Skip to content

Resenha Crítica | Lincoln (2012)

LincolnA 13ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos foi responsável por abolir a escravatura nos Estados Unidos em 1965. Proibindo a escravidão e o trabalho forçado em todo o país, a população negra finalmente se viu livre, embora o preconceito ainda seja um problema que se alastra na sociedade contemporânea. O feito histórico e político só se tornou possível pela insistência de Abraham Lincoln em obter o maior número possível de votos a favor da 13ª Emenda. A conquista é esmiuçada na biografia assinada por Doris Kearns Goodwin e Steven Spielberg prefere dar ênfase a este episódio a realizar uma cinebiografia convencional sobre a vida e a morte do 16° presidente dos Estados Unidos.

Recordista em indicações ao Oscar 2013, “Lincoln” aparece ocupando uma vaga de 12 categorias distintas. Nada mais que o esperado para uma produção feita aos moldes da Academia, que sempre confere reconhecimento anual ao menos a uma produção quadrada. Mais um ponto negativo para Steven Spielberg, que há tempos deve uma produção à altura do talento que conferiu em obras-primas do cinema oitentista e noventista e que hoje se contenta em moldar blockbusters de quinta categoria (“Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”) ou obras esquálidas (“Munique”, “Cavalo de Guerra” e este “Lincoln”).

Assim, temos um drama que na maior parte do tempo é ambientado em um tribunal em que muitos dos interesses de Lincoln são defendidos por Thaddeus Stevens (Tommy Lee Jones), membro do Partido Republicano que tem como oponente Fernando Wood (Lee Pace), membro do Partido Democrata que se mostra veementemente contra a abolição da escravatura. Inaugurado este conflito, um lado buscará aliados para votar a favor da 13ª Emenda enquanto o outro persuade através de ameaças.

Na composição do irlandês Daniel Day-Lewis, Lincoln é firme em múltiplas ocasiões. É o marido que dá forças à esposa (Sally Field) para superar o luto pelo filho morto precocemente, o pai que impede o ingresso do filho (Joseph Gordon-Levitt) em uma guerra que não visualiza sentido, o presidente que anseia por uma nação sem brechas para desigualdade e o indivíduo silencioso que reflete sobre todas essas e outras responsabilidades que pesam sobre os seus ombros. A falha de Spielberg é filmar este Abraham Lincoln não como um ser humano, mas como um deus, abusando de contraluzes e ângulos baixos que apenas nos distanciam do personagem e, inevitavelmente, do relato das mudanças marcadas em seu governo que ajudaram a construir a América de hoje.

Título Original: Lincoln
Ano de Produção: 2012
Direção: Steven Spielberg
Roteiro: John Logan, baseado no livro de Doris Kearns Goodwin
Elenco: Daniel Day-Lewis, Sally Field, Tommy Lee Jones, Joseph Gordon-Levitt, Michael Stuhlbarg, Jackie Earle Haley, Gloria Reuben, Adam Driver, Jared Harris, James Spader, Lee Pace, Gulliver McGrath, Walton Goggins, John Hawkes, David Strathairn, David Oyelowo, Hal Holbrook, Tim Blake Nelson, Bruce McGill, Joseph Cross, Julie White, Elizabeth Marvel, S. Epatha Merkerson, Gregory Itzin, David Costabile, David Warshofsky, Wayne Duvall e Jeremy Strong

One Comment

  1. “Lincoln” é um grande filme, sem dúvida alguma, especialmente do ponto de vista técnico. Porém, o que chama a atenção na obra é o retrato anticlimático e frio que o Steven Spielberg (um diretor conhecido pela emoção com que retrata suas histórias) mostra um dos capítulos mais interessantes e fundamentais da história dos Estados Unidos. Achei o Daniel Day-Lewis muito burocrático. Preferi muito mais a Sally Field e o Tommy Lee Jones.

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: