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Resenha Crítica | Direito de Amar (2009)

Mesmo protagonizado pelo respeitado britânico Colin Firth, aguardou-se com muitas suspeitas o longa-metragem “Direito de Amar”. Isto porque a produção marca a estreia de Tom Ford na direção. O americano é um dos estilistas mais famosos do mundo, mas trocar a indústria da moda pela indústria cinematográfica vai contra todas as expectativas. Eis que “Direito de Amar” chega ao público e com ele vai embora qualquer receio acumulado anteriormente, pois a adaptação do romance de Christopher Isherwood é feita com desvelo e segurança.

Em esplêndido desempenho, Colin Firth recebeu sua primeira indicação ao Oscar no papel de George, um professor universitário que acompanharemos por apenas um dia. Ao despertar, vemos a desolação estampada no rosto de George e os flashbacks mostrados ao longo da narrativa nos apresentam a razão deste homem querer se matar após mais um dia comum. É porque seu parceiro Jim (Matthew Goode, em participação marcante) foi vítima de um acidente de carro. A família de Jim claramente não aprovava o relacionamento dele com George, impossibilitando sua presença no enterro. Talvez na cena mais extraordinária do filme o sempre contido George desaba em lágrimas nos ombros de sua velha amiga Charley (Julianne Moore), uma tomada realizada tendo a chuva como única intervenção sonora.

O último dia de George consiste em encenar sua morte, encarar mais um dia de trabalho, carregar o tambor de sua arma, ver pela última vez Charley e ter como breve companhia o seu jovem aluno Kenny (papel de Nicholas Hoult). Entre esses acontecimentos cotidianos, alguns trechos dos momentos mais íntimos de George e Jim.

Passado no início da década de 1960 em Los Angeles, “Direito de Amar” usa um tom de crônica que é especial graças a um trabalho técnico primoroso. Circunstâncias aparentemente banais se revelam fortemente tristes quando acompanhadas pela melancólica composição de Abel Korzeniowski e um trabalho de fotografia do espanhol Eduard Grau (o mesmo de “Enterrado Vivo“) que traduz os olhares atenciosos e gentis de George com a instantânea saturação de cores, ganhando vida um percurso que, ironicamente, levará George à morte. Se este estado de contemplação sobre as pessoas e as coisas encontram um limite com uma reviravolta suavizada pelo excesso de planos usados por Tom Ford, “Direito de Amar” comove ao ressaltar o quanto a perda do verdadeiro amor é devastadora e o quanto continuar a viver pode ser tão compensador.

Título Original: A Single Man
Ano de Produção: 2009
Direção: Tom Ford
Roteiro: David Scearce e Tom Ford, baseado no romance de Christopher Isherwood
Elenco: Colin Firth, Julianne Moore, Nicholas Hoult, Matthew Goode, Jon Kortajarena, Paulette Lamori, Ryan Simpkins, Ginnifer Goodwin, Teddy Sears, Paul Butler, Aaron Sanders, Aline Weber, Keri Lynn Pratt, Adam Shapiro, Jon Hamm e Lee Pace

7 Comments

  1. Para mim, o melhor filme que eu assisti em 2010. Achei uma obra surpreendente e sensível. Extremamente bem dirigida pelo Tom Ford e brilhantemente atuada pelo Colin Firth. Um belo retrato do luto e da vontade de recomeçar a vida.

  2. Pretende e consegue ser perfeito visualmente, uma direção técnica excelente, atuações maravilhosas, mas um roteiro que não faz jus a tanto empenho. O final, que à parte poderia ser bonito, acaba sendo o momento mais tolo de todo o filme. Quanto mais penso em retrospectiva, mais o filme diminui em impacto. Ainda assim, 7/10 [4/5].

  3. […] complexo trabalho de iluminação é impecável. Mas surpreendente é o que Eduard Grau fez em “Direito de Amar“, uma realização dramática em tom de crônica que se destaca em materializar com tonalidades […]

  4. […] indicados: Andy Garcia (“Confusões em Família“) | Colin Firth (“Direito de Amar“) | Kurt Russell (“À Prova de Morte“) | Wagner Moura (“Tropa de Elite 2 – O Inimigo […]

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