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Resenha Crítica | Grace de Mônaco (2014)

Grace: A Princesa de Mônaco | Grace of Monaco

Grace of Monaco, de Olivier Dahan

A mesmo tempo em que Grace Kelly recebeu o Oscar de Melhor Atriz por “Amar é Sofrer” em 1955, o príncipe Rainier Louis veio ao seu encontro em uma edição do Festival de Cannes. A informalidade da aproximação se transformou em uma união no ano seguinte que mudaria totalmente as prioridades de Grace Kelly. Os conflitos entre o seu marido com o presidente francês Charles de Gaulle eram intensos e a luta das gerações passadas em manter o principado independente ameaçava chegar a um fim indesejado.

Com a união de uma das maiores divas do cinema com o príncipe Rainier III, muitos afirmaram que Grace se aproximara daquilo que pode ser chamado de um conto de fadas sendo materializado na vida real. Ao contrário do que a ficção insiste, o final feliz não existe e o recorte da vida de Grace Kelly feito pelo roteirista Arash Amel para “Grace: A Princesa de Mônaco” é a comprovação dessa desilusão.

Desde que foi escolhida em “Os Outros” para viver a personagem Grace Stewart (junção do nome e sobrenome dos astros de “Janela Indiscreta”, Grace Kelly e James Stewart), ficou evidente que seria uma mera questão de tempo para que Nicole Kidman fosse a primeira escolhida para interpretar nos cinemas a musa de Alfred Hitchcock. No entanto, “Grace: A Princesa de Mônaco” não se comporta como uma cinebiografia. A Grace Kelly aqui é vista em seu momento de maior crise, este que não depende da delineação de seu passado artístico ou de seu futuro trágico no acidente automobilístico que resumiu sua existência.

O modo glorioso como Grace Kelly encerra sua participação em “Ladrão de Casaca” é também o seu último ato como intérprete. Bem, ao menos no cinema, como compreende Olivier Dahan, o diretor de “Grace: A Princiesa de Mônaco”. Tentada por Hitchcock (interpretado por Roger Ashton-Griffiths) a retomar sua carreira como a protagonista de “Marnie – Confissões de Uma Ladra”, Grace se vê presa em tempo integral no papel de princesa de Mônaco. Acertar a oferta de Hitchcock confirmaria os boatos da imprensa de que o seu casamento com Rainier III (Tim Roth) estaria em crise, bem como o seu descaso com os assuntos políticos de Mônaco.

Conselheiro de Grace, o padre Francis Tucker (Frank Langella) diz que esta é a deixa para ela exercer o papel de mãe carinhosa, de esposa devota e de mulher engajada em causas humanitárias. O papel mais desafiador do que qualquer um daqueles que representou no cinema e na tevê. O papel de sua vida. Teria Grace Kelly jogo de cintura para sustentar esta personagem para o resto de sua vida? Conseguiria preencher com convicção cada um de seus discursos? Os sacrifícios para manter sua família valeriam a pena?

Já tendo encenado de modo muito irregular a história da cantora Edith Piaf, Olivier Dahan mostra progresso como cineasta em “Grace: A Princesa de Mônaco”, mas lhe falta sutileza ao transformar este período tão tumultuado para Grace Kelly em um drama de proporções cinematográficas. A atmosfera de thriller de espionagem (supõe-se que a privacidade de Grace Kelly e Rainier III era acompanhada à distância por Charles de Gaulle) não ganham tanta ressonância diante do apego de Dahan pelos frufrus de sua mise-en-scène. Nem mesmo a presença de Paz Vega como Maria Callas confere alguma densidade ao filme.

Melhores são os instantes em que Olivier Dahan e, consequentemente, Nicole Kidman compreendem Grace Kelly incorporando o mito por trás de sua figura pública. É onde a opulência dos closes denunciam que Grace Kelly não está movida unicamente por suas emoções mais verdadeiras, como também por um script que deverá seguir para promover a harmonia entre Mônaco e França e em sua vida conjugal. É uma situação que requer que muitos sentimentos sejam forjados, mas o único que Daham permite que sua autenticidade seja questionada é a de arrependimento.

One Comment

  1. Estou curiosa para assistir a este filme, principalmente para ver como será feito o retrato de alguém tão cheia de dualidades como Grace Kelly. Ela era gélida, ao mesmo tempo em que era um vulcão. Um verdadeiro mistério. E isso atingiu seu ápice quando ela passou a interpretar o seu verdadeiro papel: como princesa de Mônaco. Seu texto não empolga, mas continua a me deixar curiosa para assistir a este filme e tomar as minhas próprias conclusões.

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