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Resenha Crítica | Um Método Perigoso

Um Método Perigoso | A Dangerous MethodEmbora David Cronenberg tenha construído uma filmografia que tenta compreender as obscuridades do ser humano, causa estranheza ver o seu nome associado a “Um Método Perigoso”. Primeiro porque se trata de uma produção de época. Segundo porque o roteiro é escrito por Christopher Hampton, cujos textos garantem uma encenação formal – “Um Método Perigoso” foi levado ao teatro em 2002.

Em “Um Método Perigoso”, visualizamos o início e fim da amizade entre Carl Jung (Michael Fassbender) e Sigmund Freud (Viggo Mortensen, indicado ao Globo de Ouro pelo papel), psicanalistas de lados opostos quanto ao que defendiam sobre o que moldava o inconsciente humano. Mais do que as divergências diante do tema, houve um pivô que decretou o rompimento entre Jung e Freud. Trata-se de Sabina Spielrein (Keira Knightley), paciente russa que sofre de histeria. Jung decide tratá-la recorrendo ao método de cura pela fala, desenvolvida por Freud. Uma vez recuperada, Jung vai ao encontro de Freud expondo motivações que o direcionarão a estudar a psique humana através de bases das quais ele desaprova.

David Cronenberg consegue extrair boas performances do elenco. Enquanto Michael Fassbender e Viggo Mortensen lidam com diálogos difíceis, Keira Knightley convence como Sabina, uma jovem perturbadora que se converte em pupila de Jung. Porém, o grande destaque é Vincent Cassel, que vive o psiquiatra esquizofrênico Otto e um breve contraponto a Jung e Freud.

Por outro lado, a exposição de tantos pontos de vista conflitantes resulta em um filme exaustivo de se acompanhar e incapaz de se aproximar da genialidade de Carl Jung e Sigmund Freud. Afeito a obras que mostram a desconstrução de seus protagonistas de modo visual, Cronenberg não é bem-sucedido ao fazê-lo de modo verbalizado.

Título Original: A Dangerous Method
Ano de Produção: 2011
Direção: David Cronenberg
Roteiro: Christopher Hampton
Elenco: Michael Fassbender, Viggo Mortensen, Keira Knightley, Vincent Cassel, Sarah Gadon, André Hennicke, Arndt Schwering-Sohnrey, Mignon Remé, Wladimir Matuchin, Katharina Palm, Theo Meller, Andrea Magro e Aaron Keller

4 Comments

  1. Minha maior bronca com esse filme é que me soa sem tesão, sem vontade. Tem uma fragmentação narrativa que não deixa as histórias se desenvolverem muito bem, é tudo muito rápido. Parece-me interessante que, nesse ponto de de sua filmografia, o Cronenberg se debruce sobre a psicanálise, uma vez que é interessante aplicá-la em seus outros filmes para entender como o ser humano lida e se interessa pela dor e pelo grotesco. Mas como estudo da vida dessas duas grandes personalidades, o filme é muito sem sal.

    • Rafael, concordo plenamente com o seu comentário. Você resumiu o que exatamente me incomodou em “Um Método Perigoso”. Espero que Cronenberg volte a fazer filmes vibrantes como “Senhores do Crime”, a melhor obra da fase contemporânea de sua filmografia.

  2. Eu faço parte da turma que defende UM MÉTODO PERIGOSO. Achei o filme excelente, e sobre a união de roteirista teatral com diretor essencialmente cinematográfico, ao meu ver foi uma ousadia que deu muito certo. O elenco todo está muito bem.
    Aliás, o Cronenberg está de parabéns porque além deste fez COSMOPOLIS – dois grandes filmes em sequência.
    Abraços!

    • Weiner, já eu considero “Um Método Perigoso” e “Cosmópolis” duas decepções na carreira do diretor. Aguardava por obras vibrantes e o resultado foi histórias que causam indiferença. Um abraço.

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