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Resenha Crítica | 12 Horas (2012)

Quando “12 Horas” chegou ao Brasil, Heitor Dhalia concedeu entrevistas para uma série de veículos. Para todos eles, Dhalia informou sobre as dificuldades e limitações que enfrentou nesta sua primeira vez em Hollywood. Em nenhum momento teve com “12 Horas” as mesmas liberdades artísticas que o guiaram nas produções de “Nina”, “O Cheiro do Ralo” e “À Deriva”: não pôde palpitar no roteiro, ensaiar com o elenco, tomar decisões na montagem e todas as outras regras que perseguem os conhecidos “diretores de aluguel”. Mesmo afirmando como válida a experiência internacional, sente-se que Heitor Dhalia foi muito duro com o material de “12 Horas”, atraindo publicidade negativa.

“12 Horas” é um filme que não oferece qualquer contribuição para o gênero que representa, mas a história acerca de Jill (Amanda Seyfried) tem seus momentos de autenticidade. Há aproximadamente dois anos, Jill foi a única que escapou das mãos de um assassino em série. Atualmente, parece superar a experiência traumatizante, sobretudo pelo apoio de sua irmã Molly (Emily Wickersham). Porém, o repentino desaparecimento de Molly fará Jill rapidamente deduzir que o serial killer que antes a sequestrou está de volta.

A partir do instante em que Jill procura pela polícia, a roteirista Allison Burnett (a mesma de “Sem Vestígios”) cria um jogo psicológico para o público, que passará a questionar a sanidade da protagonista. As autoridades afirmam que nenhum rastro do serial killer que Jill afirmou sequestrá-la foi encontrado e alguns episódios dramáticos em sua vida (como a morte dos pais) a tornaram emocionalmente desequilibrada. Os melhores momentos desse jogo são aqueles em que Jill interage com estranhos com intenção de reunir pistas para encontrar Molly antes que o assassino a mate. Ela inventa histórias de forma tão convincente que realmente acreditamos na possibilidade do assassino não existir, tornando o filme menos previsível do que o esperado.

Outro ponto a se considerar em “12 Horas” é que ele não cai na velha artimanha de transformar em suspeitos todos ao redor de Jill. Personagens secundários como o namorado de Molly (Sebastian Stan) ou o detetive com boas intenções (Wes Bentley) felizmente não são concebidos de maneira muito óbvia. Já os fãs de Heitor Dhalia devem ao menos reconhecê-lo através da parceria com o diretor de fotografia Michael Grady, acrescentando ao filme tons cinzentos que remetem ao trabalho do paulistano José Roberto Eliezer em “Nina”. Entretenimento satisfatório se assistido com expectativas moderadas.

Título Original: Gone
Ano de Produção: 2012
Direção Heitor Dhalia
Roteiro: Allison Burnett
Elenco: Amanda Seyfried, Jennifer Carpenter, Emily Wickersham, Wes Bentley, Sebastian Stan, Daniel Sunjata, Nick Searcy, Socratis Otto, Joel David Moore, Katherine Moennig, Michael Paré, Sam Upton, Ted Rooney, Erin Carufel, Amy Lawhorn, Susan Hess e Jeanine Jackson
Cotação: 3 Stars

9 Comments

  1. Compartilho de sua opinião, e até comentei sobre os mesmos pontos positivos em meu texto. Gosto ainda do final anticlimático, com uma resolução surpreendentemente rápida após uma longa sequência de suspense — certamente outro elemento inesperado nesse filme. Pena que tanta propaganda negativa tenha afastado o público.

  2. Marcelo Coldfer Marcelo Coldfer

    Dhalia mostra que tem pulso firme e coragem para dirigir fora de casa, mas o que tem de novo nesse filme mesmo? E o clímax final ? credo que assassino mais idiota!

    • Mas foi o que apontei na minha resenha: o filme não tem nada de novo. Ainda assim, acho que o filme cumpre o seu papel de forma eficaz.

  3. Cara, essa Amanda Seyfried está em todas, heim. Se bem que agora ela está descambando para projetos questionáveis (ok, ela nunca quis ser atriz de prestígio). Mas que você não detestou o filme, o que não deixa de ser uma opinião diferente sobre ele.

    • Junior, pois é. Não creio que ela esteja em seu melhor momento aqui (ela mostrou que tem muito potencial em “O Preço da Traição”, do grande Atom Egoyan), mas até que faz um trabalho decente como protagonista.

  4. Achei muito fraco, Alex, diria até mesmo dispensável, então entendo a frustração do Heitor Dhalia, que vem sempre entregando trabalhos tão fortes e autênticos.

    • Erika, acredito que o filme cumpriu o seu papel de entreter, mesmo que de maneira razoável. Vamos ver se Dhalia consegue outra vez trabalhar lá fora com a liberdade que ele sempre teve aqui no Brasil.

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