Vai que dá Certo

Vai que dá Certo

Uma das principais mentes criativas por trás do seriado “A Grande Família”, Maurício Farias compreende muito bem o cotidiano de todos aqueles que pertencem à classe média baixa brasileira. Afinal, não há nada ainda em exibição na emissora Globo que seja tão divertido e autêntico quanto as confusões que a família liderada por Lineu e Nenê (Marco Nanini e Marieta Severo) se mete pela falta de dinheiro e desentendimentos triviais. Por tudo isso, o nome de Maurício Farias como diretor de “Vai que dá Certo” é sem dúvida aquilo que assegura a irreverência da comédia.

Amigos de longa data, Rodrigo (Danton Mello), os irmãos Amaral e Tonico (respectivamente, Fábio Porchat e Felipe Abib) e Vaguinho (Gregório Duvivier, o melhor do elenco) sempre marcam uma partida de futebol e decidem emendá-la em uma festa promovida por Paulo (Bruno Mazzeo), que atua no ramo político. Quase trintão, o quarteto parece ter ficado preso na pós-adolescência. Nenhum deles tem um emprego bem-sucedido e a falta de dinheiro é um problema que parece jamais encontrar uma solução.

Demitido do bar em que trabalha como músico, chutado pela companheira do apartamento em que vive e com um carro levado por um bandido pé-de-chinelo, Rodrigo cansou de sua vida. Talvez por isso seja facilmente manipulado por Danilo (Lúcio Mauro Filho, que vive Tuco em “A Grande Família”), primo que trabalha como monitorador de carro-forte e que também vive na pindaíba. Contando com os auxílios de Amaral, Tonico e Vaguinho, Danilo e Rodrigo elaboram um plano que consiste em forjar o sequestro de Danilo e levar uma grana da transportadora para a qual ele trabalha.

O acerto no roteiro de “Vai que dá Certo”, que é escrito por Farias, Porchat e Alexandre Morcilo, está em criar certa expectativa com o que acontecerá com a trupe, pois absolutamente nada sai como o planejado.  De uma hora para a outra, eles se vêm envolvidos com traficantes, policiais corruptos e outras pessoas conhecidas que sequer estavam envolvidas no plano original, como a amiga Jaqueline (Natália Lage, que se destaca no único grande papel feminino da história) e Altamiro (Lúcio Mauro), avô de Danilo acometido pelo Alzheimer. Prepare-se para um raro exemplar cômico do cinema brasileiro contemporâneo que extrai a nossa risada pelo motivo correto: a empatia que temos com personagens gente como a gente e suas inúmeras tentativas de pegarem atalhos para se darem bem em uma sociedade capitalista.

Vai que dá Certo, 2013 | Dirigido por Maurício Farias | Roteiro de Alexandre Morcilo, Fábio Porchat e Maurício Farias | Elenco: Danton Mello, Lúcio Mauro Filho, Fábio Porchat, Gregório Duvivier, Felipe Abib, Natália Lage, Bruno Mazzeo, Lúcio Mauro e Roney Facchini | Distribuidora: Imagem Filmes

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

1 Comentário em Vai que dá Certo

  1. Estou meio cansada dessas comédias nacionais. De uma certa maneira, esses filmes sempre repetem as mesmas fórmulas de sempre… Porém, seu texto me surpreendeu muito. Se tiver a chance, tentarei assistir a “Vai que dá Certo”.

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  1. Minha Mãe é uma Peça – O Filme | Cine Resenhas
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