Minhas Mães e Meu Pai

Em tempos onde discutir sobre orientação sexual tem deixado de ser o mesmo tabu de antes, não faltam filmes que muitas vezes aparecem com a intenção de permitir que as pessoas reflitam sobre a intolerância que atinge muitas pessoas ao redor do mundo. Entretanto, poucos são bem-sucedidos. A intenção de falar abertamente sobre a homossexualidade é diluída sempre que os realizadores se preocupam com um filme quadrado, de poesia barata. Felizmente, o que interessa para a diretora Lisa Cholodenko não são essas características, mas o de mostrar, sem meias palavras, que há muitas outras barreiras para serem enfrentadas quando uma união é selada por um casal do mesmo sexo.

Apesar do formato acessível, pois lá no fundo “Minhas Mães e Meu Pai” é uma comédia família, a realizadora e roteirista norte-americana encontrou dificuldades para rodar este seu mais novo projeto, ganhando sinal verde apenas com a presença de grandes intérpretes que reduziram seus cachês para o orçamento apertado de quatro milhões de dólares ser suficiente.

Nic e Jules (Annette Bening e Julianne Moore) vivem um casal que está junto há duas décadas. O desejo de formar família foi realizado assim que nasceram Joni (Mia Wasikowska) e Laser (Josh Hutcherson). Joni atinge a maioridade e por insistência do irmão mais novo procura pelo pai biológico de ambos. Ele é Paul (Mark Ruffalo), que rapidamente vai se tornando uma figura presente na vida desses dois jovens. O trio parece se completar, apesar do estranhamento inicial. Porém, Nic não aprova nem um pouco a decisão de torná-lo parte da família que batalhou para construir.

Assim como Nic e Jules, Lisa Cholodenko também é lésbica e parece compartilhar suas experiências no seu roteiro escrito também com a colaboração de Stuart Blumberg. O resultado atinge a perfeição em muitos instantes. Impressiona o realismo como é criada a dinâmica desta família e a maneira que retrata o amor de Nic e Jules. Há sequências belíssimas entre as duas, mas há outras que estão longe de se aproximar da higiene e trabalho de coreografia robótico visto em tantos títulos da mesma linha.

Para uma temporada que valoriza realizações que não se aproximam o suficiente do público como “O Discurso do Rei” e “A Rede Social” chega a ser lamentável que um filme independente como “Minhas Mães e Meu Pai” tenha feito apenas figuração em algumas das mais importantes premiações de cinema. Pois aqui não falta talento e muito menos contundência nas condutas que levam a abalar uma estrutura familiar.

Título Original: The Kids Are All Right
Ano de Produção: 2010
Direção: Lisa Cholodenko
Roteiro: Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg
Elenco: Annette Bening, Julianne Moore, Mark Ruffalo, Mia Wasikowska, Josh Hutcherson, Yaya DaCosta, Kunal Sharma, Eddie Hassell, Zosia Mamet, Joaquín Garrido, Rebecca Lawrence, Lisa Eisner, Eric Eisner, Sasha Spielberg e James MacDonald
Cotação: ****

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

2 Comentários em Minhas Mães e Meu Pai

  1. Tive uns probleminhas com o roteiro, principalmente em “focar” o amigo rebelde do Laser, achei-o desnecessário. Mas, o resto é aproveitável, principalmente o elenco, todos em boa sintonia. ;)

    • Mayara, não achei desnecessário. Acho que foi um personagem usado para mostrar um pouco do lado paternal do personagem de Mark Ruffalo, que recomenda ao Laser que não se envolva com pessoas como aquele delinquente em miniatura.

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