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O Grande Gatsby

O Grande Gatsby | The Great Gatsby

Francis Scott Key Fitzgerald – ou melhor, F. Scott Fitzgerald – deixou como obra-prima o cada vez mais popular “O Grande Gatsby”, romance que escreveu em 1924 enquanto esteve em Paris. Embora fictícia, há muitas coisas na história que remetem ao escritor, como a presença do protagonista Nick Carraway como seu alter ego, o fascínio por festividades promovidas por membros da alta sociedade e os amores não correspondidos.

Figura presente em um universo de luxos e prestígios, Francis Ford Coppola adaptou “O Grande Gatsby” na década de 1970, mas sua visão levada adiante pelo cineasta Jack Clayton não obteve o êxito artístico esperado. Talvez a ausência de uma versão cinematográfica definitiva tenha incentivado o australiano Baz Luhrmann a fazer um “O Grande Gatsby” com todas as suas apreciações artísticas bem particulares.

De tão afetado, o primeiro ato de “O Grande Gatsby” parece contradizer as observações oportunas de F. Scott Fitzgerald como um viciado por encantamentos artificiais. Afinal, é somente deslumbramento pelo deslumbramento, como podemos julgar pelos olhos encantados de Nick Carraway (vivido por Tobey Maguire, terrível), jovem promessa da área financeira que aluga uma residência modesta que dá para a mansão de Jay Gatsby (Leonardo Lurh), ricaço enigmático que promove festas sem que sua presença seja notada entre os convidados.

Antes que possamos conhecer o íntimo de cada personagem, Baz Luhrmann revive “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”. Uma cenografia de encher os olhos é milimetricamente explorada enquanto as principais potências atuais da música pop são ouvidas, como Beyoncé, Lana Del Rey e Florence Welch, um meio de nos aproximar de uma história de quase um século atrás. Somente as taças com champanhe não são atingidas pela chuva de confete.

Como a vida não é só feita de festas, há o momento em que Baz Luhrmann precisa abrir mão da euforia para desvendar Gatsby, homem de origem desconhecida obstinado em reconquistar Daisy (Carey Mulligan), um amor do passado atualmente comprometida com o atleta Tom Buchanan (Joel Edgerton) e, não é mera coincidência, prima de Nick. O apreço por uma estética para muitos extravagante persiste, mas no reencontro entre Gatsby e Daisy é possível finalmente notar a influência de F. Scott Fitzgerald.

No ápice de “O Grande Gatsby”, o romance homônimo é transposto com fidelidade quando Daisy é encurralada, devendo decidir se ficará com o marido ou o primeiro grande amor agora convertido em amante. É uma etapa da narrativa em que o ingênuo Nick, protagonista da história, cede o espaço para que Gatsby se manifeste com maior intensidade. Uma decisão que faz “O Grande Gatsby” adquirir uma fluidez tardia, mas que vem também com a possibilidade de testemunharmos um progresso em uma parceria que se repete entre Luhrmann e DiCaprio, outrora diretor e protagonista de “Romeu + Julieta”. Se o primeiro consegue dar mais camadas aos seus personagens, o segundo finalmente apresenta algum amadurecimento para um grande personagem que exige mais do que seus maneirismos habituais.

The Great Gatsby, 2013 | Dirigido por Baz Luhrmann | Roteiro de Baz Luhrmann e Craig Pearce , baseado no romance homônimo de F. Scott Fitzgerald | Elenco: Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire, Carey Mulligan, Joel Edgerton, Isla Fisher, Gemma Ward, Callan McAuliffe, Amitabh Bachchan, Jason Clarke e Elizabeth Debicki | Distribuidora: Fox

One Comment

  1. […] programado pela Warner Bros. para ser lançado nos cinemas em 2012, “O Grande Gatsby” foi adiado para o primeiro semestre do ano passado para ter uma carreira comercial mais […]

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