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Resenha Crítica | Potiche – Esposa Troféu (2010)

Na década de 1970 ainda era comum as mulheres não terem autonomia em alguns campos. Profissionalmente, o sexo feminino era posto em uma situação desfavorável, com remuneração baixa para um trabalho que exigia o mesmo esforço que os homens. No cenário político a situação era ainda pior, apesar de estar em voga o direito de voto feminino. Ao lado do colombiano Rodrigo García, não há cineasta contemporâneo que compreenda melhor as mulheres do que o francês François Ozon e por isto é mais do que natural vê-lo como o responsável por um filme como “Potiche – Esposa Troféu”.

Ainda vigorosa aos sessenta e sete anos, Catherine Deneuve faz Suzanne Pujol, a esposa troféu do título. Embora seu falecido pai lhe tenha deixado uma empresa de guarda-chuvas, é o seu marido Robert (Fabrice Luchini) quem comanda o negócio, tendo a maior porcentagem das ações. Resta então a Suzanne ocupar as longas horas de seu dia praticando exercícios, cuidando da casa e fazendo anotações poéticas em seu caderno de bolso. Eis que uma greve armada pelos operários da fábrica acontece e Robert sofre um infarto causado pelo estresse, sobrando para Suzanne dirigir temporariamente a empresa da família. E não é que mudanças positivas começam a acontecer no lugar?

O argumento podia render um drama (como aconteceu recentemente em “Revolução em Dagenham”), mas François fez bem em adaptar livremente a peça de Jean-Pierre Grédy e Pierre Barillet como uma digna comédia de costumes. É de longe o trabalho mais leve de toda sua carreira, com tom convidativo vindo de alguns diálogos afiados do próprio Ozon e da bela recriação de época, onde se destaca especialmente os figurinos de Pascaline Chavanne (constante colaborador do cineasta). Por outro lado, com exceção do charme com que retrata uma mulher de idade como Suzanne, “Potiche – Esposa Troféu” acaba sendo límpido demais, bobinho demais. O filme também se beneficiaria mais sem dois momentos musicais presentes na narrativa, que não são o forte de Ozon e onde se vê o elenco claramente desconfortável.

Título Original: Potiche
Ano de Produção: 2010
Direção: François Ozon
Roteiro: François Ozon, baseado na peça de Jean-Pierre Grédy e Pierre Barillet
Elenco: Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Fabrice Luchini, Karin Viard, Judith Godrèche, Jérémie Renier, Évelyne Dandry, Bruno Lochet, Elodie Frégé, Gautier About, Jean-Baptiste Shelmerdine, Noam Charlier, Martin De Myttenaere, Yannick Schmitz, Christine Desodt e Sergi López
Cotação: 3 Stars

11 Comments

  1. Como fã de François Ozon, não me perdoo de ter perdido este filme quando ele passou no Festival de Cinema Francês Varilux, por aqui…. Não sei se terei mais a mesma chance….

    • Kamila, pior foi o meu caso, que nem sabia que o Varilux havia marcado presença aqui em Sampa. Também sou fã do cineasta e não considero sua obra ruim. Mas nós sempre lembramos de suas obras mais fortes e daí surge uma pontinha de decepção ao final de “Potiche”.

  2. Acho que o Ozon assume muito bem a veia kitsch e de comédi de costumes, por isso esse ar um tanto bobinho para a história. Na verdade, ele encontra leveza em meio aos conchavos políticos, intrigas de família e discussão do papel da mulher na sociedade. Um filme feminista mas sem moralismos.

    • Rafael, pois ainda acho que a razão do filme ser “bobinho” seja um grande problema. “8 Mulheres” só não funcionou melhor exatamente por isso. Gosto quando o cineasta lida com humor com mais astúcia, como visto em “Gotas D’Água em Pedras Escaldantes”, uma de suas grandes obras.

  3. Eu li vários comentários, alguns bons outros nem tanto … fiquei bem curioso com esse filme!

  4. […] 2012: “Espelho, Espelho Meu” Em 2011: “Potiche – Esposa Troféu“ Em 2010: “Alice no País das Maravilhas“ Em 2009: “Os Delírios de Consumo de Becky […]

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