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Resenha Crítica | A Pele Que Habito (2011)

Após fazer uma tímida homenagem ao cinema com o drama “Abraços Partidos”, Pedro Almodóvar faz uma mudança radical em “A Pele Que Habito”. Na concepção do cineasta mais celebrado em toda a Espanha, trata-se de sua primeira inclusão no gênero terror. Claro que qualquer um que viu uma boa parcela de sua filmografia sabe que irá se deparar com uma obra que não respeita os elementos básicos do terror, embora existam ecos de “Frankenstein” no romance de Thierry Jonquet do qual “A Pele Que Habito” adapta.

Robert Ledgard (Antonio Banderas, em sua primeira parceria com Almodóvar desde “Ata-me”, de 1990) é um personagem que lembra o Henry Frankenstein de Mary Shelley, mas as suas ambições de criar uma criatura perfeita vêm de motivações ainda mais inacreditáveis. Vera Cruz (a excelente e linda Elena Anaya) é a “criatura” mantida sob vigilância diária em um cômodo da mansão de Robert. Logo descobrimos que ela é uma cobaia para um experimento de Robert que busca a pele humana perfeita.

Como toda boa trama de mistério, as dúvidas permeiam o espectador rapidamente. Afinal, o que tornou Robert uma pessoa tão obsessiva em desenvolver uma pele resistente até mesmo ao fogo? Vera é alguém que se voluntariou para este experimento? Por que Marília (Marisa Paredes), até certo ponto apresentada apenas como uma empregada de Robert, tem mais importância do que o esperado em toda essa história?

Antes de responder essas perguntas, Pedro Almodóvar preenche “A Pele que Habito” com as características autorais que o tornam célebre. Mesmo com o crescente clima de tensão do primeiro ato, o cineasta parece debochar da sua própria narrativa adicionando nela um humor peculiar, representado através da figura de Zeca (Roberto Álamo), o irmão fracassado de Robert.

Por outro lado, “A Pele que Habito” é aquele tipo de filme em que a maneira como sua história é contada é o mais importante do que qualquer outra coisa. Infelizmente, é exatamente nisto que Almodóvar erra feio. O flashback que invade todo o segundo ato de “A Pele que Habito” arruína tudo. Sem cadência, faz o espectador encontrar as respostas do mistério muito antes do desejado. Pena, pois a desconcertante conclusão merecia pertencer a um filme melhor.

Título Original: La piel que habito
Ano de Produção: 2011
Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Agustín Almodóvar e Pedro Almodóvar, baseado no romance “Tarântula”, de Thierry Jonquet
Elenco: Antonio Banderas, Elena Anaya, Marisa Paredes, Jan Cornet, Roberto Álamo, Eduard Fernández, José Luis Gómez, Blanca Suárez, Susi Sánchez, Bárbara Lennie, Fernando Cayo, Chema Ruiz, Ana Mena, Teresa Manresa e Buika
Cotação: 2 Stars

6 Comments

  1. Gostei desse retorno do Almodóvar. Ele estava devendo um grande filme, principalmente depois da reciclagem que foi “Abraços Partidos”. “A Pele Que Habito”, na minha opinião, é um dos melhores filmes da carreira do diretor: ousado e extremamente original. Por outro lado, compreendo completamente quem não aprecia o filme =)

    • Não sou muito fã de “Volver”. Assim, continuo no aguardo de uma obra tão forte quanto “Má Educação”.

  2. Enfim um comentário negativo sobre a Pele, claro que discordo, pra mim um dos melhores filmes do Almodovar, e um dos 5 do ano.

  3. Marcelo Coldfer Marcelo Coldfer

    A pele que habito entrou numa listinha dos dez melhores do ano passado, apesar de 2011 ter sido razoável para o cinema. Eu curti o desenvolvimento da trama. O mistério como você disse é desvendado bem antes sim, mas eu achei tudo tão viajandão que eu tive que agradecer Almodóvar por mais esse filme. Aliás desde Má Educação ele não me impressionava tanto.

    • 2011 foi um ano repleto de decepções. Ainda assim, foi um ano acima da média, uma vez que houve ao menos quatro filmes que considerei excelentes. Se não fosse aquele longo flashback mal executado tenho certeza de que iria gostar do filme.

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