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Virgínia

Talvez alguns não saibam que muito antes de realizar filmes como “O Poderoso Chefão” e “Apocalipse Now”, considerada duas obras-primas do cinema, Francis Ford Coppola deu os seus primeiros passos dirigindo filmes B de horror. “Demência 13”, produção que custou apenas 30 mil dólares, representa um desses passos. Não é surpresa que Coppola volte ao gênero que o lançou nesta fase de sua carreira: está dirigindo cada vez menos e desde “Drácula de Bram Stoker” que é incapaz de entregar um filme excelente.

O espírito de filme B em “Virgínia” é logo imprimido na escolha de seu protagonista, Val Kilmer, atualmente associado a fitas cafajestes lançadas para o mercado de homevideo e com uma aparência bem distante daquela de galã que conquistou o coração de tantas pessoas nos anos 1990 em filmes como “The Doors” e “Batman Eternamente”. Ele é Hall Baltimore, um escritor em decadência que vai promover o seu mais recente romance em uma livraria/mercadinho de uma cidade minúscula que tem ao menos três atrativos: uma torre com sete relógios que misteriosamente mostram horários desiguais, um pequeno alojamento em que Edgar Allan Poe aparentemente se hospedou em um momento de sua vida e uma lenda de crianças que foram assassinadas em um ritual macabro.

Após uma noite em que sonha com Edgar Allan Poe (vivido de maneira impecável por Ben Chaplin) e com uma das vítimas do massacre, V (Elle Fanning, atriz da qual Francis Ford Coppola pegou emprestado de sua filha Sofia após “Um Lugar Qualquer”), Hall acorda inspirado para escrever um romance sobre vampiros. Diz para a esposa (Joanne Whalley) que adiará o seu retorno para casa e solicita um adiantamento para seu editor (David Paymer) para começar a pesquisa em parceria com o xerife Bobby LaGrange (Bruce Dern). O problema é que Hall consegue conexão com as histórias macabras da cidade apenas ao dormir, conseguindo habitar um universo sobrenatural que poderá lhe trazer lembranças desagradáveis (ele perdeu a sua única filha em um acidente) e colocar sua própria vida em risco.

O cineasta, que exibiu “Virgínia” em formato 3D em alguns festivais de cinema, traduz os sonhos de Hall com imagens impressionantes, com atmosfera gótica e presença de Edgar Allan Poe que seduzem o espectador. O erro está concentrado no texto, que navega por gêneros e estilos sem a menor sutileza. “Virgínia” é um filme de terror assumido, mas há passagens que vão da comédia (os letreiros finais são impagáveis) ao puro trash (o aparelho odontológico que salta em direção do protagonista quando um personagem se transforma em vampiro). Com a carreira que tem, Francis Ford Coppola não pode se dar ao luxo de fazer um filme em que há tantas incertezas.

Título Original: Twixt
Ano de Produção: 2011
Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: Francis Ford Coppola
Elenco: Val Kilmer, Bruce Dern, Elle Fanning, Ben Chaplin, Joanne Whalley, David Paymer, Anthony Fusco, Alden Ehrenreich, Bruce A. Miroglio, Don Novello, Ryan Simpkins, Lucas Rice Jordan, Fiona Medaris, Katie Crom e narração de Tom Waits

2 Comments

  1. Queria muito, muito ver esse filme no cinema. Mas vá lá, acho que temos é sorte do Coppola continuar produzindo, e nessa pegada mais alternativa mesmo.

    • Rafael, eu estou achando que este filme jamais chegará por aqui. Provavelmente repetirá a mesma situação de “Velha Juventude”, que foi exibido em um ou outro festival daqui e sequer ganhou um lançamento direto em DVD.

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