Não há dúvidas de que a cineasta americana Catherine Hardwicke compreende bem o universo juvenil. Isto é evidente desde sua estreia com “Aos Treze”, forte contribuição ao cinema independente em 2003.
Já sua obra seguinte, o pouco visto “Os Reis de Dogtown”, focava um pequeno grupo de amigos skatistas que passam a perder o controle de suas próprias vidas ao lidar com a fama.
Hardwicke parece ter tentado se reinventar com “Jesus – A História do Nascimento”, mas com “Crepúsculo” mostra que deve prosseguir contando histórias voltadas ao público jovem.
Os livros da escritora Stephenie Meyer se tornaram famosos mundialmente assim que sua adaptação cinematográfica foi exibida para o mercado americano, criando uma legião de fãs que cresce até hoje.
O custo modesto de trinta e sete milhões de dólares não permitiu a criação de um romance com cenas de ação concebidas de maneira muito convincente.
No entanto, há caprichos em outras áreas como a fotografia, que ressalta o clima gélido de Forks, e até mesmo na estilosa sequência de créditos dando destaque para a vampira má Victoria, incorporada pela bela Rachelle Lefevre.
Distribuidora novata, a Summit Entertainment infelizmente se deixou corromper pelo fenômeno que se tornou a história da humana Bella Swan (Kristen Stewart) que se apaixona pelo vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson).
A empresa demitiu Catherine Hardwicke e a substituiu rapidamente por Chris Weitz que, após o fiasco de “A Bússola de Ouro”, apenas realizou um filme sob medida para saciar o fanatismo cego de milhares de adolescentes.
O foco foi uma característica que talvez nem fosse a mais forte desenvolvida por Hardwicke no filme original: o triângulo amoroso que se estabelece entre Bella, Edward e o lobisomem Jacob Black (Taylor Lautner).
Mesmo com este fraco segundo episódio que quase desmorona uma franquia que mal havia nascido, grande parte dos problemas foram reparados por David Slade em “A Saga Crepúsculo: Eclipse”, produção que analisaremos na próxima atualização.
★★★
Twilight
Direção de Catherine Hardwicke
Revisto nos cinemas (Paris Filmes)
Texto originalmente publicado em 14/07/2010

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