Resenha Crítica | O Beijo da Mulher Aranha (2025)

Ainda é um pouco cedo para compreender qual será o nível de disposição que os brasileiros irão depositar nesta nova versão de “O Beijo da Mulher Aranha”, uma vez que a primeira adaptação do romance de Manuel Puig é estabelecida, 40 anos desde a sua produção, como uma das obras artísticas com características de nosso país mais queridas, sobretudo por sua repercussão internacional.

Gosto do filme do Hector Babenco. Já este de Bill Condon, eu amei. Mais calcado na encarnação da Broadway, o diretor americano volta a revisitar elementos que tornaram o seu roteiro de “Chicago” um espetáculo, onde os números musicais soam como fugas da realidade para os seus personagens, agora aqui revisitando os horrores da ditadura argentina que perdurou até o fim de 1983.

É um filme que consegue ser ainda mais pulsante em seus elementos fantasiosos, queer e políticos, construindo uma relação entre Valentin Arregui e Luis Molina bastante complexa e cativante: um herói encarcerado, Valentin é também um sujeito cheio de preconceitos pela vida tê-lo forçado a se comportar como um “macho” diante de situações adversas, ao passo que Molina dá a esse companheiro de cela o dom de se refugiar nos sonhos do filme que narra e compreende, graças a ele, que a sua existência por si só já é um ato político.

Se William Hurt recebeu o único Oscar de sua carreira sobretudo porque a época fez a leitura de que foi extremamente corajoso para um ator hétero viver um gay também drag, o que Tonatiuh faz aqui é muito além das honrarias de estatuetas douradas, encarnando Luis Molina na plenitude que esse personagem exige. Ainda há coisas para assistir, mas não me parece precipitado apontá-lo como o responsável pela melhor interpretação do ano. Também são belos os trabalhos de Diego Luna e Jennifer Lopez, esta outra vez reforçando a grande atriz que é, vivendo diversas personalidades de uma diva hollywoodiana enquanto é vista em coreografias e registros vocais bem diferentes de sua zona de conforto.

★★★★
Direção de Bill Condon
Assistido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo
Em breve nos cinemas (Paris Filmes)

Gilda Nomacce será homenageada no Morce-GO Vermelho Festival 2025 em Goiânia

O Morce-GO Vermelho Goiás Horror Film Festival, que acontece de 30 de outubro a 2 de novembro no Cine Cultura, em Goiânia, presta homenagem a Gilda Nomacce, um dos nomes mais potentes do cinema brasileiro contemporâneo. A celebração acontece no sábado, 1º de novembro, com a exibição do longa “A Herança”, de João Cândido Zacharias, sessão que contará com a presença da atriz para debate. A programação é gratuita e os ingressos serão disponibilizados em breve via Sympla.

Nascida em Ituverava (SP), Gilda Nomacce iniciou sua trajetória artística no teatro aos 12 anos, formou-se em Artes Cênicas pela ECA/USP e ampliou sua formação em Londres e Nova York. No cinema, estreou em 2007 com o curta “Um Ramo” e consolidou uma carreira marcada pela intensidade e pela versatilidade, transitando por dramas, comédias, narrativas queer e produções de horror, gênero no qual se tornou referência. Com mais de 108 obras no currículo, foi indicada ao Prêmio Guarani por “Quando Eu Era Vivo” e “Ausência” (2015) e disputou o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro com sua atuação em “As Boas Maneiras” (2018).

Realizado com recursos do Programa Goyazes, o Morce-GO Vermelho busca fortalecer o gênero fantástico no país, aproximando público, artistas e realizadores, além de celebrar obras e trajetórias que expandem o imaginário do cinema brasileiro.

Serviço
Morce-GO Vermelho Goiás Horror Film Festival
30/10 a 02/11 — Cine Cultura, Goiânia (GO)
Entrada gratuita — Ingressos em breve no Sympla
Classificação: 18 anos
Site: morcegovermelhofestival.com.br | @morcegovermelhofest

Resenha Crítica | Bom Menino (2025)

Diretor de vários curtas, Ben Leonberg faz a sua estreia em longa finalmente matando aquela curiosidade somente sugerida em filmes de terror: teriam os cachorros o dom de identificar a manifestação do sobrenatural?

Quando testemunhamos esse fenômeno, ele geralmente marca a transição de um prólogo pacífico para algo que começa a ficar efetivamente perturbador quando um cão late para as sombras. Quando vamos um pouco além disso, ou o bicho de estimação sai de circulação ao ser ferido ou vira objeto do ridículo, a exemplo daquele que tem flashbacks em “Quadrilha de Sádicos 2”.

Com muita paciência e pouco dinheiro do bolso, Ben Leonberg faz de “Bom Menino” uma obra bastante efetiva, indo além do mero “filme gimmick” ou da sensação de que esticou as coisas por sempre fazer bom uso de Indy, uma variação de Retriever sem treino como “ator” e do qual é tutor.

Excetuando a direção de arte, que não é capaz de criar um ambiente que realmente soe assombrado e gerenciado por um protagonista humano em estado de saúde crítico – é tudo organizado demais para representar uma situação tão deprimente -, “Bom Menino” usa muito bem as ferramentas que tem em mãos, sendo elaborado no respeito à perspectiva canina e numa montagem que segura o ritmo do filme e enaltece a magnética presença de Indy.

No entanto, o que há de melhor aqui é como a história consegue virar um pouco o jogo. Em “filmes de cachorrinho”, a gente quase sempre vai se deparar com a finitude do animal e o propósito que cumpriu na vida de uma família. Aqui, a fidelidade que Indy demonstra para o seu tutor da ficção é colocada à prova de outra forma, dando um contorno dramático bastante inesperado e que eleva “Bom Menino” inclusive para quem se frustrar com as expectativas de medo geradas antes de assistir a esse experimento.

★★★
Direção de Ben Leonberg
Em breve nos cinemas (Paris Filmes)

Resenha Crítica | The Mastermind (2025)

Hoje uma das vozes mais independentes e autorais do cinema americano, a diretora Kelly Reichardt segue persistente em suas convicções com a construção de narrativas que desconstroem entendimentos heroicos que seus conterrâneos têm sobre determinados gêneros.

Os animais em filmes como “Wendy e Lucy” e “First Cow” estão ali mais para representar necessidades primitivas do que estabelecer vínculos graciosos com humanos e não há uma obra mais anti-western do que “O Atalho”.

Agora com “The Mastermind”, o espectador testemunhará aquela que é a pior encenação de um roubo já visto no cinema, onde o protagonista interpretado por Josh O’Connor arquiteta com dois capangas a invasão em um museu à plena luz do dia para sequestrar as pinturas de um mesmo artista.

O que de diferente rola em “The Mastermind” é que a obstinação de Reichardt em promover esse cinema minimalista, onde verdadeiras emoções humanas brotam da banalidade, atinge um ponto de exaustão aqui. A partir do segundo ato, passaremos a acompanhar um homem cada vez mais abandonado por familiares e amigos diante da escolha que fez, nada de muito gratificante comunicando sobre essa solidão que o invade a partir do momento que passa a viver como um nômade convicto de que reverterá tudo ao seu favor.

É uma pena que o filme menor de Reichardt chegue justamente no momento em que muitos podem encará-lo como o seu projeto mais acessível. Este é apenas o seu segundo filme a ganhar exibição comercial no Brasil (o primeiro em um contexto fora da pandemia) e, infelizmente, muitos espectadores não se sentirão motivados a explorar o seu belo cinema depois da experiência enfadonha que é “The Mastermind”.

★★
Direção de Kelly Reichardt
Em exibição nos cinemas (MUBI Brasil e Imagem Filmes)

Mostra Ray Harryhausen – O Mestre do Cinema Stop-Motion entra na reta final na CAIXA Cultural Rio de Janeiro [até 19/10]

Fundação Ray & Diana Harryhausen

Em exibição até 19 de outubro, a mostra “Ray Harryhausen – O Mestre do Cinema Stop-Motion” segue em cartaz na CAIXA Cultural Rio de Janeiro com programação gratuita que celebra os 105 anos de nascimento do lendário artista que revolucionou os efeitos visuais no cinema.

Com curadoria de Alexandre Juruena e Breno Lira Gomes, a retrospectiva reúne filmes que contam com a colaboração de Harryhausen nos efeitos visuais, curtas infantis dirigidos por ele, documentários e títulos que inspiraram sua carreira. A iniciativa reverencia o pioneirismo do cineasta e aproxima novas gerações de sua obra, marcada por criaturas mitológicas, dinossauros e monstros fantásticos que influenciaram mestres como George Lucas, Steven Spielberg e Guillermo del Toro.

A segunda semana de programação inclui sessões de clássicos como “Fúria de Titãs” (1981), “Jasão e os Argonautas” (1963) e “As Viagens de Gulliver” (1960), além de uma sessão comentada de “Simbad e o Olho do Tigre” com o crítico Rodrigo Fonseca e a oficina de criação de criaturas lendárias, voltada a crianças e adultos.

A mostra é uma realização da Festivarte, com coprodução da BLG Entretenimento, apoio da Fundação Ray & Diana Harryhausen e patrocínio da CAIXA e do Governo Federal.

Serviço
CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Rua do Passeio, 38, Centro
📅 Em cartaz até 19 de outubro de 2025
🎟️ Entrada gratuita (ingressos 30 minutos antes das sessões)
Mais informações: caixacultural.gov.br | @caixaculturalrj

Aguardado há anos, “A Palavra”, novo filme de Guilherme de Almeida Prado, finalmente chega aos cinemas

Pôster A Palavra, de Guilherme de Almeida Prado

O cineasta Guilherme de Almeida Prado, conhecido por clássicos como “A Dama do Cine Shanghai” e “Perfume de Gardênia”, retorna aos cinemas em 16 de outubro com “A Palavra”, um drama que mistura fé e investigação.

Inspirado na história bíblica de Elias e Eliseu, o filme transpõe o enredo para os dias atuais e acompanha Jezebel (Regina Maria Remencius), uma repórter de TV em busca de sua próxima grande matéria. Sua missão é localizar Elias (Tuca Andrada), homem que realiza milagres no sertão nordestino, curando doentes e ajudando a amenizar a seca. Determinada a desmascará-lo como um farsante, Jezebel começa a rever suas próprias convicções à medida que se aproxima dele.

Produzido pela FJ Produções e Star Filmes, e distribuído pela PlayArte, o longa traz ainda no elenco nomes como Luciano Szafir, Oscar Magrini, Karina Barum, Johnnas Oliva, Soia Lira, Carlos Casagrande e Ana Miranda.

Segundo os produtores, a proposta é refletir sobre como seria a Bíblia se fosse escrita hoje, em um contexto de forte polarização de ideias, mas sem perder a força da fé e seu poder de transformação.

Guilherme de Almeida Prado, que tenta lançar “A Palavra” há anos, também está com outros dois projetos no gatilho. O primeiro, já finalizado, é “Odradek”, que teve première nacional na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2024. Já “Um Olhar Um Suspiro Um Sorriso”, uma versão reimaginada e reduzida de “Odradek”, está previsto para ser lançado em 2026.

Começa o 16º Cinefantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico (de 2 a 14/9)

16º Cinefantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico

De 2 a 14 de setembro, o Cinefantasy chega à sua 16ª edição com 110 filmes de 27 países, exibidos no Centro Cultural São Paulo e na plataforma DarkFlix, com entrada gratuita.

A programação reúne longas e curtas inéditos no Brasil, exibidos em festivais como Rotterdam, Sitges, Annecy e Fantasia, além de estreias mundiais como o brasileiro “Quando o Sangue Flui”, de Cainã De Paulo e Pedro Valle.

A abertura traz o longa canadense “Warden”, do brasileiro Marcus Alqueres, filmado em São Paulo. Entre os destaques nacionais estão “Consequências Paralelas” (com Camila Morgado) e “Ogiva: O Mundo Não É Mais Como Antes”, de Cadu Rosenfeld. O festival também recebe o diretor equatoriano Javier Cutrona (“Alucina”) e o ator Vinícius de Oliveira.

Nos curtas, grandes nomes do cinema brasileiro como Betty Faria, Marcélia Cartaxo, Eduardo Moscovis, Zezita Matos e Gilda Nomacce integram a seleção.

Serviço:
16º Cinefantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico
02 a 14 de setembro
Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000) + online via DarkFlix
Entrada gratuita
Programação completa: cinefantasy.com.br

Resenha Crítica | A Vida de Chuck (2024)

Em 2019, o diretor Mike Flanagan conseguiu o que parecia impossível ao adaptar “Doutor Sono”, onde foi fiel até determinado ponto ao texto literário para depois traçar um caminho inédito em busca da conciliação entre o filme “O Iluminado” e o seu autor, Stephen King.

Cinco anos depois, o retorno dessa parceria, que agora se dá com a transposição para cinema de um conto não tão popular de King, vem para reforçar algo que tínhamos esquecido: ainda que seja um mestre da literatura de horror, o escritor tem também em seu arsenal histórias agridoces e existenciais.

Ainda que grande parte das interações entre os personagens de “A Vida de Chuck” sejam pautadas por matemática, Carl Sagan e o desejo de acessar segredos ocultos, eis aqui um filme em que a escolha por uma explicação mais racional ou mesmo fantástica do que aqui acontece cabe efetivamente para o espectador, que ao seu modo dará o significado que deseja a essa narrativa em três atos iniciados ao contrário.*

É mais um belo trabalho do diretor, que felizmente tem aqui a oportunidade de se desvincular temporariamente do gênero que está confinado – o terror – para pensar com diferentes tons e cores sobre a condição humana tanto em um mundo (ou deus em forma humana?) em pane quanto inebriado pela doçura da vida em sua juventude, ainda que esta esteja com o luto sempre à espreita.

*A ordem inversa da narrativa, sustentada com maestria por Mike Flanagan (que também monta o seu filme), de certo modo me fez pensar como funciona perfeitamente como uma oposição justamente às escolhas que mais subtraem do que somam no também recente “A Hora do Mal”, onde, para mim, Zach Cregger teve a péssima escolha de pautar a evolução de seu roteiro a partir de capítulos baseados em seus personagens principais e secundários. Dois filmes muito bons para se pensar o cinema partindo de um pensamento sobre organização pouco tradicional de histórias.

★★★★
Direção de Mike Flanagan
Em exibição nos cinemas (Diamond Films Brasil)

Resenha Crítica | Uma Sexta Feira Mais Louca Ainda (2025)

Assim como rolou na nova trilogia “Halloween”, Jamie Lee Curtis outra vez volta para um grande sucesso em sua carreira, “Sexta-feira Muito Louca”, um filme que parece que foi feito totalmente para ela ainda que a atriz tenha sido chamada no último minuto do segundo tempo (Annette Bening desistiu do projeto e Jamie teve menos de uma semana para se preparar antes de pisar no set).

Ao contrário das tralhas feitas pelo David Gordon Green, cuja duologia se transformou em três filmes apenas para arrecadar uma grana extra, essa sequência de “Sexta-feira Muito Louca” ressurge realmente com reações nobres, onde Jamie escolheu dar tempo ao tempo para Lindsay Lohan se reencontrar na vida e ter a maturidade o suficiente para interpretar uma mãe solteira.

O fato de existir um coração pulsando aqui, de um tipo que se sensibiliza com o quarteto feminino e seus diferentes dramas internos (a idosa com medo da solidão, a jovem em dilemas profissionais e amorosos, a adolescente 1 em luto e a adolescente 2 irritada por decisões que não a contemplam diante de uma nova configuração familiar) é muito importante, pois “Uma Sexta Feira Mais Louca Ainda” empalidece demais quando lembramos do ótimo filme original, que era um remake de uma obra que popularizaria para o mundo a surrada premissa da troca de corpos.

Infelizmente, a diretora Nisha Ganatra não tem o mesmo sarcasmo e ousadia do Mark Waters em extrair o maior potencial cômico das cenas, inclusive nos custando bastante tempo para conseguir fazer o seu elenco virar a chave que o faz compreender que devem assumir personalidades diferentes em seus novos corpos. Jamie Lee Curtis é sempre perfeita, Lindsay Lohan se entende melhor na segunda metade da história e Julia Butters e Sophia Hammons poderiam não existir.

O curioso é que esses descompassos são muito bem camuflados em algo que eu não testemunha há um bom tempo em uma comédia: figuras secundárias super passageiras que realmente roubam a cena.

Além de estar mais gostoso do que nunca, Chad Michael Murray volta muito bem como o ex-namorado da Lindsay Lohan. E amei a diretora da X Mayo, a feiticeira charlatã da Vanessa Bayer e, principalmente, a agente do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos interpretada por Santina Muha.

★★★
Direção de Nisha Ganatra
Em exibição nos cinemas (Walt Disney Studios)

Resenha Crítica | Faça Ela Voltar (2025)

Aquisição da A24 que se tornou um dos seus principais sucessos comerciais, “Fale Comigo” se destacou dentro da boa safra de terror atual sobretudo pela forma bastante original como a dupla Philippou desenhou o seu núcleo jovem de personagens, priorizando aquele recorte australiano meio gente como a gente que se desvincula de registros americanos com os quais estamos mais habituados.

Outra vez, isso é repetido em “Faça Ela Voltar”, aqui condensando as atenções entre dois meio-irmãos, a Piper (Mischa Heywood), que tem deficiência visual, e Andy (Billy Barratt), que carrega o peso de se responsabilizar por toda uma família quando sequer atingiu a maioridade. Antes de mais nada, é um filme que estabelece uma dinâmica muito bonita entre essa dupla e que felizmente se furta de criar um espetáculo totalmente voltado á condição especial de uma de suas protagonistas/atrizes.

Mais adiante disso, no entanto, parece claro que “Faça Ela Voltar” seja mais a aposta dobrada em uma fórmula testada e aprovada anteriormente do que efetivamente um passo seguinte na carreira dos Philippou, que outra vez voltam a versar sobre relações familiares e o luto como uma dor insustentável que encontra conforto nas falsas promessas do sobrenatural.

Não há problema algum em ir pelo caminho seguro, sobretudo se ele renderá uma experiência positiva ao fim, mas bem que alguns aspectos poderiam ser melhor lapidados aqui, como a sutileza em reabordar os temas citados. 

E nem falo sobre a violência brutal, por vezes bem gráfica, de algumas tomadas, que causam um desconforto efetivo que poucos se arriscam em encenar. Mas sim a respeito desses tons exacerbados que nos fazem telegrafar as coisas a quilômetros de distância delas se efetivarem. 

É um filme que a gente já sabe como se construirá nos primeiros segundos em que batemos os olhos nas expressões de desequilíbrio de Sally Hawkins e em seu lar cheio de lodos de um passado recente que essa mulher falsamente bem-intencionada quer trazer de volta a qualquer custo.

★★★
Direção de Danny Philippou e Michael Philippou
Em exibição nos cinemas (Sony Pictures)