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10 Filmes Sobre Jornalismo

Filmes Sobre Jornalismo

Ainda há muitas pessoas que possuem uma visão equivocada sobre o Jornalismo. Em tempos em que a moda é espalhar a própria imagem para todos os cantos, há essa crença de que é glamouroso aparecer na tevê, em canal no Youtube que recebe muitas visitas diárias ou imprimir a própria assinatura em um artigo compartilhado milhares de vezes. Porém, a realidade da profissão se revela cruel.

Horas de sono acumulado, muito fôlego para a realização de atividades em campo, a exposição da própria integridade física e psicológica ao cobrir um acontecimento arriscado e a longa jornada para o reconhecimento são alguns dos ingredientes que devem ser consumidos para ser um jornalista bem-sucedido. Aqueles que estiverem dispostos a aceitar essa missão árdua, porém, poderão ser recompensados com o privilégio de assumir o dever de formar opiniões e ser o principal emissor de informações para a sociedade sobre tudo aquilo que a cerca.

Na seleção que preparamos abaixo, há dez filmes que, cada um a seu modo, oferece uma amostra sobre como o que é ser um jornalista em inúmeros campos de atuação e sobre as inúmeras implicações éticas envolvidas.

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Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, de Niels Arden Oplev (Män som hatar kvinnor, 2009)
Além de ter criado uma trilogia literária de tirar o fôlego, o sueco Stieg Larsson consegue com “Millennium” animar qualquer profissional do ramo investigativo que sacrifica a própria segurança ao denunciar as mazelas da sociedade. Dono de um caráter incorruptível, Mikael Blomkvist (Sven-Bertil Taube) é editor da Millenium, revista mensal dedicada em cobrir casos de violência contra a mulher, corrupção e demais crimes que transformam a Suécia em uma zona de perigo. Acusado de difamação após publicar fatos vindos de uma fonte anônima sobre Wennerström (Stefan Sauk), responsável por um grupo industrial bilionário, Blomkvist deverá enfrentar a prisão em breve. Sem nada o que fazer para reverter a situação, ele aceita uma oferta irrecusável de Henrik Vanger (Sven-Bertil Taube), ricaço que até o momento não tem qualquer informação sobre uma sobrinha que desapareceu há mais de 50 anos. Uma das mais fascinantes personagens da ficção contemporânea, a hacker antissocial Lisbeth Salander (Noomi Rapace) cruzará o caminho de Blomkvist de forma inusitada e o auxiliará na tarefa.

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Faces da VerdadeFaces da Verdade, de Rod Lurie (Nothing But the Truth, 2008)
Talvez não haja nenhum filme mais contundente a tratar sobre sigilo de fonte do que “Faces da Verdade”, excelente thriller dirigido por Rod Lurie lamentavelmente ignorado em seu lançamento. No melhor desempenho de sua carreira, Kate Beckinsale vive Rachel Armstrong, ambiciosa jornalista, esposa e mãe que publica uma matéria que relata o atentado do qual o presidente americano foi vítima e o contra-ataque a bases militares da Venezuela motivado por evidências discutíveis. Rachel é imediatamente reconhecida como uma profissional brilhante, mas não demora a pagar as consequências por divulgar informações sigilosas que não somente revelam a identidade de uma agente secreta da CIA (Vera Farmiga) como também a convertem como uma ameaça à Segurança Nacional. Ao não revelar sua fonte, Rachel é presa e desafiada por um dilema: deverá ferir sua ética profissional ou mantê-la ao ponto de desestruturar sua própria família?

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O Diabo Veste PradaO Diabo Veste Prada, de David Frankel (The Devil Wears Prada, 2006)
Mesmo que esta adaptação para o cinema do livro de Lauren Weisberger seja comprometida com alguns vícios oriundos das comédias românticas sem personalidade, assistir a “O Diabo Veste Prada” oferece uma perspectiva crível para os profissionais em início de carreira. Andrea Sachs (Anne Hathaway) é uma jornalista formada em busca de um emprego em um grande veículo nova-iorquino. No entanto, depara-se com o desafio que poucos enfrentariam de trabalhar como assistente da megera Miranda Priestly (Meryl Streep), que dirige com mão de ferro a revista de moda Runway. A experiência é válida, mas árdua: Andrea terá de abdicar de sua vida particular e se transformar em alguém que nunca foi para atender aos caprichos de Miranda e finalmente ascender profissionalmente.

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CapoteCapote, de Bennett Miller (idem, 2005)
Responsável por “A Harpa de Ervas” e “Bonequinha de Luxo”, Truman Capote é também autor de “A Sangue Frio”, livro que inaugurou um novo gênero literário: o romance de não-ficção. O processo de criação dessa obra publicada em 1966 é dissecado em “Capote”, produção que foca o relacionamento do escritor (vivido por Philip Seymour Hoffman, vencedor do Oscar pela interpretação) com Perry Smith (Clifton Collins Jr.), ex-presidiário acusado junto com o seu amigo Dick (Mark Pellegrino) por ter assassinado uma família de fazendeiros do Kansas. Com a companhia de sua amiga Nelle Harper Lee (Catherine Keener), que mais tarde publicaria o sucesso “O Sol É Para Todos”, Capote inicialmente visita Kansas com a intenção de escrever um artigo sobre o crime. Avaliando o material bruto de sua pesquisa, decide que o melhor a fazer é transformá-lo em um livro. Astucioso com as artimanhas que aplica para receber as informações que deseja, Capote cai na armadilha que buscou evitar: o envolvimento emocional extremo com a história e os personagens reais que o inspiraram. Não à toa, “A Sangue Frio” representa o último romance publicado por Capote.

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A Vida de David GaleA Vida de David Gale, de Alan Parker (The Life of David Gale, 2003)
Embora o cineasta Alan Parker, ancorado pelo roteiro de Charles Randolph, tome medidas extremas ao expor sua perspectiva sobre a pena de morte, não há como negar que “A Vida de David Gale” é um grande filme sobre todas as polêmicas que cercam essa sentença ainda aplicada entre países dominados por sistemas políticos democráticos. Outro aspecto interessante em “A Vida de David Gale” está no fato de que nem sempre um jornalista está sob o controle de sua reportagem, ao contrário do que sempre se supõe. Interpretada por Kate Winslet, a jornalista Bitsey Bloom é a visão imparcial que guiará o espectador dentro do caso David Gale (Kevin Spacey), um exemplo notável de homem íntegro que está no corredor da morte após ser acusado pelo assassinato de sua melhor amiga (Laura Linney) que tinha leucemia. Diante de suas conversas com Gale, Bitsey nota que há muitas lacunas não preenchidas em sua história. Assim, correrá contra o tempo para localizar provas que possam inocentá-lo.

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O Custo da CoragemO Custo da Coragem, de Joel Schumacher (Veronica Guerin, 2003)
“O Custo da Coragem” é um filme essencial para qualquer pessoa que deseja atuar como jornalista. E a razão é uma só: Veronica Guerin. Jornalista investigativa, Guerin é a prova de que nunca é tarde demais para ingressar a profissão (começou a atuar no ramo aos 30 anos de idade) e também de que a determinação de um único indivíduo é capaz de mover montanhas. Em extraordinária interpretação indicada ao Globo de Ouro, Cate Blanchett vive Veronica Guerin no período em que ela investiga avidamente os responsáveis pela distribuição de drogas em Dublin, na Irlanda, durante a década de 1990. As constantes ameaças só fortalecem a força desta mulher hoje considerada uma verdadeira heroína. Joan Allen já havia protagonizado a mesma história em “Alto Risco”. No entanto, temos esta versão dirigida por Joel Schumacher como a mais expressiva sobre Veronica Guerin.

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O Preço de uma VerdadeO Preço de uma Verdade, de Billy Ray (Shattered Glass, 2003)
Durante os anos 1990, o Jornalismo encontrou um jovem profissional brilhante: Stephen Glass. Assinou matérias da Rolling Stone e Harper’s Magazine e se viu no ápice de sua carreira ao assumir uma vaga na redação da The New Republic. Queridinho dos colegas de trabalho, Glass testemunha as coisas mudarem quando o seu chefe Michael Kelly (Hank Azaria) é substituído pelo implacável Charles Lane (Peter Sarsgaard), que não vê com bons olhos toda essa bajulação em cima dele. Quando o convívio entre ambos se estreita, vem a bomba: existe a possibilidade de Glass ter inventado todos os seus artigos mais populares. Com excelentes interpretações de todo o elenco e cuidadosa direção de Billy Ray, “O Preço de uma Verdade” é um ótimo filme sobre ética jornalística e as consequências enfrentadas quando um profissional decide ir longe demais em troca de prestígio.

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ChicagoChicago, de Rob Marshall (idem, 2002)
Vencedor de seis Oscars, “Chicago” é uma verdadeira homenagem ao trabalho de Bob Fosse, mas apresenta um interessante panorama sobre o jornalismo diante de números musicais em que duas mulheres encontram na criminalidade o atalho para alcançarem a fama, algo possível com a propagação de seus nomes na mídia impressa. Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones, Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante) é a materialização exata do modelo que Roxie Hart (Renée Zellweger) sempre visualizou de verdadeira estrela de cabaré. Os papéis de ídolo e fã sofrerão modificações quando ambas se encontram em uma prisão feminina em Chicago após matarem os homens que as traíram. Para escapar da situação, Roxie segue à risca a tagline do cartaz de “Chicago”: “Se você não alcançar a fama, seja infame.”. Portanto, recorre ao advogado galanteador Billy Flynn (Richard Gere), que fará de tudo para que Roxie seja o principal interesse de Mary Sunshine (Christine Baranski), jornalista especializada em matérias sensacionalistas.

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Quase FamososQuase Famosos, de Cameron Crowe (Almost Famous, 2000)
Reconhecido como um cineasta que seleciona a dedo as músicas para embalar cada uma de suas histórias, Cameron Crowe se supera em “Quase Famosos”. O motivo? O longa-metragem ambientado nos anos 1970 que revelou Kate Hudson ao mundo é semi-biográfico. Alter ego do cineasta, William Miller (Patrick Fugit) é um aspirante a jornalista que ainda adolescente consegue descolar um trabalho na revista Rolling Stone. Sua missão é escrever um artigo sobre a banda em ascensão “Stillwater”, liderada pelo vocalista Jeff Bebe (Jason Lee). No típico universo “sexo, drogas e rock n’ roll”, Willliam enfrentará as pressões tanto da profissão quanto de sua mãe conservadora Elaine (Frances McDormand). Tendo se tornado editor da Rolling Stone pouco tempo após essa experiência, Cameron Crowe desistiu de tudo para trabalhar no cinema. Com “Quase Famosos”, relembra os bons tempos em que o rock estava em seu ápice (“Stillwater” é uma versão fictícia do “Led Zeppelin”) e não deixa de evidenciar o jornalismo como um meio de desmitificar ídolos.

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Bem-vindo a SarajevoBem-vindo a Sarajevo, de Michael Winterbottom (Welcome to Sarajevo, 1997)
O britânico Michael Winterbottom dirige um filme por ano desde que inicou sua carreira em meados da década retrasada. No entanto, é raro ele acertar em cheio. Uma exceção é o drama de guerra “Bem-vindo a Sarajevo”. Baseado no livro homônimo de Michael Nicholson, a produção apresenta Stephen Dillane interpretando sua versão fictícia, um jornalista que cobrirá o início da Guerra da Bósnia em Sarajevo. Com a companhia do jornalista americano Flynn (Woody Harrelson), Michael arrisca a própria vida para conseguir suas reportagens diárias. As coisas se complicam ainda mais quando se vê sensibilizado por Emira (Emira Nusevic), órfã da qual decide levar ilegalmente para a Inglaterra. Além de ser um dos registros mais válidos de um conflito não tão distante que dizimou milhares de pessoas, “Bem-vindo a Sarajevo” também apresenta a difícil jornada de repórteres de guerra, uma missão que não oferece qualquer garantia de retorno ao lar.

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3 Comments

  1. Excelente seleção, Alex. Dos filmes citados, só não assisti ainda a “Faces da Verdade”, que tenho muita vontade de conferir.

  2. Fabio Rockenbach Fabio Rockenbach

    Beleza Alex!!
    Minha monografia em 2008 foi sobre criação de representações do jornalista no cinema. Usei 15 filmes, selecionados de uma amostra inicial de 60 – e esses vieram de uma lista de mais de 500. Tem muita coisa boa sobre o tema no cinema com diferentes visões, como você comentou.
    Usei, entre outros, No silêncio da Cidade, O tempo é uma ilusão (ótimo, sobre um jornalista que sempre recebe em casa o jornal do dia seguinte), A primeira página, Sob Fogo Cerrado, Correspondente Estrangeiro, do Hitchcock, A trama, Síndrome da China, Gritos do Silêncio, O Informante, Todos os homens do presidente, Embriaguez do Sucesso…
    Dá muito pano pra manga…

    Abraço!

  3. A lista é bacana, mas eu citaria “O Informante”, “A Montanha dos Sete Abutres”, “Todos os Homens do Presidente”, “Boa Noite e Boa Sorte”, “Síndrome da China”.

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