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Resenha Crítica | Alemão (2014)

Alemão

Realizador de filmes pouco acessíveis como “A Concepção”, “Se Nada Mais Der Certo” e “Meu Mundo em Perigo”, o cineasta nascido em Brasília José Eduardo Belmonte parece agora interessado em tocar projetos capazes de adquirirem maior projeção dentro de um circuito comercial cada vez mais avassalador. Enquanto não estreia “O Gorila”, filme que forma o terceiro componente de um trio que representa uma nova fase de uma carreira ainda não consolidada, podemos, com “Billi Pig” e “Alemão”, quase chegar à conclusão de que Belmonte não tomou a decisão de modo adequado.

Se com “Billi Pig” Belmonte tentou resgatar sem nenhum sucesso as características de um modelo cômico hoje obsoleto na cinematografia brasileira, pior é sua investida no gênero policial com “Alemão”, este ganhando agora o circuito comercial. É um filme que se revela um erro já em seus primeiros segundos: antes de narrar o drama de cinco policiais encurralados no Complexo do Alemão antes do processo de pacificação, os letreiros alertam que tudo deve ser encarado como ficção.

A história inicia com um motoboy que, sabe-se lá o porquê, circula em meio ao Complexo do Alemão com uma arquivo comprometedor capaz de revelar a identidade de cinco policiais infiltrados no local. Com os nomes e rostos espalhados a mando de Playboy (Cauã Reymond), líder de toda a bandidagem que corrompe o Complexo do Alemão, resta aos policiais Samuel (Caio Blat), Danilo (Gabriel Braga Nunes), Carlinhos (Marcello Melo Jr.) e Branco (Milhem Cortaz) se refugiarem na pizzaria de Doca (Otávio Muller), este também um policial que convenientemente deu fim em sua ficha antes que seus colegas fossem descobertos.

Inspirado por uma ideia do produtor Rodrigo Teixeira, “Alemão” acaba involuntariamente ridicularizando algo que deveria se comportar como a dramatização de um episódio recente na história do Rio de Janeiro. A irrealidade do roteiro já se vê em cada personagem respondendo a um estereótipo de filme policial barato. Claro que Caio Blat ficaria a cargo de fazer o sujeito franzino e coagido enquanto Gabriel Braga Nunes faz o galã e o Milhem Cortaz, o truculento.

Se já não bastasse criar personagens pelos quais a gente não torce em momento algum e que agem estupidamente diante dos imprevistos, “Alemão” ainda nos brinda com a entrada de Mariana (Mariana Nunes) para cobrar de Doca o dinheiro não pago por um dia de faxina na espelunca. Claro que a moça fará escândalo, revelará que é mãe e que ainda teve um passado com Playboy – se não bastasse tudo isso, Mariana ainda despertará o lado mais amoroso de um dos policiais.

Os exemplos de mau cinema não cessam aqui. Além do roteiro risível e das péssimas interpretações de todo o elenco (a inabilidade dos globais para interpretar policiais ou bandidos é impressionante), “Alemão” é tecnicamente atroz. Composta por Guilherme e Gustavo Garbato, a trilha-sonora é estridente. De Bruno Lasevicius e Virginia Primo, a montagem chega até a flertar com a linguagem de vídeo clipe de rap ao dar forma ao clímax. Por fim, resta um Belmonte bem distante daquele cineasta antes encarado como uma promessa de novos ares de um cinema que a todo o momento conta com filmes como “Alemão” para retardar uma linha de progresso.

Alemão, 2014 | Dirigido por José Eduardo Belmonte | Roteiro de Gabriel Martins | Elenco: Caio Blat, Gabriel Braga Nunes, Marcello Melo Jr., Milhem Cortaz, Otávio Muller, Mariana Nunes, Cauã Reymond, Antônio Fagundes, Jefferson Brasil, Marco Sorriso, Aisha Jambo, Micael Borges, MC Smith, Alcemar Vieira e Andrea Cavalcanti | Distribuidora: Paris Filmes

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