A Esposa

Resenha Crítica | A Esposa (2017)

The Wife, de Björn Runge

A americana Glenn Close, que completará 72 anos de vida no dia 19 de março, é hoje a atriz que detém o recorde de indicações ao Oscar, somadas nas categorias de protagonista e coadjuvante, sem nenhuma vitória. A sétima é marcada pela sua interpretação em “A Esposa˜. É a favorita nesta edição do Oscar, cuja cerimônia acontece no dia 24 de fevereiro. Antes tarde do que nunca, pois Glenn sem uma estatueta dourada é um crime que há muito já deveria ser reparado.

O melhor de tudo é que essa consagração não é acompanhada por uma interpretação pertencente a um filme no máximo razoável, causando o sentimento de mero prêmio de consolação. Mesmo levando 14 anos para ser viabilizado, “A Esposa” segue atual em sua abordagem sobre mulheres em circunstâncias que as forçaram a desempenhar o papel de sombra de seus maridos e que encontram um limite tolerável para finalmente dar um basta na situação. Glenn reproduz o enclausuramento de sua personagem com gestos sutis que comunicam tudo, em parte por mérito da direção do sueco Björn Runge, então um nome pouco conhecido pelos cinéfilos que logo trabalhará em seu segundo longa-metragem falado em inglês.

Assista o meu comentário na íntegra sobre “A Esposa” no vídeo a seguir:

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O Peso do Passado

Resenha Crítica | O Peso do Passado (2018)

Destroyer, de Karyn Kusama

Com 52 anos que serão completados em junho deste ano, Nicole Kidman segue como uma das mais respeitadas e belas atrizes em atividade no cinema. Essas e outras credenciais não a impedem de sempre sair de uma zona de conforto, submetendo a si mesma para encarar papéis desafiadores em que é transformada radicalmente.

Brincadeiras à parte com o uso variado de perucas, Nicole compreende a necessidade de um intérprete de deixar o glamour de lado para que o seu corpo seja um instrumento temporário para abrigar um papel. Como Erin Bell, a protagonista de “O Peso do Passado”, a atriz passa por uma mudança de aparência talvez ainda mais radical do que aquelas experimentadas em projetos como “As Horas” (pelo qual venceu o Oscar) e “Top of the Lake: China Girl”, no qual tem um papel secundário.

É a melhor coisa ofertada no novo filme de Karyn Kusama. Ainda que seja acima da média, o modo como as resoluções são pregadas em sua trama de mistério enfraquece as razões pelas quais a sua protagonista alcançou um estado degradante, que age quase como uma abutre que não sabe mais o que fazer da vida até que um crime a reconecta com o seu passado nebuloso.

“O Peso do Passado” ganha comentário na íntegra feito com exclusividade para o canal do Cine Resenhas no YouTube. Assista-o a seguir e não se esqueça de se inscrever para ter acesso às futuras atualizações.

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Intimidade Entre Estranhos

Resenha Crítica | Intimidade Entre Estranhos (2018)

Intimidade Entre Estranhos, de José Alvarenga Jr.

.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

José Alvarenga Jr. havia sinalizado com “Divã“, uma adaptação honesta do texto da cronista Martha Medeiros, um desejo de inclinação por um material diferente das comédias com as quais fez a sua carreira. Não deu muito certo quando finalmente saiu de sua zona de conforto com o drama “10 Segundos para Vencer“, recentemente exibido nos cinemas.
 
Melhor sorte tem com ˜Intimidade Entre Estranhos”, que rodou sem qualquer alarde no ano passado e que pretende lançar comercialmente em dezembro deste ano. Também não poderia ser diferente dentro da dinâmica de projeto independente em que desejou se lançar, trazendo rostos pouco populares diante do grande público em papéis centrais.
 
Encarnando com muita propriedade a sua primeira protagonista no cinema, Rafaela Mandelli interpreta Maria, que parte para o Rio de Janeiro para passar mais tempo ao lado de seu marido Pedro (Milhem Cortaz), um quarentão que segue insistindo na carreira de ator atualmente no elenco de uma produção religiosa – há uma pegadinha, pois o onipresente Cortaz está em “A Terra Prometida”, da Record.
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Entrevista com o diretor José Alvarenga Jr. e os atores Rafaela Mandelli e Gabriel Contente sobre “Intimidade Entre Estranhos”:

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Deixada de segundo plano, Maria acaba aplacando o tédio buscando amizade com Horácio (o estreante no cinema Gabriel Contente). Se a princípio não se bicava com o adolescente, que vem a ser o único vizinho e também proprietário do edifício que habita, ela acaba encontrando sintonia com alguém que compartilha dores íntimas compatíveis com aquelas que ainda não superou, como o sentimento de que não é correspondida à altura no relacionamento e a perda precoce de seu pai.
 
Sem as pressões de atender ao formato convencional de uma cinebiografia como “10 Segundos para Vencer”, Alvarenga Jr. encontra aqui maior tranquilidade para dar a sua identidade ao texto da autoria de Matheus Souza, de “Ana e Vitória. Mesmo exagerando um pouquinho na metragem (o filme quase encosta nas duas horas), o seu “Intimidade Entre Estranhos” avalia os choques de gerações entre os protagonistas sem afetações e com uma densidade que nunca resvala para o melodrama.
A Favorita

Resenha Crítica | A Favorita (2018)

The Favourite, de Yorgos Lanthimos

.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Ao contrário de muitos colegas que despontaram a partir de obras de forte impacto em seus respectivos países, Yorgos Lanthimos encontrou na língua inglesa não um impedimento para expressar com limites as suas provocações, mas sim uma possibilidade de conquistar maior alcance. “O Lagosta” e “O Sacrifício do Cervo Sagrado” resultaram ainda mais notáveis que “Dente Canino” e “Alpes”.
 
Desinformados podem embarcar em seu novo “A Favorita” aguardando por algo convencional na cobertura dos bastidores palaciais durante o reinado da Ana da Grã-Bretanha (Olivia Colman) no início do século XVIII. As consequências do seu envolvimento com a Guerra da Sucessão Espanhola, como os atritos com a França, são devidamente apropriados, mas com uma abordagem inusitada.
 
A começar pelas opções estéticas defendidas por Lanthimos e o seu diretor de fotografia Robbie Ryan, o braço direito de Andrea Arnold (“Docinho da América”, “O Morro dos Ventos Uivantes“). Closes em grande angular e planos dos ambientes com olho de peixe criam uma distorção que nunca se viu em uma produção de época, esta sempre conduzida com um rigor específico.
 
Se à época Luís XIV contraíra uma gangrena que o levou à morte em 1715, Ana foi acometida por uma gota que a deixou tremendamente vulnerável. Por isso mesmo, é fácil se concentrar na ficção em um contexto mais íntimo, no qual Lady Sarah (Rachel Weisz) exerce como amiga grande influência nas escolhas da rainha.
 
Isso até se aproximar Abigail (Emma Stone), prima distante e esquecida de Sarah aprovada para atuar como uma mera serviçal. A jovem ambiciosa logo arma um jogo de aparências para ocupar a posição de Sarah e assim ascender socialmente.
 
Embora nada convencional e divertido na medida do possível, “A Favorita” perde com a ausência do nome de Yorgos Lanthimos nos créditos do roteiro assinado por Deborah Davi e Tony McNamara. Fica a sensação de que a interferência do grego no texto, que é cheio de um coloquialismo quase anacrônico, elevaria o filme em seu sarcasmo.
Halloween 2018

Resenha Crítica | Halloween (2018)

Após o prólogo de “Halloween: Ressurreição”, era esperado que jamais voltaríamos a ver Jamie Lee Curtis reprisando o papel de Laurie Strode, personagem pelo qual deve a sua carreira. Pois após o fiasco do oitavo episódio da franquia e a refilmagem de Rob Zombie acompanhada por uma sequência, David Gordon Green e Danny McBride (mais conhecido pelos seus papéis cômicos) tiveram a ideia de fazer um novo filme comemorando os 40 anos do original.

A pretensão foi a de desconsiderar toda a franquia “Halloween”, elaborando um “universo paralelo” em que todos os eventos estão diretamente ligados somente ao filme de 1978 realizado por John Carpenter, que aqui volta como compositor e produtor executivo. David Gordon Green acha que está fazendo algo que os fãs aguardam por quatro décadas, mas não é bem assim.

O “Halloween” 2018 é competente, muitas vezes aterrador e encena em seu terceiro ato um embate memorável. Mas é também um filme desprovido de ousadias, uma vez que não acrescenta quase nada de novo a esse reencontro entre Laurie e o vilão mascarado Michael Myers. Você pode saber mais a respeito assistindo ao vídeo comentário a seguir.

 

Selvagem

Resenha Crítica | Selvagem (2018)

Sauvage, de Camille Vidal-Naquet

.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Interpretado pelo extraordinário Félix Maritaud, o protagonista de “Selvagem”, Léo, é daqueles que os contadores de história adoram inventar. Sem qualquer informação sobre o seu passado, o espectador assim deve empregar um esforço redobrado para estabelecer e compreender a identidade de um jovem homem que se esvazia emocionalmente pelas constantes pauladas que a vida lhe dá.
 
Sem vínculos, Léo tem 22 anos e sobrevive como garoto de programa. De jeans e regata, fica em beira de estrada aguardando a abordagem de clientes que passam com os seus carros. Quando o dia acaba, improvisa uma cama em algum parque ou mesmo na calçada, geralmente após se drogar.
 
No ponto em que atende, nota a presença de uma figura nova, Ahd (Eric Bernard), a quem imediatamente se apresenta e se apaixona. É daqueles amores impossíveis, pois Ahd sequer se reconhece como um homossexual e se prostitui apenas como medida provisória até surgir algo ou alguém que lhe assegure estabilidade financeira.
 
A insistência de Léo em ter Ahd como um parceiro se intensifica conforme a rejeição vai se tornando agressiva. Tudo é especialmente doloroso para ele, pois sofre de uma falta de afetividade que o apodrece. Um homem que gostaríamos de abraçar para consolá-lo, mas com quase nenhum personagem em cena para cumprir com esse desejo.
 
Esse debute potente do realizador Camille Vidal-Naquet, que no Festival de Cannes assegurou para Félix Maritaud o prêmio de ator estreante na Semana da Crítica, é explicito na exposição do que há de mais cruel na idealização de um amor e na prática sexual ditada por um desejo de poder. Léo é uma vítima constante das duas situações e contrariar as nossas expectativas e se recolher a uma condição de ser selvagem ao fim causa um efeito demolidor.
Com a Palavra, Arnaldo Antunes

Resenha Crítica | Com a Palavra, Arnaldo Antunes (2018)

Com a Palavra, Arnaldo Antunes, de Marcelo Machado

.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Hoje com 58 anos, Arnaldo Antunes é um artista que acumula êxitos além do campo musical, pelo qual se notabilizou no início dos anos 1980 como integrante do “Titãs”. Além do lançamento de seis álbuns com o grupo e mais de uma dezena em carreira solo, o paulistano é também escritor, artista visual e performer.
 
É uma figura que ainda tem muito chão pela frente para exercer plenamente a sua arte, mas Marcelo Machado decidiu que este é um momento perfeito para prestar tributo com o documentário “Com a Palavra, Arnaldo Antunes”. Isolado em uma propriedade no meio do nada, é Arnaldo quem fala sobre si mesmo a partir de um roteiro que traça uma linha do tempo completa sem a presença de qualquer outro depoente.
 
A escolha, como sempre, torna óbvios os prós e contras da realização. Como aspectos positivos, temos um biografado muito aberto sobre a sua própria vida artística, revendo e comentando o seu arquivo pessoal. Trata inclusive com muita honestidade sobre o fracasso de “Nome”, um projeto multimídia pioneiro com o lançamento em pacote composto por vinil, CD, livro e VHS.
 
Por outro lado, falta o elemento de fora para compartilhar as vivências de Arnaldo Antunes, que aproximem do público o homem junto com o artista. Marcelo Machado está aqui mais no papel de amigo do que de diretor, não se interessando em abordar qualquer aspecto que não seja o de uma trajetória já conhecida por fãs de cor e salteado.
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+ Entrevista com Marcelo Machado, diretor do documentário “Com a Palavra, Arnaldo Antunes”

A Guerra de Anna

Resenha Crítica | A Guerra de Anna (2018)

Voyna Anny, de Aleksey Fedorchenko

.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Com todo o volume de dramas centradas em eventos transcorridos na Segunda Guerra Mundial, sejam eles reais ou ficcionais, muitos cineastas têm buscado desenvolver histórias que priorizam muito mais uma perspectiva individual do que coletiva. O vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro “Filho de Saul” arrebatou o público com a encenação claustrofóbica da condição dos judeus em campos de concentração. “A Guerra de Anna” provoca um efeito ainda mais desolador.
 
O diretor russo Aleksey Fedorchenko é conhecido pelos brasileiros por “Almas Silenciosas”, produção de 2010 que chegou ao país com três anos de atraso. O seu “A Guerra de Anna” também merecia vida fora do circuito de festivais, pois é como se fizesse uma versão ainda mais cruel de “O Diário de Anne Frank”.
 
Quase sem diálogos, acompanhamos o isolamento da pequena Anna (a estreante Marta Kozlova, uma atriz simplesmente admirável) em um escritório de um comandante do Terceiro Reich. Foi a única sobrevivente de um extermínio em massa, erguendo-se envolta a um sem número de cadáveres e folhas secas em um prólogo belo e trágico.
 
Sem ninguém para ser cuidada, Anna é enviada justamente para um local estratégico do inimigo, encontrando em uma chaminé desativada da sala central um refúgio. Enquanto o ambiente é habitado por soldados e secretárias, ela se recolhe e espia o que acontece por um buraco do espelho que a protege. Quando todos partem, faz uma ronda em busca de alimentos para sobreviver, contentando-se com os restos esquecidos e a água parada em recipientes para plantas e pinceis.
 
É desesperador e os fades que invadem a tela a todo o instante somente prolongam a situação em que Anna está enclausurada, como se lutasse para sobreviver em uma guerra que parece nunca chegar ao fim. O tratamento direto para a história não autoriza maniqueísmos, o que só contribui para a nossa imersão. O choro de Anna, num único momento em que ela se percebe como uma criança frágil e inconsolável, é o momento mais doloroso que se testemunhará em um registro implacável em sua consciência dos horrores provocados por um dos episódios mais hediondos da história da humanidade.
Seguir em Frente

Resenha Crítica | Seguir em Frente (2018)

Continuer, de Joachim Lafosse

.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

Exceto em “Os Cavaleiros Brancos”, a família é um tema recorrente na filmografia do cineasta belga de 43 anos Joachim Lafosse. No drama “Seguir em Frente”, encontra uma nova possibilidade de rever laços de sangue a partir do acesso ao romance “Continuer”, de Laurent Mauvignier.
 
Mãe e filho, Sybille (Virginie Efira, de “Elle“) e Samuel (Kacey Mottet Klein, de “Quando Se Tem 17 Anos”) sustentam há tempos um relacionamento conflituoso. Adolescente rebelde, Samuel é daqueles que encontram dificuldade inclusive de se socializar no ambiente escolar. Sybille assim vê como solução o isolamento com ele como medida para colocar as coisas em perspectiva.
 
Rumam para uma viagem ao Quirguistão, fazendo todo o trajeto a cavalo e sem qualquer conforto ou sinais para o celular de Samuel, que terá de se contentar somente com a playlist de seu iPod. Será um percurso também cheio de riscos, como deixa claro uma família que se despede dos dois deixando uma arma para se defenderem dos moradores locais mal intencionados.
 
Com paisagens belamente captadas por Jean-François Hensgens, o seu diretor de fotografia recorrente, Lafosse causa envolvimento imediato com os seus protagonistas. Uma pena que a narrativa seja simplista, sobretudo em seus conflitos, que no ato final incham e se resolvem com facilidade, de um acidente para aplacar o rancor até a leitura de um diário para preencher as lacunas.
Sem Amor (2018)

Resenha Crítica | Sem Amor (2018)

Unlovable, de Suzi Yoonessi

.:: 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

De modo sensual ao repulsivo, o sexo já foi retratado no cinema das mais diversas maneiras. A menos habitual delas talvez seja com uma estética quase infantil, como se uma protagonista estivesse perdida em um cenário da Hello Kitty. Pois é o que faz a diretora Suzi Yoonessi em “Sem Amor”, enchendo com muito colorido, pelúcia e corações a saga de uma viciada em sexo.

Até mesmo a personagem central interpretada por Charlene deGuzman carrega ironia em seu nome de batismo, Joy. Componente de uma trupe de um programa infantil televisivo parecido com esses feitos pela Xuxa durante a sua passagem na Globo, ela tem um relacionamento sério com um dos seus colegas de profissão boa-pinta, Ben (Paul James), mas é insaciável na cama e procura um sem número de parceiros aleatórios como se encarasse um compromisso diário.

O abismo não é somente tomar um pé na bunda de Ben e perder o emprego após uma falta: sem lembrar de absolutamente nada do que aconteceu na noite anterior, Joy acorda em uma casa em que rolou uma grande despedida de solteiro, coletando como souvenires uma série de fotos polaroid em que se vê transando com todos os caras ali presentes. A única solução que encontra é a de se enfiar em um programa de recuperação para o seu vício sexual.

Porém, o passo para a mudança é dado quando conhece nas reuniões Maddie (Melissa Leo), uma mulher recuperada de seu vício que topa a função de ser a sua guardiã, obrigando-a a se isolar no sobrado da propriedade em que vivem o seu irmão Jim (John Hawkes) e a sua vó debilitada (Ellen Geer). Por 30 dias seguidos, Joy deve negar qualquer um de seus desejos, evitando no processo o encontro com qualquer homem ou o uso de dispositivos eróticos, como vibradores.

Claro que negar a presença de Jim é impossível para Joy e “Sem Amor” passa assim a se concentrar na relação entre essas duas figuras solitárias e incompatíveis com o propósito de se ancorar em questões como autocontrole e amadurecimento. O afinco em preservar até o fim esse tom inocente torna o filme simultaneamente tolo e gracioso, assegurando um resultado final positivo graças à Charlene deGuzman e John Hawkes, aqui exercendo com plenitude o seu talento como músico.