Embora seja um projeto sem o seu dedo no roteiro, é evidente que “Socorro!” é um filme em que temos um contato mais próximo com o Sam Raimi raiz. Este é um cineasta afeito ao exagero de imagens gráficas que causam repulsa e comicidade.

De certa forma, a obra até rediscute as dinâmicas nefastas das corporações, onde atingir o topo significa puxar o tapete de todo mundo. Isso sem mencionar os pactos, alguns com o diabo e outros com psicopatas, sendo este segundo exemplo o que melhor define a relação entre Rachel McAdams e Dylan O’Brien.

Braço contábil que há anos ambiciona uma posição de liderança, a Linda de Rachel McAdams é aquela mulher negligenciada pelos homens de seu ambiente de trabalho. Ela falha em persuadir o Bradley de Dylan O’Brien, um jovem CEO que ostenta tal posição apenas por uma questão de nepotismo.

No entanto, esse jogo será invertido quando ambos se transformam nos únicos sobreviventes da queda de um voo particular, enclausurados em uma ilha onde Linda determina as regras a partir de suas habilidades de sobrevivência.

Econômico em quase todos os aspectos (uma locação principal, dois atores na maior parte do tempo e um orçamento que equivale a um quinto de um “Homem-Aranha 3”), Sam Raimi sabe aproveitar as oportunidades para exercer o escracho.

Isso fica claro sobretudo em tomadas em que há sangue ou vômito envolvidos. Além do mais, o diretor, aos 66 anos, também merece créditos ao não se acovardar na indecência de sua fábula.

Especialmente quando ela contamina um resultado final que certamente desagradará uma parcela significativa dos espectadores, mais afeitos a zonas de conforto morais.

★★★
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Direção de Sam Raimi
Em cartaz nos cinemas (Disney)

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