Prêmios do público e do júri consagram Apolo no Festival MixBrasil 33º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade

Tainá Müller Festival MixBrasil
Foto: Amanda Clemente/Festival MixBrasil

“Apolo”, documentário dirigido por Tainá Müller e Isis Broken, recebeu dois importantes reconhecimentos no 33º Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade, com cerimônia de premiação realizada na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, nesta quarta-feira. A produção conquistou o Coelho de Prata (Prêmio do Público) de Melhor Longa Nacional e uma Menção Honrosa do Júri na categoria de Melhor Longa-Metragem, reforçando sua força, relevância social e impacto emocional.

A justificativa do júri para a Menção Honrosa ressalta a profundidade e a urgência do filme: “Um filme que emociona por transbordar resistência, mas, principalmente, amor, respeito e cuidado. Com uma narrativa que expõe a intimidade de forma corajosa para denunciar violências institucionais, mas é amarrada pelo amor entre o casal e o acolhimento da família de ambos, este trabalho firma sua relevância pela riqueza de imagens e a potência não apenas de levantar o debate acerca das famílias transcentradas, mas de trazer esperanças para o que há por vir. No país que, no presente, mais mata pessoas trans no mundo, este filme reescreve a história por meio de uma carta para o futuro. Um futuro no qual a existência e o afeto entre famílias LGBTQIAPN+, e principalmente entre pessoas trans, deverá ser não apenas respeitado, mas celebrado. O filme é um registro histórico, uma carta de amor e um poético manifesto do futuro que é escrita como uma carta para esta vida tão aguardada e que tanto merece ser celebrada.

Presente na cerimônia, Tainá Müller subiu ao palco para receber o certificado de Menção Honrosa do Júri na categoria de Melhor Longa-Metragem, afirmando ser “uma emoção recebermos esses prêmios por um filme que foi uma batalha fazermos. Mas principalmente uma batalha de Isis Broken e Lourenzo Gabriel. Hoje vemos Apolo tão lindo, tão saudável, e essa família brasileira, transcentrada, tão maravilhosa. Acho que é a maior satisfação que a gente pode ter. É isso, o amor supera tudo”.

Os prêmios no 33º Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade (onde o filme recebe reprise nesta sexta-feira, 21/11, no Instituto Moreira Salles – IMS Paulista, às 19h),  chegam após a forte recepção do filme no Festival do Rio deste ano, onde “Apolo” fez sua première nacional e venceu nas categorias Melhor Longa-Metragem Documentário e Melhor Trilha Sonora Original, composta pelo músico Plínio Profeta.

“Apolo” acompanha a jornada de uma família formada por um casal transgênero revelando as nuances do amor. Enquanto acompanhamos a gestação de Apolo, refletimos sobre os diferentes dramas de um casal transgênero: Isis Broken e Lourenzo Gabriel. O pai está dando à luz e a sociedade não está preparada para isso.

“Apolo” é produzido pela Capuri, Puro Corazón e Biônica Filmes, esta última também distribuidora do filme, e tem apoio do Grand Mercure Copacabana. Realização Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Governo Federal, Ministério da Cultura e Lei Paulo Gustavo. O lançamento comercial acontecerá no dia 27 de novembro de 2025.

Festival MixBrasil anuncia os vencedores da 33ª edição – veja a lista completa

Festival MixBrasil anuncia os vencedores da 33ª edição – veja a lista completa
Foto: Amanda Clemente/Festival MixBrasil

O Festival MixBrasil revelou na noite desta quarta-feira, 19 de novembro, os vencedores da categoria Cinema da sua 33ª edição, em evento na Biblioteca Mário de Andrade. Entre os premiados com o Coelho de Ouro, o maior reconhecimento do festival, estão “A Natureza das Coisas Invisíveis”, de Rafaela Camelo, eleito Melhor Longa Brasileiro; “Arrenego”, de Fernando Weller e Alan Oliveira, destaque da Mostra Reframe; e “Boi de Salto”, de Tássia Araújo, escolhido como Melhor Curta Brasileiro.

Nas escolhas do público, “Apolo”, de Tainá Müller e Isis Broken, ficou com o Coelho de Prata de Melhor Longa Nacional, enquanto “A Sapatona Galáctica”, da dupla australiana Leela Varghese e Emma Hough Hobb, levou como Melhor Longa Internacional. Os prêmios de curta-metragem ficaram com “Fardado” (nacional) e “Tão Pouco Tempo” (internacional).

Com o tema “A Gente Quer +”, o MixBrasil segue até domingo em São Paulo com uma programação gigante que atravessa cinema, teatro, artes visuais, XR, literatura e games. No encerramento também serão anunciados os vencedores das demais frentes do festival, como Mix Literário, Dramática, Artes Visuais e o Prêmio Ida Feldmann.

A realização é da Associação Cultural Mix Brasil e do Ministério da Cultura, via Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio de Itaú, Spcine e Prefeitura de São Paulo, além de apoio de SescSP, Embaixada da França e parceria com a Talent, entre outros.


Lista completa de vencedores – Cinema

33º Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade

Coelho de Ouro – Prêmio do Júri (Mostras Competitiva Brasil e Reframe)

Melhor Curta-Metragem Brasileiro: Boi de Salto, de Tássia Araújo
Melhor Longa-Metragem Brasileiro: A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo
Melhor Filme – Mostra Reframe: Arrenego, de Fernando Weller e Alan Oliveira

Incentivo: O longa e o curta premiados da Competitiva Brasil recebem apoio para novos projetos audiovisuais via parceria com DOTCINE e MISTIKA.


Coelho de Prata – Júri (Mostra Competitiva Brasil / Curtas)

Melhor Direção: Rosa Caldeira e Nay Mendl, por Fronteriza
Melhor Roteiro: Luma Flôres, por Como Nasce um Rio
Melhor Interpretação: Leona Vingativa, Aria Nunes, Laiana do Socorro, Victor Henrique Oliver, Agarb Braga, Mac Silva, Juan Moraes – Americana
Menções Honrosas: A Vaqueira, a Dançarina e o Porco, de Stella Carneiro e Ary Zara; e Ví puxovuko – Aldeia, de Dannon Lacerda


Coelho de Prata – Júri (Mostra Competitiva Brasil / Longas)

Melhor Direção: Guto Parente, por Morte e Vida Madalena
Melhor Roteiro: Guto Parente, por Morte e Vida Madalena
Melhor Interpretação: Laura Brandão e Serena, por A Natureza das Coisas Invisíveis
Menções Honrosas: Apolo, de Tainá Müller e Ísis Broken; e Apenas Coisas Boas, de Daniel Nolasco


Coelho de Prata – Júri (Mostra Competitiva de Inteligência Artificial)

Melhor Filme: Sakura Gansha, de Sijin Liu (Reino Unido, Taiwan)
Menção Honrosa: Essa Não É uma Carta de Amor, de Danilo Craveiro (Brasil-SP)


Coelho de Prata – Prêmio do Público

Melhor Curta-Metragem Nacional: Fardado, de Dan Biurrum
Melhor Curta-Metragem Internacional: Tão Pouco Tempo, de Athina Gendry (França, Alemanha)
Melhor Longa-Metragem Nacional: Apolo, de Tainá Müller e Ísis Broken
Melhor Longa-Metragem Internacional: A Sapatona Galáctica, de Leela Varghese e Emma Hough Hobb (Austrália)


Outros Prêmios

Menção Honrosa – Mostra Reframe: Resumo da Ópera, de Honório Félix e Breno de Lacerda
Prêmio Canal Brasil de Curtas: Fronteriza, de Rosa Caldeira e Nay Mendl
Prêmio SescTV Apresenta: Como Nasce um Rio, de Luma Flôres
Prêmio Show do Gongo: A Perna Cabeluda, de Manequins Harmonizades

Santo André recebe a 10ª Mostra de Cinema Chinês com sessões gratuitas no Ponto MIS

Trending Topic, de Xin Yukun

Com o tema “Uma Janela para a China”, a 10ª Mostra de Cinema Chinês de São Paulo chega a Santo André nos dias 12, 19 e 26 de novembro, sempre às 18h, na Sala de Projeção do CCM Emílio Pedutti Filho. A programação é gratuita e integra o circuito do Ponto MIS, iniciativa do Museu da Imagem e do Som em parceria com o Instituto Confúcio na Unesp.

A mostra exibe nove produções recentes que mergulham em temas como identidade, relações familiares e transformações sociais na China contemporânea. Entre os destaques estão “Impacto”, sobre as lutas de um time de rúgbi marginalizado; “O Amor de Mu Mu”, que retrata uma família surda com delicadeza e lirismo; e “Trending Topic”, que discute a fronteira entre verdade e ficção na era digital.

Com curadoria de Lilith Li e Wang Xiangyi, o festival celebra dez anos de intercâmbio cultural entre Brasil e China e marca também os “50 anos Dourados” das relações diplomáticas entre os dois países. Desde 2015, a mostra já apresentou mais de cem filmes ao público brasileiro, consolidando-se como uma das principais pontes entre as cinematografias oriental e ocidental.

O evento busca aproximar os públicos e revelar a força criativa do cinema chinês contemporâneo — uma produção que, por meio de histórias íntimas e visuais exuberantes, convida à reflexão sobre o mundo em transformação.

PROGRAMAÇÃO

• 12 de novembro, às 18h 
Impacto 
China, 2025, DCP, 108 min, 12 anos 
Direção: Qiangsheng Huang 
Elenco: Zhang Yu, Li Xian 

• 19 de novembro, às 18h 
O Amor de Mu Mu  
China, 2025, DCP, 102 min, 12 anos 
Direção: Han Yan 
Elenco: Zhang Yixing, Li Luoan 

• 26 de novembro, às 18h 
Trending Topic  
China, 2023, DCP, 115 min, 16 anos 
Direção: Xin Yukun 
Elenco: Zhou Dongyu, Song Yang, Yuan Hong 

10ª Mostra de Cinema Chinês de São Paulo – “Uma janela para a China”
Local: Ponto MIS Santo André – Sala de Projeção do CCM “Emílio Pedutti Filho”
Endereço: Avenida Sampaio Vidal, 245 – piso superior, Santo André (SP)
Datas: 12, 19 e 26 de novembro de 2025
Horário: 18h
Entrada gratuita
Idioma: mandarim, com legendas em português
Mais informações: mostracinema.institutoconfucio.com.br/mostra-cinema-chines-interior-sp

“Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar 2025, é destaque no 16º Festival de Cinema Brasileiro na Rússia

16º Festival de Cinema Brasileiro na Rússia

O cinema brasileiro vive um ano histórico, e o 16º Festival de Cinema Brasileiro na Rússia chega para celebrar esse momento. Entre 13 de novembro e 7 de dezembro, cidades como Nizhny Novgorod, Kaliningrado, São Petersburgo e Moscou exibem sete longas que representam a força e a diversidade da produção nacional.

O grande destaque é “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional. Adaptado do livro de Marcelo Rubens Paiva, o filme narra a história de Eunice Paiva, mulher que enfrenta o desaparecimento do marido durante a ditadura militar e precisa reinventar sua vida e a dos filhos.

A mostra também traz o documentário “Milton Bituca Nascimento”, de Flávia Moraes, uma jornada afetiva pela obra e espiritualidade de um dos maiores nomes da música brasileira. “Retrato de um Certo Oriente”, de Marcelo Gomes, revisita a saga de imigrantes libaneses na Amazônia, enquanto “Pasárgada”, estreia de Dira Paes na direção, acompanha uma bióloga isolada na Mata Atlântica em busca de reconexão com sua ancestralidade.

16º Festival de Cinema Brasileiro na Rússia

Entre os documentários, “Mangueira em Dois Tempos”, de Ana Maria Magalhães, revisita as crianças retratadas no histórico “Mangueira do Amanhã”, revelando histórias de resistência e transformação. “Querido Mundo”, de Miguel Falabella, e “Tia Virgínia”, de Fábio Meira, completam a programação com olhares sensíveis sobre encontros, família e recomeços.

Realizado pela Linhas Produções Culturais com apoio da Embaixada do Brasil em Moscou e patrocínio da ApexBrasil, o festival se consolida como um dos principais eventos dedicados à cultura brasileira no exterior. Mais de 50 mil pessoas já prestigiaram o evento desde sua criação em 2008 — e, em 2025, a celebração promete ser ainda mais especial.

Resenha Crítica | A Incrível Eleanor (2025)

Um dos episódios mais comoventes que já conferi do “Finding Your Roots” foi aquele com a participação de Scarlett Johansson, onde ela descobre o destino trágico de vários de seus ancestrais no Leste Europeu durante o Holocausto.

Estou certo de que se conectar a um passado que desconhecia em sua família de origem judia foi muito importante para ela escolher o roteiro de “A Incrível Eleanor”, escrito pela Tory Kamen, como aquele que marcaria a sua estreia como diretora em longa-metragem – ela também conduziu um segmento muito bonito de “Nova York, Eu Te Amo” com o Kevin Bacon, mas, infelizmente, ele ficou de fora do corte final.

Sou muito admirador da versatilidade de Scarlett Johansson, que se manifesta em diferentes fases de sua carreira. Há 20 anos, emplacou uma sequência de grandes interpretações em grandes filmes, como “Encontros e Desencontros”, “Match Point” e “Moça com Brinco de Pérola”, enquanto ensaiava uma carreira bem interessante como cantora. Já na década passada, equilibrou a sua entrada na Marvel com a obra-prima “Sob a Pele”, onde desempenhou a sua melhor interpretação até o momento.

Agora com 40 anos, é protagonista de um dos maiores blockbusters do ano (“Jurassic World: Renascimento”) enquanto também se apresenta atrás das câmeras em um projeto extremamente oposto e com resultados muito equilibrados.

Scarlett não apenas gerencia a comicidade e a melancolia de “A Incrível Eleanor” nos tons exatos, como ainda valoriza o trabalho de seu elenco em um filme em grande parte estruturado em planos fechados com o objetivo de também se comunicar a partir das faces aqui disponíveis, sobretudo as de June Squibb e Rita Zohar.

Muito bonito se deparar com uma dramédia americana que dá protagonismo para uma atriz nonagenária e outra octogenária, fazendo uso de ambas para criar uma história que toma contornos bastante emotivos sobre lutos suprimidos e tragédias históricas nem sempre preservadas pelas gerações seguintes.

★★★
Direção de Scarlett Johansson
Assistido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo
Em breve nos cinemas (Sony Pictures)

Resenha Crítica | Father Mother Sister Brother (2025)

Autor independente e verdadeiro cronista de vidas anônimas, Jim Jarmusch volta sempre que pode ao formato do compilado de pequenos contos, aos moldes daquele experimentado em “Uma Noite Sobre a Terra” (1991) e “Sobre Café e Cigarros” (2003). É onde se vê o diretor de 72 anos no seu modo de artesania mais modesto, sem firulas narrativas ou visuais.

É exatamente essa a proposta de seu mais recente “Father Mother Sister Brother”, onde teremos três pontos de parada dentro de três núcleos familiares distintos: a visita de Adam Driver e Mayim Bialik ao pai Tom Waits em algum lugar isolado dos Estados Unidos; a viagem das irmãs Cate Blanchett e Vicky Krieps à casa da mãe Charlotte Rampling em Dublin; e a última, a ida dos irmãos Luka Sabbat e Indya Moore ao apartamento em que viveram na infância em Paris.

Jarmusch faz uma série de rimas entre essas pequenas histórias como se fossem versões alternativas umas das outras. A primeira tem um resultado mais cômico, enquanto a última preserva um tom mais melancólico. Ainda assim, repetições de tradições (os brindes com bebidas inadequadas para esse propósito), as transações financeiras indevidas, os skatistas do mundo lá fora etc. reforçam que somos indivíduos iguais apenas separados por contextos geográficos, políticos e sociais.

Jim Jarmusch nunca tinha colocado um filme em competição no Festival de Veneza e saiu de lá com a honraria máxima dentro de um line-up em que os seus feitos em “Father Mother Sister Brother” foram os mais tímidos. Pode-se interpretar a honraria dada por Alexander Payne, um nome muito influenciado por seu cinema, como a celebração por uma carreira menos premiada do que se possa supor. Porém, essa distinção, que em estratégias mercadológicos aumenta as chances de “Father Mother Sister Brother” em termos financeiros e de alcance de audiência, dá ao filme um peso que ele não sustenta.

★★★
Direção de Jim Jarmusch
Assistido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo
Em breve nos cinemas (MUBI Brasil)

Resenha Crítica | Resurrection (2025)

Ao sair da sessão de “Resurrection”, fui abordado por amigos que perguntaram se gostei do filme e também testemunhei outros espectadores fazendo a mesma pergunta para as suas companhias. Acho que gostar ou não gostar é o que menos importa aqui, pois o diretor chinês Bi Gan faz aquele típico filme sensorial em que você vai sentir mil coisas, de vontade de dormir até aquele sentimento de que está realmente diante de algo que está evocando sentimentos muito enriquecedores.

O mais claro aqui é esse desejo de enaltecer o cinema como a arte mais próxima a reproduzir o que experimentamos em sonhos. Para isso, o diretor estabelece uma colcha de retalhos que mais soa como diferentes segmentos com personagens possuindo diferentes corpos.

Em um momento, a gente é cúmplice de uma versão de Nosferatu. Em outra, há um nômade fugindo de credores e que se passa por mágico para fazer dinheiro fácil e fugir. No melhor deles, há um rapaz apaixonado à primeira vista por uma mulher: ela tem o desejo de morder; ele, quer dar o seu primeiro beijo.

Manipulando diferentes janelas, noções de tempo, estéticas e locações, “Resurrection” chegou ao Festival de Cannes sob a lenda de que foi completado à véspera. A curiosidade pode ser usada como arsenal contra o filme por espectadores que o acharam todo desalinhado. Do meu ponto de vista, essa noção de fechamento sob pressão de um deadline é até bem-vinda a algo que pretende seguir o fluxo de um inconsciente.

★★★★
Direção de Bi Gan
Assistido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo
Em breve nos cinemas (Fênix Filmes)

Resenha Crítica | Jay Kelly (2025)

Em tempos cínicos como vivemos, o que não precisamos é de um filme complacente com a figura de um astro de cinema, que tem todos os privilégios em mãos, de cachês milionários até serviçais em posições de assistentes que agem como cães-guia de personalidades que não prestam nem pra pegar o próprio copo com água.

Embora hoje em dia possa não estar na fase mais criativa de sua carreira, o diretor e roteirista quatro vezes indicado ao Oscar Noah Baumbach ainda impregna determinados conflitos dramáticos com aquele seu amargor mordaz.

Ainda que “Jay Kelly” seja um personagem ficcional, esse filme parece se comportar como um tributo de despedida de George Clooney do ofício de ator, aqui quase em uma versão de si mesmo que vai à Toscana receber uma homenagem por sua carreira no cinema e que aos 60 anos naufraga em uma crise existencial na qual repensa o quanto de sua vida privada foi necessário sacrificar para alimentar a sua filmografia.

Quando o afeto a esse personagem bem-intencionado toma a narrativa além da conta, contestações nada lisonjeiras o assombram, da carreira que involuntariamente roubou de seu melhor amigo da juventude até o desprezo de suas filhas, cujos privilégios garantidos por um pai milionário não bastaram para elas aplacarem a ausência paternal.

Porém, o melhor desdobramento em “Jay Kelly” é percebido sobretudo no personagem do empresário interpretado por Adam Sandler, ele também um indivíduo que sacrificou a sua vida para servir a essa figura pública. O comediante é visto em uma contenção bastante curiosa aqui, roubando o filme entre uma lágrima e outra ao mesmo tempo em que jamais quer ser maior do que a posição de coadjuvante em que foi colocado.

★★★
Direção de Noah Baumbach
Assistido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo
Em breve nos cinemas (Netflix & O2 Play)

Leonardo Cortez leva Os Vencedores ao Sesc Ipiranga e conclui sua Trilogia da Fuga

Os Vencedores de Leonardo Cortez

Encerrando a premiada Trilogia da Fuga, o dramaturgo Leonardo Cortez e o diretor Pedro Granato voltam aos palcos com “Os Vencedores”, uma comédia dramática que transforma o jantar de um casal da periferia em um retrato cruel — e por vezes hilário — das contradições brasileiras.

O espetáculo mergulha no universo de uma família de classe baixa que se vê às voltas com as tensões do trabalho, da sobrevivência e dos afetos. Quando o marido chega em casa acompanhado do patrão embriagado, a noite planejada para celebrar 20 anos de casamento se torna um campo minado de segredos, ressentimentos e verdades incômodas.

Com Gabriel Santana, Glaucia Libertini, Lena Roque, Leonardo Cortez e Luciano Chirolli no elenco, a peça mantém a combinação de crítica social e humor que marcou “Pousada Refúgio” e “Veraneio”, unindo o drama doméstico ao comentário político. Segundo Granato, a montagem reflete “o discurso da prosperidade nas periferias e o servilismo disfarçado de cordialidade”.

A trilha de Dani Nega reforça o tom popular e direto da encenação, que convida o público a rir e se reconhecer nas fraturas de um país dividido entre a esperança e o desencanto.

“Os Vencedores” estreia em 31 de outubro no Sesc Ipiranga, com sessões até 14 de dezembro (sextas e sábados às 20h; domingos e feriados às 18h).

SERVIÇO
Sesc Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822, São Paulo
Ingressos: R$ 60 (inteira) / R$ 30 (meia) / R$ 18 (credencial plena)
Sessão com intérprete de Libras: 21/11
Informações: (11) 3340-2035
Vendas pelo site sescsp.org.br/ipiranga, no aplicativo Credencial SescSP e nas unidades do Sesc

Brasil ganha mostra dedicada no Tokyo International Film Festival

Mostra Classics Brazil Film Week

O cinema brasileiro é o homenageado da edição 2025 do Tokyo International Film Festival. Entre 28 de outubro e 2 de novembro, a National Film Archive of Japan recebe a mostra especial “Classics: Brazil Film Week”, organizada pela Linhas Produções Culturais em parceria com o TIFF, a NFAJ, a Embaixada do Brasil em Tóquio e o Instituto Guimarães Rosa. A iniciativa integra as celebrações dos 130 anos das relações diplomáticas entre Brasil e Japão e busca reafirmar, para o público japonês, a vitalidade histórica e contemporânea da produção nacional.

A seleção reúne seis títulos entre inéditos e clássicos. Abrindo a programação está “O Último Azul” (2024), de Gabriel Mascaro, vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim de 2025 e exibido pela primeira vez no Japão. Outro destaque é “Milton Bituca Nascimento” (2024), documentário dirigido por Flávia Moraes com narração de Fernanda Montenegro, que recupera a trajetória do ícone da música brasileira por meio de imagens raras e depoimentos inéditos. O drama “Kasa Branca” (2024), de Luciano Vidigal, representa o olhar para o Brasil urbano e periférico em uma história marcada pela dimensão humana e social.

O eixo histórico da programação inclui “Central do Brasil” (1998), de Walter Salles — vencedor do Globo de Ouro e indicado ao Oscar — e dois marcos de Glauber Rocha: “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) e “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” (1969). Os filmes reafirmam a influência duradoura do Cinema Novo na formação de uma linguagem crítica e inventiva reconhecida mundialmente.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

O Último Azul
• 28/10 — 15h
• 30/10 — 15h
• 01/11 — 19h

Milton Bituca Nascimento
• 02/11 — 16h

Kasa Branca
• 30/10 — 19h
• 01/11 — 15h

Central do Brasil
• 28/10 — 19h
• 02/11 — 13h

O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (Antônio das Mortes)
• 29/10 — 19h
• 31/10 — 15h

Deus e o Diabo na Terra do Sol
• 29/10 — 15h
• 31/10 — 19h

SERVIÇO
Mostra Classics: Brazil Film Week
Quando: 28 de outubro a 2 de novembro de 2025
Onde: National Film Archive of Japan (NFAJ), Tóquio
Organização: Linhas Produções Culturais, Tokyo International Film Festival (TIFF), National Film Archive of Japan (NFAJ), Embaixada do Brasil em Tóquio e Instituto Guimarães Rosa
Ingressos e informações: https://www.nfaj.go.jp/english/film-program/tiff-nfaj-classics-brazil-film-week/