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Resenha Crítica | Somos o que Somos

Somos o que Somos | We Are What We Are

37ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Aos poucos os aficionados pelo terror, gênero lamentavelmente preterido na programação da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, ajudam a promover a carreira de nomes que futuramente devem ocupar as cadeiras de mestres como John Carpenter e Dario Argento. Já em seu terceiro longa-metragem, Jim Mickle se confirma como um diretor interessado em dar uma roupagem clássica para histórias contemporâneas, obtendo um êxito confirmado com pouca frequência em outros exemplares.

Antes cameraman em produções pouco vistas, Jim Mickle visualizou a oportunidade de debutar como diretor de longa-metragem em “Mulberry Street – Infecção em Nova York”, um dos títulos do pacote 2007 da After Dark Horrorfest. Saiu-se muito melhor em “Stake Land – Anoitecer Violento”, horror em que imagina um mundo pós-apocalíptico tomado por vampiros, e agora em “Somos o que Somos”, que teve uma única exibição a meia-noite na Mostra e que em breve ganhará o circuito comercial pela Esfera Filmes.

Refilmagem do mexicano homônimo dirigido por Jorge Michel Grau em 2010, a história inicia com a morte da matriarca da família Parker (Kassie Wesley DePaiva) após passar mal e bater a cabeça em um cano de ferro no estacionamento de um mercado. A perda atinge terrivelmente Frank (Bill Sage), que agora terá três filhos para criar sozinho: Iris (Ambyr Childers), Rose (Julia Garner, excelente) e o caçula Rory (Jack Gore). Cristão fundamentalista, Frank submete a sua família a um terrível ritual diário em a desobediência e a liberdade não devem existir, algo difícil para Iris e Rose, pois as duas estão na fase delicada e cheia de descobertas da adolescência.

Sem elucidar apressadamente os mistérios que rondam os Parker, Jim Mickle dá preferência a criação de uma atmosfera quase sufocante. Na cidadezinha quase inóspita que serve de cenário para a história, as enchentes varreram residências e árvores e há ainda os desaparecimentos não solucionados de algumas garotas, como a filha do veterano detetive Doc Barrow (Michael Parks) que, por sua vez, está obstinado em encontrar um culpado. Isso tudo gira ao redor de Iris e Rose, que a todo o instante se veem obrigadas pelo pai delas a fazer coisas que desaprovam.

No processo de adaptação em conjunto com o também ator Nick Damici, Jim Mickle erra ao associar as origens dos Parker a uma família de nômades de aproximadamente três séculos atrás. É algo ilustrado através de flashbacks mal encenados e que não se encaixam com harmonia à história. Por outro lado, Jim Mickle filma a violência com elegância, se importando mais com as reações de quem a executa do que com o choque gratuito. Somente na conclusão se deixa dominar pelo horror explícito e este se manifesta com um impacto singular que somente os bons diretores do gênero são capazes de arquitetar.

We Are What We Are, 2013 | Dirigido por Jim Mickle | Roteiro de Jim Mickle e Nick Damici, baseado no roteiro homônimo de Jorge Michel Grau | Elenco: Bill Sage, Ambyr Childers, Julia Garner, Jack Gore, Michael Parks, Nick Damici, Kelly McGillis, Kassie Wesley DePaiva, Wyatt Russell, Annemarie Lawless, Traci Hovel, Nat DeWolf, Larry Fessenden, Odeya Rush, Joel Nagle e Reagan Leonard | Distribuidora: Esfera Filmes | Perspectiva Internacional

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