Resenha Crítica | O Frio da Morte (2025)

O Frio da Morte

Embora seja igualada a Meryl Streep em relação à carreira construída e à grandeza que hoje sustenta como uma atriz veterana, Emma Thompson ainda assim pode ser considerada superior à colega americana, ou mesmo subestimada em termos de um reconhecimento distante daquele que experimentou intensamente nos anos 1990. Naquela década, ela venceu, em 1993, o Oscar de Melhor Atriz por “Retorno a Howards End” e, em 1996, o de Melhor Roteiro Adaptado por “Razão e Sensibilidade” – após esse filme de Ang Lee, ela jamais voltou como finalista na maior premiação do cinema mundial.

Emma Thompson não precisava protagonizar um nu frontal em “Boa Sorte, Leo Grande”, de 2022. Assim como também não era necessário se sujeitar à gélida locação central na Finlândia do novo “O Frio da Morte”, suspense que ganha chance no circuito exibidor brasileiro após um lançamento atrapalhado em outros mercados, sobretudo o americano.

Ainda assim, está aqui a atriz britânica de 66 anos ainda disposta a se desafiar. Em “O Frio da Morte”, ela dá vida a Barb, uma recém-viúva que busca um lago congelado em Minnesota para pescar e que, no caminho, acaba esbarrando na cena de um crime ainda em curso. Ao pedir orientações para chegar a esse destino específico, Barb identifica um rastro de sangue na propriedade de um desconhecido interpretado por Marc Menchaca. Mais adiante, ela testemunha uma jovem (Laurel Marsden) tentando fugir, além da existência de uma mulher (Judy Greer), que é esposa desse homem e vive com pirulitos de fentanil na boca.

Como um bom thriller, o roteiro escrito pelos estreantes Dalton Leeb e Nicholas Jacobson-Larson elucida paulatinamente as motivações de seus personagens. Por outro lado, embora a direção pertença a um veterano de projetos televisivos renomados (como “Guerra dos Tronos”, “O Dia do Chacal” e “Dexter”), falta pulso na condução de Brian Kirk. O diretor não encena bem a falta de inteligência dos personagens benevolentes na luta pela sobrevivência e empaca o fluxo narrativo pelo modo como gerencia flashbacks que explicam melhor quem é Barb fora dessa situação que se meteu.

É um filme que implora por um diretor que entenda melhor do riscado do suspense, mas que ao menos demonstra virtudes em outros departamentos. Além do uso das belas paisagens mortas fotografadas por Christopher Ross e da música sempre evocativa de Volker Bertelmann (vencedor do Oscar por “Nada de Novo no Front”), Brian Kirk é um diretor que sabe depositar confiança em seu elenco.

Portanto, temos aqui mais um caso em que prestigiar Emma Thompson já basta para aproveitar o programa, bem como a sua generosidade ao dar para Judy Greer, talvez a atriz mais subestimada de Hollywood, a oportunidade de espaço para que desenvolva a arquirrival perfeita.

★★★
Dead of Winter
Direção de Brian Kirk
Em cartaz nos cinemas (Paris Filmes)

Deixe um comentário