Atores que usam sua influência para levantar recursos e para comandar os seus próprios projetos como diretores têm sido um fenômeno cada vez mais comum em Hollywood.
Nomes como Scarlett Johansson (“A Grande Eleanor”), Harris Dickinson (“Urchin”), Kristen Stewart (“A Cronologia da Água”), Michael B. Jordan (“Creed III”), Jesse Eisenberg (“A Verdadeira Dor”), Kate Winslet (“Adeus, June”) e James McAvoy (“Califórnia à Vista”) são os principais a se aventurarem assumindo a autoridade máxima por trás das câmeras.
Embora possa parecer natural nessa indústria se desenvolver outras ambições artísticas, os resultados apresentados por esses projetos se dividem entre aqueles que realmente apresentam uma visão particular a ser celebrada ou um mero exercício de vaidade que não costuma ir além do debute.
Se de um lado não temos qualquer dúvida quanto ao talento da americana Maggie Gyllenhaal como atriz, por outro está em suspenso qualquer consenso positivo a respeito de suas articulações como cineasta.
Qualquer potencial testemunhado em sua estreia na função há cinco anos com “A Filha Perdida” (adaptação do romance homônimo de Elena Ferrante) cai por terra agora em “A Noiva!”, sua reimaginação com colocações contemporâneas para os filmes de James Whale, sobretudo “A Noiva de Frankenstein”.
Com alguns meses de vantagem, Guillermo del Toro entregou para o mundo uma nova adaptação de “Frankenstein” com todo aquele ar de visão definitiva diante do livro de Mary Shelley.
Talvez Maggie e Guillermo tenham dialogado sobre as suas versões, pois “A Noiva!” engata a última marcha logo de cara ao construir um monstro ainda obstinado em uma companhia para passar a sua eternidade.
No entanto, se o Frankenstein de Christian Bale é desses que só precisa de um corpo feminino aleatório para depositar o seu amor incondicional, a Noiva de Jessie Buckley renasce em seus próprios termos, recusando-se a servir de mero objeto em que qualquer homem possa violar.
Com esse ponto de partida, é melhor dizer adeus a qualquer oportunidade de reviver para os nossos tempos o terror gótico da Universal de quase um século atrás.
Na realidade, as ambições estéticas de Maggie Gyllenhaal estão bem difusas aqui, pois o seu “A Noiva!” é um filme feio que dá olhos de “The Rocky Horror Picture Show” para Frankenstein enquanto a Noiva reconhece o seu entorno com as lentes de um “Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas”.
Além disso, nem as implicações morais Maggie Gyllenhaal parece defender com muita certeza. Observe, por exemplo, como Dr. Euphronius (Annette Bening) some no miolo da história justamente quando esse discurso sobre a violação de um corpo poderia regurgitar. A direção prefere, ao invés disso, estabelecer um contexto de máfia narrativamente desastroso.
É um filme incapaz de fazer uma leitura compreensível de sua ficção e menos ainda da plateia restrita que estará interessada em assisti-lo.
★
The Bride!
Direção de Maggie Gyllenhaal
Em cartaz nos cinemas (Warner Bros)

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