Quando lançado, “Saltburn”, de Emerald Fennell, pegou muitos espectadores desavisados quanto ao seu teor sexual, sobretudo na encenação sem restrições dos desejos do protagonista vivido por Barry Keoghan pelo rapaz privilegiado encarnado por Jacob Elordi, de quem almeja tanto a vida rica quanto o corpo de 1,96 m.
Embora o filme não tenha sido um consenso de público, é notável que Jacob Elordi tenha se transformado em alvo de cobiça de todos os lados. De Hollywood, clamando por novos astros para estampar os seus pôsteres, até a própria Emerald Fennell, que ignorou as características étnicas de Heathcliff para tê-lo em seu “O Morro dos Ventos Uivantes” – as aspas também acompanham as citações do filme em peças publicitárias, ilustrando as intenções da realizadora em fazer algo que seja muito mais a sua visão sobre um romance literário do que necessariamente uma adaptação do texto.
Estamos entre o fim do século 18 e o início do século 19. O contexto de Cathy é o de pobreza rural, onde nada mais resta do que os trabalhos domésticos e fantasias com homens ricos que a tirem desse cenário.
Para além disso, Emerald Fennell entende um contexto histórico tedioso, no qual não há nada para fazer além de ler livros longos e usar belos vestidos enquanto se está presa em casa. Uma oportunidade para ela revirar do avesso o romance de “O Morro dos Ventos Uivantes”.
Se na literatura Heathcliff e Cathy sequer se beijam, aqui eles se ocupam com fetiches bastante contemporâneos, que vão de testemunhar um casal amigo transando com ornamentos de cavalos até muitos dedos na boca.
Heathcliff vai além. Ou melhor, Emerald Fennell e o uso que faz de Jacob Elordi como uma marionete sexual. Até papel de dominador ele exerce contra a cunhada de Cathy (Alison Oliver) com o propósito de lhe causar ciúmes.
O resultado, no entanto, está muito longe da excitação que promete. Afinal, é um filme para as massas, com todas aquelas castrações dignas de um “Cinquenta Tons de Cinza” e que no processo parece muito indefinido quanto às suas estéticas visuais e sonoras.
A obra transita da fotografia de Linus Sandgren, que parece almejar o vermelho do Ingmar Bergman de “Gritos e Sussurros”, até as canções de Charli XCX, sem muitos efeitos práticos nos anacronismos propostos.
★★
Wuthering Heights
Direção de Emerald Fennell
Em cartaz nos cinemas (Warner Bros)

Deixe um comentário