Resenha Crítica | Pânico 7 (2026)

Pânico 7

A Paramount Pictures cometeu uma tremenda bola fora ao dispensar Melissa Barrera de qualquer compromisso futuro com a franquia “Pânico” quando a então nova jovem protagonista foi uma das primeiras em Hollywood a se manifestar abertamente sobre o genocídio em Gaza.

Antes dela, a própria Neve Campbell havia se desentendido com o estúdio, com a sua ausência em “Pânico 6” sendo uma consequência direta de seu descontentamento com o salário oferecido para reprisar Sidney Prescott em uma história em que sua participação seria a mais breve já registrada em agora três décadas de “Pânico”.

Embora “Pânico 7” chegue agora aos cinemas temendo mais do que nunca a opinião pública, os danos são relativamente reduzidos por uma decisão que já deveria ter sido tomada em “Pânico 5”, sendo a de relegar a Kevin Williamson a continuidade dessa cinessérie a partir do falecimento de Wes Craven em 2015.

A parceria entre Kevin Williamson e Wes Craven foi responsável por nada mais, nada menos que retirar todo o gênero terror da UTI, gerando nos anos seguintes uma série de wannabes que formaram o teen horror, uma tendência enfraquecida na virada do século e substituída pela tendência das refilmagens iniciada com o sucesso de “O Chamado”.

Até então, Kevin Williamson só tinha dirigido um único longa-metragem em toda a sua carreira até aqui, o subestimado “Tentação Fatal”. Porém, como criador de “Pânico” e de projetos televisivos de sucesso como “Dawson’s Creek”, “Diários de Um Vampiro” e “The Following”, ele compreende muito bem o riscado do suspense e o tipo de entretenimento que uma audiência mais jovem deseja consumir.

Ainda que exista em “Pânico 7” muitas passagens brincando de metalinguagem e fazendo comentários sobre a Inteligência Artificial como uma realidade incontornável de nossos tempos, o diretor e corroteirista está mais interessado em dar protagonismo para a humanidade que cerca uma mulher fictícia alçada à posição de “rainha do grito”.

Talvez pela primeira vez no gênero, temos uma reflexão aberta sobre como elas existem como uma prova de resiliência, sendo destinadas a reprisar traumas porque o público precisa que uma figura central sobreviva a um massacre assim como Sísifo foi relegado ao castigo eterno de rolar uma grande pedra montanha acima. Atrás de um grande vilão do terror como Michael Myers, Freddy Krueger e Ghostface, temos uma grande mulher sobrevivente como Laurie Strode, Nancy Thompson e Sidney Prescott.

Essa autoconsciência revigora a cinessérie, mas há um revés um tanto grave aqui. Como em nenhum episódio prévio, nunca se viu um novo núcleo coadjuvante tão insípido quanto aqui, o que prejudica tanto o nosso comprometimento com figuras que morrem sem nos causar qualquer cumplicidade quanto aqueles que serão revelados como os agentes homicidas por trás do figurino do Ghostface. Faltou uma escrita mais inspirada e uma direção de casting dedicada a encontrar jovens atores realmente marcantes.

★★★
Scream 7
Direção de Kevin Williamson
Em cartaz nos cinemas (Paramount Pictures)

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