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Resenha Crítica | O Lado Bom da Vida (2012)

O Lado Bom da Vida | Silver Linings PlaybookEm “O Vencedor”, o diretor David O. Russell criou um ótimo drama em que as desavenças de uma família em frangalhos eram mais fundamentais do que os conflitos do protagonista interpretado por Mark Wahlberg nos ringues. Este tema continua perseguindo David O. Russell em seu novo filme, “O Lado Bom da Vida”, em que ele parece trabalhá-lo de maneira ainda mais especial. Isto porque David O. Russell é pai de um jovem bipolar e com TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo).

Adaptar o romance homônimo de Matthew Quick, cujos direitos foram comprados antes de sua chegada às livrarias, lhe caiu com uma luva. Pat (Bradley Cooper, que finalmente amadurece como ator) esteve em uma clínica de recuperação por oito meses. Ao flagrar sua esposa Nikki (Brea Bee) com outro homem no chuveiro de sua própria residência, Pat, então um professor tranquilo, perde totalmente o controle. Sua mãe Dolores (a ótima australiana Jacki Weaver, num papel em que infelizmente vai perdendo espaço ao longo da história) é quem vai tirá-lo da clínica, mas ainda existe o receio de Pat perder o controle de suas próprias emoções, pois ele não consegue deletar Nikki dos seus pensamentos.

Seu pai (papel de Robert De Niro), ele mesmo um indivíduo com TOC, dá toda a atenção necessária, mas Pat só deve superar o recente episódio de sua vida ao conhecer Tiffany (Jennifer Lawrence), uma garota com quem cria uma estranha sintonia. Tiffany também tem os seus dramas particulares. Ela enviuvou cedo demais e reverteu o estado de luto ao transar com todos os homens do seu último emprego. Aconselhado pelo seu terapeuta (Anupam Kher), Pat decide ter um relacionamento amigável com Tiffany, que promete ajudá-lo a contatar Nikki se em troca ele formar o seu par para um concurso de dança.

O aspecto mais fascinante de “O Lado Bom da Vida” é como David O. Russell consegue mergulhar fundo na personalidade de personagens tão disfuncionais. Do início ao fim, esta comédia é tomada por uma inquietação quase frenética. “O Lado Bom da Vida” literalmente não para, sempre há energia correndo por suas veias. Crédito para a dupla de montadores Crispin Struthers e Jay Cassidy, que conferiram dinâmica à uma narrativa que poderia resultar convencional nas mãos de outros profissionais.

O resultado alcançado por “O Lado Bom da Vida” tem inaugurado uma série de reclamações contra o filme, que carrega o peso da alcunha “Indicado ao Oscar” – ao todo, o filme concorre em oito categorias e é o primeiro desde “Reds” a ter todas as categorias de interpretações com uma vaga preenchida. Porém, como já disse a realizadora de “Sob o Sol da Toscana”, Audrey Wells, a comédia, especificamente a humana, não tem como escapar de uma conclusão previsível. O diferencial são os meios que um contador de história chega até ela. Isto se aplica a “O Lado Bom da Vida”, um filme que celebra a anormalidade de seus personagens centrais em um clímax inesquecível.

Título Original: Silver Linings Playbook
Ano de Produção: 2012
Direção: David O. Russell
Roteiro: David O. Russell, baseado no romance homônimo de Matthew Quick
Elenco: Bradley Cooper , Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Julia Stiles, Jacki Weaver, Chris Tucker, John Ortiz, Shea Whigham, Dash Mihok, Anupam Kher, Montana Marks, Bonnie Aarons, Romina, Jessica Czop, Paul Herman, Matthew James Gulbranson, Jeni Miller, Luisa Diaz, Patrick McDade e Brea Bee

4 Comments

  1. […] da celebração com “O Vencedor” e “O Lado Bom da Vida”, o diretor David O. Russell realizou “Nailed”, uma comédia protagonizada por Jessica Biel e […]

  2. […] Após participar da extensa temporada de premiações cinematográficas com “O Lado Bom da Vida“, o cineasta americano correu para as locações setentistas de Massachusetts para […]

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