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Resenha Crítica | Cavalo de Guerra (2011)

Steven Spielberg é o primeiro nome que se vem em mente quando se discute cinema pipoca de qualidade. Afinal, fitas como os três primeiros da série “Indiana Jones” e “E.T. – O Extraterrestre” ainda rende fãs e influenciam outros projetos. É lamentável que o brilho desse grande cineasta venha perdendo força a cada novo filme realizado, algo que vem acontecendo desde “O Terminal” e que também lhe atinge em “Cavalo de Guerra”, drama que misteriosamente encabeça a lista de finalistas na categoria de Melhor Filme na mais recente edição do Oscar.

Spielberg ficou deslumbrado com o romance de Michael Morpurgo e a montagem teatral londrina, notória por seus cavalos em marionetes. A história começa na Dartmoor de 1914 focando o jovem Albert Narracott (o estreante Jeremy Irvine) obstinado em treinar Joey, cavalo comprado pelo seu pai Ted (Peter Mullan) num momento de orgulho e desespero. O animal, um puro-sangue, não é apropriado para realizar o pesado serviço na fazenda dos Narracott. Mesmo assim, Albert, que desenvolve com Joey um laço de lealdade, faz de tudo para superar as adversidades. Só é incapaz de mantê-lo com o estouro da Primeira Guerra Mundial.

É com ela que “Cavalo de Guerra” finalmente transforma Joey em protagonista da história, algo que permite todo um mapeamento daquele triste cenário. Uma vez não pertencendo mais a Albert, Joey cruza os caminhos do capitão Nicholls (Tom Hiddleston), dos irmãos desertores Gunther (David Kross) e Michael (Leonard Carow), a menina Emilie (Celine Buckens) e também do soldado inimigo Friedrich (Nicolas Bro).

Com a ligação de tantos personagens através de Joey, “Cavalo de Guerra” parece emitir um protesto a qualquer conflito. Na melhor sequência do filme, dois soldados inimigos se unem na Terra de Ninguém para removerem os arames farpados envoltos no cavalo Joey. Trata-se de uma clara apresentação da quão desnecessária e toda aquela batalha, de como todas as diferenças entre nós são esquecidas quando somos movidos por boas intenções. Lamentavelmente, a mensagem não surte efeito numa produção Disney que se preocupa em infantilizar todo o episódio. É exatamente aí que Spielberg pesa a mão, além de incluir um péssimo elenco juvenil desempenhando seus papéis da maneira mais afetada possível.

Título Original: War Horse
Ano de Produção: 2011
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: Lee Hall e Richard Curtis, baseado no romance “Cavalo de Guerra”, de Michael Morpurgo
Elenco: Jeremy Irvine, Peter Mullan, Emily Watson, Niels Arestrup, David Thewlis, Tom Hiddleston, Benedict Cumberbatch, Celine Buckens, Toby Kebbell, Patrick Kennedy, Leonard Carow, David Kross, Matt Milne, Robert Emms, Liam Cunningham, Sebastian Hülk, Irfan Hussein e Eddie Marsan
Cotação: 2 Stars

5 Comments

  1. Não senti tanto desprezo pelo filme. Concordo que realmente, sendo um filme Disney, certas partes foram infantis ou dramáticas demais. Porém, de qualquer forma o filme foi capaz de tocar e entreter a todos, principalmente ao observar a reação das pessoas ao assisti-lo. É isso que o cinema pode fazer e acredito que tenha sido essa a intenção de Spielberg. Quanto a indicação ao Oscar, essa é questionável, mas ao analisar os outros integrantes da lista de melhor filme percebe-se que fata critério na escolha desse ano… Gostei da resenha, mostra um ponto de vista muito válido. Parabéns.

    • Abreu, acredito que a partir do instante que um filme conseguiu tocar uma audiência ele já cumpriu grande parte do seu papel. No entanto, o mesmo não aconteceu comigo. Um outro filme recente do qual me deparei com muitos elogios emocionados e que não me envolveu nem um pouco foi “Flores do Oriente”. Mas assim somos nós, seres estranhos preenchidos de reações distintas para cada filme que assistimos, rs. Muito obrigado pelo elogio. Retorne mais vezes. ;-)

  2. […] (“Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”) ou obras esquálidas (“Munique”, “Cavalo de Guerra” e este […]

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