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Resenha Crítica | O Homem do Futuro (2011)

Em seu quarto longa-metragem, Cláudio Torres parece reforçar a impressão que surgiu desde “Redentor” e transferida para “A Mulher do Meu Amigo” e “A Mulher Invisível“: o de preencher seus projetos com elementos suficientes para saciar o grande público. Pois é essa vontade que parece limitar este que é o filho de Fernanda Montenegro e Fernando Torres. Algo que se notou especialmente em “A Mulher Invisível” e agora em “O Homem do Futuro”, ambos com narrativas redundantes até dizer chega.

“O Homem do Futuro” até se mostra promissor em seus primeiros momentos, especialmente por investir em um gênero, ficção-científica, ainda pouco explorado por nosso cinema. Com competência habitual (ainda que fora de tom em um ou outro momento), Wagner Moura faz Zero, cientista obstinado em criar uma máquina capaz de levá-lo de volta ao passado e consertar um episódio traumático em sua formatura. Antes gago, Zero teve com Helena (Alinne Moraes), a garota dos seus sonhos, uma rápida relação e um dueto de “Tempo Perdido”, do “Legião Urbana”, feito com emoção. Seria o casal perfeito se ela não tivesse servido de peça para Ricardo (Gabriel Braga Nunes) arquitetar um plano para humilhar Zero em público.

Pois então Zero modifica seu passado e, como consequência, seu futuro também é alterado. Para a pior, como se esperava. É uma pena que, ao invés de explorar esta nova realidade de Zero ou desenvolver outras possibilidades, “O Homem do Futuro” apenas repita o tropeço já ensaiado em “A Mulher Invisível“. E lá vamos nós testemunhar a trama retroceder outra vez, com a intenção de preparar um destino mais razoável para o protagonista. Uma resolução no último ato tenta fazer de “O Homem do Futuro” um entretenimento mais esperto do que o habitual, mas só deixa o resultado ainda mais amargo.

Título Original: O Homem do Futuro
Ano de Produção: 2011
Direção: Cláudio Torres
Roteiro: Cláudio Torres
Elenco: Wagner Moura, Aline Moraes, Maria Luísa Mendonça, Fernando Ceylão, Gabriel Braga Nunes, Rodolfo Bottino, Gregório Duvivier, Jean Pierre Noher, Rogério Fróes e Lívia de Bueno

4 Comments

  1. Acho muito triste o caminho seguido pelo Cláudio Torres. Gosto muito de Redentor, um filme corajoso e inusitado dentro da produção nacional. Mas aí a coisa desanda bestialmente com A Mulher Invisível, e ainda com esse aqui. A ficção científica, que podia ser um atrativo maior, perde espaço para a comédia mais boboca, mais lugar-comum e caricata, para mim o grande problema do filme. Mas o povão gosta, né…

    E sim, gostei muito do novo visual do blog, limpo e mais opcional. Um dia o meu vai ser assim!

    • Rafael, admito não ter assistido com muito ânimo “Redentor”. Precisaria rever em algum momento, mas continuo carregando uma impressão muito negativa sobre este filme.

      Ah, e muito obrigado por ter aprovado o novo visual. Fiz a mudança pensando muito em todos vocês que passam por aqui. E não se preocupe, em algum momento você encontrará o layout que procura. ;-)

  2. igor igor

    esse cara nai sabe o que fala !

  3. […] e “Trabalhar Cansa” conseguiram, respectivamente, o segundo e terceiro lugar. “O Homem do Futuro“, nova investida do diretor Cláudio Torres, também não se saiu mal, atingindo média de […]

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