Resenha Crítica | Paranoia (2007)

Paranoia

Ainda que eficientes no dever de chocar o seu público, muitos longas do cineasta Alfred Hitchcock eram apedrejados, na época de seu lançamento, pela extrema coragem do cineasta, o que, a sua maneira, quebrava certos padrões daquela geração.

Ainda que não tenha sido o único a se consagrar como mestre do suspense (entretanto, o maior já existente), não tardou para Hitchcock se tornar referência neste gênero de cinema. Não faltam modos para comprovar a afirmação: os filmes do mestre já foram sujeitos a refilmagens, como “Um Crime Perfeito” e “Psicose”.

Além disso, serviram como referências sutis, a exemplo das câmeras de Paul Verhoeven em “Instinto Selvagem” e até mesmo em “O Chamado”. Houve outros cineastas totalmente influenciados pelo talento de Hitchcock em suas produções, mas poucos foram capazes de fazê-lo com carinho, astúcia, elegância e originalidade.

Salva-se Robert Zemeckis e seu “Revelação” e, inegavelmente, o grande Brian De Palma, outro cineasta que se firmou como mestre, proporcionando os melhores filmes das décadas de 1970 e 1980.

D. J. Caruso, cujo único filme digno de nota é “A Sombra de Um Homem”, não tem talento para encenar um argumento similar ao clássico “Janela Indiscreta” e muito menos uma paixão avassaladora pelo cinema para ousar trabalhar num projeto que pretende ser um filme de referências hitchcockianas para as novas gerações.

Tudo piora quando, na verdade, trata-se de uma história protagonizada por um adolescente. Kale (Shia LaBeouf) é um rapaz que perde o seu pai em um terrível (e mal feito) acidente automobilístico. Um comentário soltado pelo seu professor em relação a essa perda o faz sair do controle, resultando numa temporária prisão domiciliar.

O restante, ainda que tenha sua graça, remete aos momentos juvenis de algumas atrações globais. Entre eles, o interesse pela vizinha que acaba de se mudar, Ashley (repare nas semelhanças, mas não as artísticas, de Sarah Roemer com Cate Blanchett), e a presença de Ronnie (Aaron Yoo), o amigo canalha de Kale.

Há também um psicopata composto pelo vilão de sempre David Morse, como o Sr. Turner, suspeito pelo desaparecimento de diversas mulheres pelas redondezas. Sem conseguir pregar sustos engenhosos e muito menos reviver a atmosfera envolvente de “Janela Indiscreta”, D. J. Caruso só obtém desprezo daqueles que aguardavam por uma homenagem inventiva ao mestre do suspense.

★★
Disturbia
Direção de D.J. Caruso
Assistido nos cinemas (Universal Pictures)
Texto originalmente publicado em 21/01/2008

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