Resenha Crítica | O Primata (2025)

O Primata

Embora seja sentida no terror contemporâneo a ausência de alguns de seus mestres, seja pela aposentadoria do ofício (John Carpenter) ou pela atividade reduzida devido a impasses criativos (Dario Argento), há como boa notícia uma geração toda criada nos anos 1980 e que hoje é inspirada por esse período especial para o gênero.

Britânico nascido em 1976, Johannes Roberts passou uma década se desenvolvendo como cineasta com uma série de produções de micro-orçamento feitas diretamente para o mercado de vídeo. Entre elas está “Floresta dos Condenados”, protagonizado por Tom Savini e lançado em DVD no Brasil.

Sua grande chance de tornar o seu nome reconhecível para os fãs do gênero chegou com “Medo Profundo”, produzido por pouco mais de 5 milhões de dólares e que multiplicou por mais de dez vezes esse número nas bilheterias mundiais. Ele também dirigiu a sua sequência, “Medo Profundo: O Segundo Ataque”, outro êxito comercial.

No entanto, foi em “Os Estranhos: Caçada Noturna” e, agora, em “O Primata” que nos deparamos com um diretor mais fluente em relação ao entendimento desse terror reconhecidamente nostálgico, trazendo para o presente a gramática executada no passado.

A partir de uma premissa baseada no ataque de raiva de um chimpanzé de estimação chamado Ben em uma casa habitada por jovens que jamais estiveram em situações de risco, Johannes Roberts contorna os limites com bastante criatividade. Ao mesmo tempo, proporciona um entretenimento que jamais trai o espectador em sua promessa de slasher, aqui com um animal correspondendo aos seus instintos mais primitivos como o grande vilão.

Ao contrário de “Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City”, onde se amparou em um trabalho digital esteticamente tosco, o diretor faz uso de um orçamento equivalente para bancar a escolha de efeitos práticos. Ele escalou o ator Miguel Torres Umba para interpretar Ben, amparado por um figurino de chimpanzé cuja máscara foi desenvolvida com a tecnologia de animatrônicos, em que as expressões faciais são operadas por controles remotos.

O resultado dessa escolha é primoroso, estabelecendo a princípio uma criatura humanizada que logo sucumbe à selvageria por uma infelicidade de coincidências. Não bastando, Roberts ainda revive experiências de “Medo Profundo” ao confinar seu elenco em uma piscina (quando contaminados pelo vírus da raiva, determinados animais desenvolvem hidrofobia, o medo de água), embalando a tensão com a trilha de sintetizadores assinada por Adrian Johnston.

Vindo no famoso mês do despejo, como é reconhecido nos Estados Unidos o calendário de janeiro por sua ressaca de filmes que buscam o Oscar e o lançamento de títulos com potencial indefinido, “O Primata” se sobressai diante desse destino. O filme se posiciona como um entretenimento honesto, entregando exatamente aquilo, e um pouco mais, que as expectativas geraram ao seu redor.

★★★
Primate
Direção de Johannes Roberts
Em cartaz nos cinemas (Paramount Pictures)

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