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Resenha Crítica | A Grande Ilusão (2013)

A Grande Ilusão | The Truth About EmanuelThe Truth About Emanuel, de Francesca Gregorini

As melhores histórias sobre maternidade são aquelas que buscam explorar a qualidade de mãe de modo pouco usual, perturbador. Há exemplos recentes notórios e “A Grande Ilusão” encontra seu espaço nessas referências ao apresentar três frentes femininas em que o espectador identificará o fortalecimento da figura materna através de sua ausência.

Tendo sua premiere em Sundance (sendo apresentado como “Emanuel and the Truth About Fishes”) e com exibição na última edição do Festival do Rio, “A Grande Ilusão” tem Emanuel (Kaya Scodelario) como protagonista. Prestes a completar 18 anos, essa jovem batizada com nome masculino até hoje se culpa pela morte de sua mãe, que não resistiu ao parto. Introspectiva, Emanuel não tem um relacionamento sereno com o seu pai Dennis (Alfred Molina) e não responde de forma positiva às investidas de aproximação de Janice (Frances O’Connor), companheira de Dennis e uma mulher frustrada com a impossibilidade de engravidar.

Se Emanuel e Janice já renderiam alguns conflitos com suas carências incontornáveis, há também a presença de uma terceira mulher que tumultuará um pouco a vivência entre elas. Trata-se de Linda (Jessica Biel), mãe solteira e nova vizinha de Emanuel. Mesmo estudante e funcionária de uma drogaria, Emanuel aceita o pedido de Linda em ajudá-la como babysitter. Emanuel não consegue ver a bebê de Linda por estar sempre dormindo e a aproximação tardia traz uma surpresa perturbadora que, claro, não deve ser revelada ao espectador de antemão.

Nascida na Itália e enteada do músico Ringo Starr, Francesca Gregorini faz sua primeira aventura solo por trás das câmeras após dividir a função com Tatiana von Furstenberg em “Os Segredos de Tanner Hall” (drama protagonizado por Rooney Mara e que em “A Grande Ilusão” atua como produtora-executiva após deixar o papel de Emanuel para Kaya Scodelario), obtendo resultados satisfatórios a partir de algumas estranhezas.

Uma vez que as privacidades e perturbações de Emanuel e Linda ficam em evidência, a narrativa exige um esforço redobrado de Kaya Scodelario e Jessica Biel no desempenho de seus trabalhos muito difíceis. Ao evitarem o ridículo que poderiam cair com a situação que se apresenta, as atrizes favorecem as intenções contidas no texto, também desenvolvido por Francesca Gregorini.

Há em “A Grande Ilusão” três complicações maternais. A de Emanuel é superar a perda de uma mãe que jamais conheceu, enquanto a de Linda é a de processar apropriadamente a impossibilidade de continuar desempenhando o papel de mãe do modo que acredita se materializar. Não menos importante, há também Janice e sua obstinação em se impor como uma nova mãe para Emanuel e a ciência de que esta talvez seja a única oportunidade que ela terá para atingir algum sucesso. Quem se doar à proposta de “A Grande Ilusão”, certamente será emocionalmente tocado por alguma das personagens.

7 Comments

  1. Marcelo Marcelo

    Um filme notável e mais notável ainda a presença de mais um papel interessante na carreira da Jessica Biel.

    • Marcelo, queria tanto que Jessica Biel recebesse mais papéis densos como esse. É uma grande atriz que ainda não foi aproveitada como merece.

  2. thiago thiago

    Muito bom o filme… Emblemático, impactante, forte, tenso, inteligente… RECOMENDO!!!

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